Demonologia é o estudo sistemático dos demônios. Quando envolve os estudo de textos bíblicos, é considerada um ramo da Teologia. Por geralmente se referir aos demônios descritos no Cristianismo, pode ser considerada um estudo de parte da hierarquia bíblica. Também não está diretamente relacionada ao culto aos demônios.

As mais extensas exposições sobre demonologia cristã são o Malleus Maleficarum, de Heinrich Kraemer, Demonolatria, de Nicolas Rémy, e Compendium Maleficarum, de Francesco Maria Guazzo.

A demonologia se refere a catálogos que tentam nomear e definir uma hierarquia de demônios e espíritos malignos. Nesse sentido, a demonologia pode ser vista como uma imagem em espelho ou um ramo da angeologia, que estuda os anjos.

Os grimórios de ocultismo são tomos que conteriam os feitiços dessa versão da demonologia, contendo instruções de como convocar demônios e (espera-se), submetê-los à vontade do conjurador, embora nem todos os ocultistas antigos ou modernos necessariamente conjurem demônios.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

ORIXÁS, CABOCLOS E GUIAS: Deuses ou Demônios?

De demônios a deuses
No capítulo seguinte, você terá um esclarecimento acerca dos demônios.
Devemos, entretanto, afirmar, de início, que eles existem. São espíritos sem
corpos, anjos decaídos, rebeldes que atuam na humanidade desde o princípio, com
a finalidade de destruí-la e afastá-la de Deus. Esses anjos decaídos têm enganado
os homens há milhares de anos. Nas religiões mais remotas, tais quais o vedismo,
o bramanismo e o hinduísmo (2000 a.C.), já se encontram evidências de sua
existência, ora repudiados como verdadeiros demônios, ora adorados como
deuses. Tanto nas religiões hindus, egípcias ou babilônicas, quanto nas nativas da
África e outras regiões, os demônios têm sido evitados ou adorados.
No Brasil, em seitas como vodu, macumba, quimbanda, candomblé ou
umbanda, os demônios são adorados, agradados ou servidos como verdadeiros
deuses. No espiritismo mais sofisticado, eles se manifestam mentindo, afirmando
ser espíritos de pessoas que já morreram (médicos, poetas, escritores, pintores,
sábios, etc). Se fazem também passar por espíritos de pessoas da própria família
dos que se encontram nas reuniões, quando são invocados para "prestar caridade"
ou receber uma "doutrina".

No candomblé, Oxum, Iemanjá, Ogum e outros demônios são verdadeiros
deuses a quem o adepto oferece trabalhos de sangue, para agradar quando alguma
coisa não está indo bem ou quando deseja receber algo especial.
Na umbanda, os deuses são os orixás, considerados poderosos demais para
serem chamados a uma incorporação. Os adeptos preferem chamar os "espíritos
desencarnados" ou "espíritos menores" (caboclos, pretos-velhos, crianças, etc.)
para os representar, e a estes obedecem e fazem os seus sacrifícios e obrigações.
Na quimbanda, os deuses são os exus, adorados e servidos no intuito de
alcançar alguma vantagem sobre um inimigo ou alguma coisa imoral, como
conquistar a mulher ou o marido de alguém, obter favores por meios ilícitos, etc.
No kardecismo e nas demais ramificações espíritas ou espiritualistas, os
demônios se apresentam como espíritos evoluídos ou ainda em evolução, que
precisam de doutrina. Na maioria desses cultos, eles são invocados para prestar
caridade, seja praticando o curandeirismo ou transmitindo mensagens que vão
"iluminar" os adeptos. Existem grupos espíritas ou espiritualistas que lidam com
os espíritos (demônios) por intermédio da mente ou de práticas experimentais de
meditação, transmigração e coisas assim. Alguns desses
demônios chegam a afirmar que são moradores de outros planetas, com
uma função espiritual na Terra.

Na realidade, orixás, caboclos e guias, sejam lá quem forem, tenham lá o
nome mais bonito, não são deuses.
Os exus, os pretos-velhos, os espíritos de crianças, os caboclos ou os
"santos" são espíritos malignos sem corpo, ansiando por achar um meio para se
expressarem neste mundo, não podendo fazê-lo antes de possuírem um corpo. Por
isso, procuram o corpo humano, dada a perfeição de funcionamento dos seus
sentidos. Existem casos em que por força das circunstâncias eles chegam a
possuir animais para cumprir seus intentos perversos:

Mateus 8.31
Um demônio é uma personalidade; um espírito desejando se expressar, pois
anda errante procurando corpos que possa possuir para, através deles, cumprir sua
missão maligna. Os orixás, caboclos e guias, na realidade, nunca fazem bem em
favor do seu "cavalo". Exigem obediência irrestrita e ameaçam de punição aquele
que não estiver andando "na linha".
Vivem castigando seus seguidores e não têm bênção alguma para dar.
Pessoas bem-intencionadas e religiosas passam anos e anos acreditando de todo o
coração nos poderes dos orixás e dos pretos-velhos.
O que vêem, no entanto, nunca realmente as satisfaz. O diabo, organizador
de tudo isso, engana a humanidade. Com rituais, danças e oferendas, induz o ser
humano a abrir sua vida às forças do inferno, de sorte que este fica escravo dos
espíritos, pagando um preço incrivelmente alto pelos pequenos favores recebidos,
os quais o mantêm enganado.
Muitas pessoas piedosas são enganadas pelos demônios. A alma da mãede-
santo, por exemplo, é vendida ao orixá.
Há uma chantagem diabólica nesse meio, que obriga a pessoa que "faz o
santo" a renunciar, enquanto vive, a todas as coisas, inclusive à própria salvação.
Há um temor imenso entre os praticantes dessas seitas em deixá-las por causa das
ameaças feitas. Muitas vezes eles rejeitam convites para participar das reuniões de
libertação numa igreja evangélica motivados por esse medo que lhes é imposto.

Na nossa igreja temos centenas de ex-pais-de-santo e ex-mães-de-santo,
que foram enganados pelos espíritos malignos durante anos a fio. Depois de
assistirem a uma de nossas reuniões, motivados pelos programas de rádio ou
televisão, ou levados por alguém que já freqüentava nossos cultos, se
transformaram em novas criaturas. Verificaram que os orixás, caboclos e guias,
aos quais devotavam tão grande estima, não possuíam nenhum poder em relação
àquele que está com Cristo.
Decepcionaram-se ao constatar que os mais fortes "protetores" com quem
contavam não passavam de demônios, que na igreja, caíam de joelhos e
obedeciam às ordens do dirigente da reunião.
Impressionaram-se ao ouvir os próprios orixás e caboclos confessarem
diante da multidão que não passam de demônios, cuja missão é enganar, arrasar e
destruir os seus "cavalos". Sim, meu amigo leitor, essas pessoas encontraram em
Jesus Cristo a única e verdadeira fonte de poder. Deram um basta a uma vida de
opressão, cansaço e desilusão; quebraram os gongás, fecharam os terreiros,
destruíram as imagens e os objetos fetichistas. Adquiriram uma Bíblia, onde

aprenderam que Deus condena a feitiçaria e proíbe a consulta aos espíritos que
dizem ser de pessoas mortas.
A maioria desses irmãos e irmãs trabalham na igreja como obreiros. São
trabalhadores incansáveis na obra de Jesus.
Querem que todas as pessoas conheçam a verdade acerca dessa falsidade
chamada espiritismo, com os seus diversos rótulos. Você, amigo leitor, também
pode deixar isso de lado e se tornar uma nova criatura. A Bíblia condena todas as
práticas da umbanda, do candomblé e do espiritismo de um modo geral. Tanto no
Antigo Testamento quanto no Novo, encontramos versículos bíblicos, mostrando
a desaprovação de Deus a essas práticas enganosas e diabólicas:

Se você, meu amigo leitor, crê em Deus e em Jesus Cristo e pratica
qualquer forma de consulta aos mortos ou adoração a "deuses" com nomes de
orixás, caboclos, pretos-velhos e guias; se você presta culto ou oferece sangue e
sacrifícios a entidades, atenda à voz de Deus e nunca mais pratique essas coisas.
Você foi criado à imagem e semelhança de Deus para servir só a Ele. Tenha
apenas Jesus Cristo como seu protetor ou guia. Tome uma atitude de fé e
coragem: renuncie a tudo isso e volte-se para Deus. Participe de uma reunião de
libertação em nossas igrejas e o Senhor Jesus Cristo o libertará dessas práticas
condenadas por Deus, as quais nada têm de religião.
Em muitos casos não passam de engodo e fingimento, para tirar o seu
dinheiro, a sua saúde e a sua paz, sem nada dar em troca. Vamos, meu amigo
leitor; levante-se, saia do lodo em que se encontra e venha para a maravilhosa
companhia de Jesus. Junte-se a milhares de pessoas que foram alcançadas pela
mão misericordiosa de Cristo, as quais agora estão anunciando a verdade. "E
conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8.32).

O que fazer diante de casos de Possessão Por Lucifer o Anjo Caido

Na verdade estamos todos envolvidos em uma terrível e amarga guerra espiritual. Guerra esta que se iniciou quando Lúcifer quis ser independente de Deus e convidou os anjos a se juntarem a ele. Satanás (que significa adversário) propôs que houvesse um novo reino, uma nova ordem celestial onde a submissão a Deus não seria necessária. O que o diabo desejava era ser adorado e dominar sobre os outros anjos. Ele quis ser como Deus:
 "...subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo." Isaías 14:14 

Como resposta a essa literal rebelião Deus decretou a condenação eterna de satanás e de todos os anjos que foram seduzidos pelo diabo:

"Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos." Mateus 25:41 

A maioria dos anjos, porém, rejeitou a sedutora proposta de Lúcifer, e estes que foram fiéis a Deus são os anjos santos e permanecerão eternamente com o Criador.
E o que sucedeu ao próprio Lúcifer e aos outros anjos rebeldes (os demônios)?
Embora, como já dito anteriormente, serão todos lançados no castigo do fogo eterno, uma parte deles (dos demônios) e o próprio diabo se encontram soltos até o dia do juízo.
E a Bíblia sobre onde estão os demônios aprisionados:

"Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, {inferno; no original, tártaro} os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo;" 2 Pedro 2:4 

Estão no Tártaro. O Tártaro (em Grego [equivale também a Hades]) está nas profundezas da terra, onde estão também os espíritos dos homens e das mulheres que, em vida, odiaram a Deus e preferiram o mal. 

"Ainda que cavem até ao inferno, a minha mão os tirará dali; e, se subirem ao céu, dali os farei descer." Amós 9:2
Todo o Tártaro (Inferno) será lançado no Lago do Fogo no dia do justo juízo de Deus:

"Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo." Apocalipse 20:14 

Logo, não é difícil entender que se uma parte dos demônios está solta, juntamente com o próprio diabo, eles tratarão de procurar fazer o que mais desejam: Vingar-se de Deus.
Na realidade, a grande fúria de ódio que o diabo e os demônios têm é contra o Senhor Deus.
Nada, porém, podendo fazer contra o Todo-Poderoso, lançam seu ódio contra os homens e mulheres (criados à semelhança de Deus) buscando com isso atingir, indiretamente, a Deus. E este ódio é muito mais intenso quando os demônios se deparam com Cristãos, pois os anjos caídos sabem que somos filhos amados pelo Senhor, por isso a fúria contra nós é mais intensa. Porém, louvado seja Deus, não podem nos destruir, pois somos guardados pelo poder de Deus:

"...para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo." 1 Pedro 1:4,5

Mas a realidade da guerra espiritual é algo do qual não podemos fugir. Nem fugir da guerra e nem fugir do diabo, pelo contrário! Ele é quem foge de nós Cristãos, por causa da presença de Deus:

"Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós." Tiago 4:7 


Se em nosso coração mantemos firme a fé no Senhor Jesus e com nossos lábios não o negamos, mas antes confessamos o Seu nome diante de todos, sobre nós repousa a mão de Deus. E se sobre nós repousa a mão de Deus, quem nos poderá vencer?

"Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?" Isaías 43:13 

Sobre a Possessão Demoníaca

A possessão demoníaca é uma realidade terrível que eu mesmo já presenciei. Quase que invariavelmente, nos casos em que um demônio se manifesta em um ser humano, o indivíduo vitimado urra, berra, grita e pronuncia palavras compreensíveis. Já presenciei tal fato inúmeras vezes. É tal qual o narrado pela Bíblia:

"Também de muitos saíam demônios, gritando e dizendo: Tu és o Filho de Deus! Ele, porém, os repreendia para que não falassem, pois sabiam ser ele o Cristo." Lucas 4:41 
"Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados." Atos 8:7 
A agressividade e a violência são uma constante nos casos de possessão demoníaca:
"E o possesso do espírito maligno saltou sobre eles, subjugando a todos, e, de tal modo prevaleceu contra eles, que, desnudos e feridos, fugiram daquela casa." Atos 19:16
"Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai deste homem. O demônio, depois de o ter lançado por terra no meio de todos, saiu dele sem lhe fazer mal." Lucas 4:35 
Devemos fugir disto? A resposta é NÃO. Somos chamados a fim de guerrear ao lado do Senhor Jesus Cristo:
"Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas." 1 Timóteo 6:12 
Este combate é por nossas próprias vidas, pelas vidas de nossos irmãos e pelas vidas de nossos semelhantes, segundo o Senhor nos dirigir, guiar e orientar, pois está escrito:
"Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." João 15:5 
"No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais." Efésios 6:10-12
Quando uma pessoa possessa por um anjo caído (Lúcifer) é posta debaixo da luz e do poder de Deus, o espírito da pessoa anseia pelo Criador, porém o espírito demoníaco estremece e grita, por temor de Deus e também por ódio.
"Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem." Tiago 2:19 
 Frequentemente, quando uma pessoa possessa por um, ou por mais de um demônio, entra em uma Igreja e pela pessoa oram os irmãos, o demônio pode vir a se manifestar de diversas formas: Causando tonturas à pessoa, perturbando-lhe a mente com ideias e pensamentos negativos, incutindo na pessoa o desejo de sair da Igreja, ou mesmo se manifestar com palavras, com gritos e com gestos. Muitas vezes as palavras são compreensíveis, outras vezes apenas urram e rosnam como cães.
Se Deus houver determinado que aquela pessoa será liberta, então o dedo de Deus expulsará o demônio e a pessoa ficará livre da escravidão espiritual. Porém, há casos em que, no fundo, a pessoa não está interessada em Deus, não o deseja encontrar, logo, poderá ser que não seja liberta, pela dureza e pela incredulidade de seu coração. Este é um ponto muito delicado, e já que nem sempre podemos saber quem é quem, devemos buscar o bem de todos, deixando que Deus decida sobre todas as coisas. Deus conhece cada caso, individualmente. Por isso temos de orar e pedir orientação a Ele.
Não acredito, de modo nenhum, que alguém venha a ser possuído por demônios dentro de uma Igreja. O que pode acontecer é que alguém que JÁ ESTAVA possuído pelo diabo possa apresentar reações de agressividade e de agitação, como já foi explicado anteriormente, pois tal pessoa, se possuída por um demônio, pode ter entrado na Igreja já estando a pessoa antes naquele estado. O que ocorre é que seu estado espiritual é revelado e manifesto diante da Igreja.


Na realidade, o demônio já estava no corpo da pessoa, ANTES de ela ser levada à Igreja.
Não devemos, todavia, pensar que todos os casos de agitação, inquietação, raiva e comportamentos esquisitos sejam de origem demoníaca, pois há muitos casos de desequilíbrio mental e emocional que podem ter origem na mente do ser humano.
Imaginemos, por exemplo, duas pessoas: Uma se chama Antônio e a outra Doralice. Digamos que o Antônio esteja possuído por um demônio que se chame Asmodeu e que Doralice não esteja possuída por nenhum demônio, mas que sofre de um transtorno psiquiátrico. Ambas, Antônio e Doralice, são levados à Igreja. Na hora da oração tanto Antônio quanto Doralice começam a se inquietar. Ambos tremem e se agitam de um lado para o outro. Como saber o que está se passando com Antônio e com Doralice? Vejamos um trecho bíblico:
"Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião, porque tinham entrado nele muitos demônios." Lucas 8:30 
Vemos que aquele homem possesso de espíritos imundos, ao se deparar com a toda-poderosa presença do Senhor Jesus Cristo, respondeu: "Legião", pois quem falou foram os demônios. Logo, ficou evidente que estava possuído por demônios, e o Senhor Jesus curou o homem.
No nosso exemplo, digamos que o Antônio, que está possesso por um demônio chamado Asmodeu, se depare com a mesma presença toda-poderosa do Senhor habitando nos Cristãos. Ao ser perguntado ao Antônio: "Qual é o teu nome", por causa da glória de Deus, o demônio não suportará e dirá, pela boca do Antônio, que se chama Asmodeu. Neste caso, os irmãos, no nome do Senhor Jesus e pelo poder do Espírito Santo expulsarão Asmodeu do corpo do Antônio e este ficará liberto.
Agora, digamos que Doralice, que não está possessa por demônio nenhum, se encontre também diante da presença de Deus habitando nos Cristãos. Ao lhe ser perguntado: "Qual é o teu nome", responderá: "Doralice". Ainda que se estremeça e que se agite, não se tratará, neste caso, de possessão demoníaca, mas de um desequilíbrio mental, de uma doença psiquiátrica (e há muitos assim). E há um trecho bíblico que faz a diferença entre endemoninhados, doentes mentais (lunáticos) e várias outras enfermidades, veja:

"E a sua fama correu por toda a Síria; trouxeram-lhe, então, todos os doentes, acometidos de várias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E ele os curou." Mateus 4:24
Como em muitos casos os Cristãos não usam todo o discernimento espiritual que possuem a fim de saber quem está ou quem não está possuído por demônios, é aceitável que submetam a pessoa a uma ou a mais perguntas, a fim de poderem lidar com aquela situação específica. Mas é Deus quem deve estar dirigindo tudo, pois se não estiver, o resultado será confusão e fracasso.
De qualquer forma, em nenhuma situação devemos fugir, mas antes orar pela pessoa com amor e confiança no poder libertador e curador de Deus. Quer se trate de possessão demoníaca ou de qualquer outro mal, o que vale é a intervenção de Deus a fim de que a pessoa seja curada:

"...E ele os curou." Mateus 4:24
Espero ter podido ser útil.
Que Deus lhe abençoe!


A Traição a Jesus e a Sua Prisão

Samael, também chamado pelo nome de Lúcifer, era o anjo mais respeitado das potestades celestiais e muito querido por Deus. Ele era o Regente dos Anjos e participava no "Conselho com os Altíssimos" e também reinou “sobre a montanha sagrada de Deus”. Samael era um ser magnífico, uma personalidade brilhante. Ele havia passado por toda a hierarquia dos seres cósmicos, desde uma simples Salamandra até chegar a ser o "Arcanjo que tudo sabe".

Ele conhecia a origem de tudo e não aceitava mais servir ao mundo atômico. Ele não era um ser ascendente; ele era um Filho criado do universo local e dele foi dito: “Eras perfeito em todos os teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que a falta de retidão fosse encontrada em ti. O teu coração enalteceu-se por causa da tua beleza; tu corrompeste a tua sabedoria em vista do teu esplendor”.


Quando o Anjo caído aparece para Jesus no Monte das Oliveiras Eles fez de tudo para corromper a Jesus, mas sendo um homem forte não se deixou se levar nas conversas de Lúcifer ou Samael Este monte situa-se ao leste de Jerusalém; do outro lado do ribeiro de Cedrom, conhecido como vale de Josafá. Vale que corria esse ribeiro. Águas passavam entre o Templo e o monte das Oliveiras. 
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(1971.1) 183:0.1 DEPOIS de haver acordado Pedro, Tiago e João, definitivamente, Jesus sugeriu que eles fossem para as suas tendas e que tentassem dormir a fim de preparar-se para os deveres do dia seguinte. Contudo, desta vez os três apóstolos estavam bem acordados; ficaram renovados com aqueles cochilos curtos e, além disso, viam-se estimulados e despertados pela entrada em cena de dois mensageiros agitados a perguntarem por Davi Zebedeu e saírem rapidamente à procura dele, tão logo Pedro informou-lhes que ele estava de guarda.

(1971.2) 183:0.2 Embora oito dos apóstolos estivessem profundamente adormecidos, os gregos que se encontravam acampados perto deles estavam bastante temerosos de que ocorressem encrencas, tanto assim que colocaram uma sentinela para dar-lhes alarme em caso de perigo. Quando os dois mensageiros apressados chegaram ao acampamento, a sentinela grega começou a acordar todos os seus amigos compatriotas, os quais saíram correndo para fora das suas tendas, já totalmente vestidos e armados. Todo o acampamento estava agora de pé, exceto os oito apóstolos. Pedro desejava chamar os seus companheiros, mas Jesus proibiu-o definitivamente. O Mestre exortou-os com brandura a voltarem para as suas tendas, mas eles mantinham-se relutantes em aquiescer à sua sugestão.
(1971.3) 183:0.3 Não tendo conseguido dispersar os seus seguidores, o Mestre deixou-os e caminhou descendo até a prensa de azeite perto da entrada do parque do Getsêmani. Embora os três apóstolos, os gregos e os outros membros do acampamento hesitassem em segui-lo imediatamente, João Marcos apressou-se a contornar as oliveiras e ocultou-se em um pequeno abrigo perto da prensa. Jesus havia-se afastado do acampamento e dos seus amigos para que aqueles que o viessem buscar, ao chegarem, pudessem prendê-lo sem perturbar os seus apóstolos. O Mestre temia que, despertados, os apóstolos estivessem presentes no momento da sua prisão e que, assim, o espetáculo da traição de Judas pudesse provocar a animosidade deles, levando-os a oferecer resistência diante dos soldados e que então fossem levados em custódia junto com ele. Ele temia que, se fossem presos junto com ele, pudessem também perecer.
(1971.4) 183:0.4 Embora Jesus soubesse que o plano para a sua morte tenha tido a sua origem nos conselhos dos governantes dos judeus, ele era também sabedor de que todos esses esquemas nefandos tinham a aprovação plena de Lúcifer, Satã e Caligástia. E ele bem sabia que esses rebeldes dos reinos também se comprazeriam de ver os apóstolos destruídos junto com ele.
(1971.5) 183:0.5 Jesus sentou-se, solitário, na prensa de olivas, onde esperou a vinda do traidor e, nesse momento, apenas João Marcos e uma hoste inumerável de observadores celestes podiam vê-lo.
  Existe um grande perigo de se interpretar mal os significados de numerosas coisas que hajam sido ditas e os acontecimentos relacionados com o término da carreira do Mestre na carne. O tratamento cruel dado a Jesus pelos servos ignorantes e pelos soldados insensíveis, a conduta injusta do seu julgamento e a atitude insensível dos professos líderes religiosos não devem ser confundidos com o fato de que Jesus, submetendo-se pacientemente a todo esse sofrimento e humilhação, estivesse verdadeiramente cumprindo o desejo do Pai, no Paraíso. De fato e de verdade, era a vontade do Pai que o seu Filho bebesse o cálice inteiro da experiência mortal, do nascimento à morte, mas o Pai no céu não teve absolutamente nenhuma contribuição em provocar o comportamento bárbaro dos seres humanos, supostamente civilizados, que tão brutalmente torturaram o Mestre e que tão horrivelmente acumularam indignidades sucessivas sobre a sua pessoa, a qual não opunha a menor resistência. Aquelas experiências desumanas e chocantes, que Jesus foi levado a suportar, nas horas finais da sua vida mortal, não eram, de modo algum, parte da vontade divina do Pai; vontade esta que a natureza humana de Jesus comprometera-se, de uma maneira tão triunfante, a cumprir, na época da rendição final do homem a Deus, como indicado nas três preces que ele formulou no jardim enquanto os seus apóstolos cansados entregavam-se ao sono da exaustão física.
(1972.1) 183:1.2 O Pai no céu desejava que o Filho auto-outorgado terminasse a sua carreira na Terra naturalmente, da maneira exata que todos os mortais devem terminar as suas vidas na Terra e na carne. Os homens e mulheres comuns não podem esperar ter as suas últimas horas na Terra, bem como o acontecimento subseqüente da morte, facilitado por uma dispensação especial. Desse modo, Jesus escolheu abandonar a sua vida na carne da maneira que estivesse de acordo com o decorrer natural dos acontecimentos; e ele escolheu recusar terminantemente a livrar-se das garras cruéis de uma perversa conspiração de acontecimentos desumanos que o arrastaram, com uma certeza horrível, até uma humilhação inacreditável e uma morte ignominiosa. E cada detalhe de toda essa assombrosa manifestação de ódio e dessa demonstração sem precedentes de crueldade foi obra de homens maliciosos e de mortais perversos. A vontade de Deus no céu não era essa, nem os arquiinimigos de Jesus ditaram os acontecimentos, embora eles muito tivessem feito para assegurar que os mortais impensados e perversos rejeitassem, desse modo, o Filho na sua doação de auto-outorga. Até mesmo o pai do pecado desviou o rosto do horror do martírio da crucificação.

(1972.2) 183:2.1 Depois de abandonar tão abruptamente a mesa enquanto partilhava da Última Ceia, Judas dirigiu-se imediatamente à casa do seu primo e, então, os dois foram diretamente até o capitão da guarda do templo. Judas pediu ao capitão que reunisse os guardas e informou-lhe que estava pronto para levá-los a Jesus. Como Judas havia surgido em cena um pouco antes do esperado, houve alguma demora em partir para a casa de Marcos, onde Judas esperava encontrar Jesus ainda em reunião com os apóstolos. O Mestre e os onze deixaram a casa de Elias Marcos ao menos quinze minutos antes da chegada do traidor e dos guardas. No momento em que os captores chegaram à casa de Marcos, Jesus e os onze já estavam fora dos muros da cidade e a caminho do acampamento do monte das Oliveiras.
(1972.3) 183:2.2 Judas ficou muito perturbado com o esse malogro, de não encontrar Jesus na residência de Marcos e em companhia dos onze homens, dos quais apenas dois estavam armados para resistir. Ele soube por casualidade que, na tarde em que eles haviam deixado o acampamento, apenas Simão Pedro e Simão zelote estavam guarnecidos pelas suas espadas; Judas esperava prender Jesus quando a cidade estivesse tranqüila, e quando então houvesse poucas possibilidades de resistência. O traidor temia que, caso esperasse que eles voltassem ao acampamento, mais de sessenta discípulos devotados teriam de ser enfrentados; ele sabia também que Simão zelote estava de posse de um estoque amplo de armas. Judas ficava cada vez mais nervoso ao imaginar como os onze apóstolos leais iriam detestá-lo, e temia que todos eles buscassem destruí-lo. Ele não apenas era desleal, mas possuía realmente um coração covarde.
(1973.1) 183:2.3 Quando não logrou encontrar Jesus na sala superior, Judas pediu ao capitão da guarda para que retornassem ao templo. Enquanto isso os dirigentes tinham começado a reunir-se na casa do sumo sacerdote, em preparativos para receber Jesus, posto que a sua barganha com o traidor demandava a prisão de Jesus por volta da meia-noite daquele dia. Judas explicou aos seus cúmplices que, não havendo encontrado Jesus na casa de Marcos, seria necessário que fossem ao Getsêmani para prendê-lo. O traidor então afirmou que mais de sessenta seguidores devotados encontravam-se acampados com ele, e que estavam todos bem armados. Os dirigentes dos judeus lembraram a Judas que Jesus havia sempre pregado a não-resistência, mas Judas respondeu que eles não poderiam contar com todos os seguidores de Jesus para obedecer a esse ensinamento. Ele realmente temia por si próprio e por isso ousou pedir uma companhia de quarenta soldados armados. Posto que as autoridades judaicas não possuíam tal força de homens armados, sob a sua jurisdição, eles foram imediatamente à fortaleza de Antônia e solicitaram ao comandante romano que lhes fornecesse essa guarda; este, porém, quando soube que o objetivo era prender Jesus, recusou-se prontamente a aceder a tal pedido e remeteu-os ao seu oficial superior. Desse modo mais de uma hora foi gasta em ir de uma autoridade à outra, até que, finalmente, foram obrigados a ir ao próprio Pilatos a fim de obter a permissão para utilizar os guardas romanos armados. Era tarde quando chegaram à casa de Pilatos; e ele havia já se recolhido aos seus aposentos particulares com a esposa. Ele hesitava em ter qualquer coisa a ver com essa empreitada, e, mais ainda, por sua esposa haver pedido a ele que não atendesse a um tal pedido. Todavia, como o presidente do sinédrio judeu encontrava-se presente fazendo um pedido pessoal para ter essa ajuda, o governador julgou ser sábio conceder o que estava sendo pedido, pensando que fosse possível mais tarde emendar qualquer injustiça que eles pudessem estar dispostos a cometer.
(1973.2) 183:2.4 E assim, quando Judas Iscariotes saiu do templo, por volta de onze e meia da noite, ele achava-se acompanhado por mais de sessenta pessoas — guardas do templo, soldados romanos e servos curiosos dos sacerdotes e dos dirigentes principais.

3. A Prisão do Mestre

(1973.3) 183:3.1 Quando essa companhia de soldados e de guardas armados, levando tochas e lanternas, aproximou-se do jardim, Judas adiantou-se e colocou-se à frente de todos a fim de imediatamente identificar Jesus, de modo que os captores pudessem com facilidade colocar as mãos nele antes que os seus companheiros conseguissem acorrer em sua defesa. E havia ainda uma outra razão para que Judas escolhesse estar à frente dos inimigos do Mestre: pensou que poderia deixar transparecer que ele houvesse chegado ao local antes dos soldados, de modo que os apóstolos, e todos os outros que se reuniam em torno de Jesus, não fossem ligá-lo diretamente à presença dos guardas armados que seguiam tão de perto os seus passos. Judas chegara mesmo a pensar em posar como tendo apressado-se para avisá-los da aproximação dos captores; esse plano, contudo, foi frustrado pela saudação sombria de Jesus ao traidor. Embora o Mestre haja usado de amabilidade para falar a Judas, ele saudou-o como a um traidor.
(1973.4) 183:3.2 Pedro, Tiago e João e, ainda, uns trinta dos seus companheiros de acampamento tão logo viram a companhia armada e com tochas contornando o topo das colinas, logo souberam que esses soldados vinham para prender Jesus; e todos eles correram para baixo até perto da prensa de olivas onde o Mestre estava sentado em solidão, sob a luz da lua. À medida que a companhia aproximava- se de um lado, os três apóstolos e os seus companheiros vinham do outro lado. E, enquanto Judas adiantava-se a passos largos para abordar o Mestre, os dois grupos lá ficaram, imóveis, com o Mestre entre eles e Judas preparando-se para estampar o beijo traidor na fronte de Jesus.
(1974.1) 183:3.3 A esperança do traidor era de que pudesse, após conduzir os guardas ao Getsêmani, simplesmente apontar Jesus para os soldados, ou no máximo cumprir a promessa de saudá-lo com um beijo, e então rapidamente retirar-se da cena. Judas temia sobremodo que todos os apóstolos estivessem presentes e que concentrassem os seus ataques sobre ele, em castigo pelo seu atrevimento de trair ao seu amado instrutor. Mas, quando o Mestre saudou-o como a um traidor, ele ficou tão confuso que não fez nenhuma tentativa de fugir.
(1974.2) 183:3.4 Jesus empreendeu um último esforço para poupar Judas de traí-lo de fato; e assim, antes que o traidor pudesse alcançá-lo, ele andou para o lado e, dirigindo- se ao soldado mais próximo à esquerda, o capitão dos romanos, disse: “A quem buscais?” O capitão respondeu: “Jesus de Nazaré”. Então Jesus adiantou- se imediatamente à frente do oficial e permaneceu calmamente ali, na posição majestática de um Deus de toda a sua criação, e disse: “Sou eu”. Muitos dessa companhia armada haviam ouvido Jesus ensinar no templo; outros haviam ouvido falar sobre as suas obras poderosas e, quando o escutaram assim corajosamente anunciar a sua identidade, aqueles que estavam nas fileiras da frente recuaram subitamente. Eles haviam sido tomados de surpresa com o anúncio calmo e majestático da sua própria identidade. E não havia, portanto, nenhuma necessidade de que Judas continuasse com o seu plano de traição. Com ousadia, o Mestre havia revelado-se aos seus inimigos, que o poderiam ter prendido sem a ajuda de Judas. Mas o traidor precisava fazer algo para justificar a sua presença junto a esses homens armados e, além disso, queria demonstrar que cumpria a sua parte na barganha da traição para com os dirigentes dos judeus, e se fazer merecedor da grande recompensa e das honras que se acumulariam, esperava ele, sobre si, em recompensa pela sua promessa de entregar Jesus nas mãos deles.
(1974.3) 183:3.5 Enquanto os guardas refaziam-se da sua primeira vacilação ao verem Jesus, e com o som da voz inusitada dele, e enquanto os apóstolos e discípulos aproximavam- se, Judas foi até Jesus e, aplicando um beijo na sua fronte, disse: “Salve, Mestre e Instrutor”. E quando Judas abraçou assim o seu Mestre, Jesus disse: “Amigo, não te bastava fazer isso! Tinhas, ainda, com um beijo, que trair o Filho do Homem?”
(1974.4) 183:3.6 Os apóstolos e discípulos ficaram literalmente atônitos com o que viram. Por um momento ninguém se moveu. Então Jesus, desembaraçando-se do abraço traidor de Judas, caminhou até os guardas e soldados e de novo perguntou: “A quem procurais?” E de novo o capitão disse: “Jesus de Nazaré”. E de novo Jesus respondeu: “Eu te disse que sou eu. Se, pois, buscas a mim, deixa os outros irem em paz. Estou pronto para ir contigo”.
(1974.5) 183:3.7 Jesus estava pronto para ir de volta a Jerusalém com os guardas, e o capitão dos soldados também estava disposto a permitir que os três apóstolos e os seus companheiros tomassem seu caminho em paz. Mas, antes que fossem capazes de sair do lugar, e como Jesus permanecia lá, aguardando as ordens do capitão, um tal de Malco, o guarda-costas sírio do sumo sacerdote, andou até Jesus e preparou-se para atar suas mãos nas costas, embora o capitão romano não tivesse ordenado que Jesus devesse ser amarrado assim. Quando Pedro e os seus amigos viram o seu Mestre sendo submetido a essa indignidade, não mais foram capazes de controlar-se. Pedro sacou da sua espada e, com os outros, avançou para golpear Malco. No entanto, antes que os soldados pudessem vir em defesa do serviçal do sumo sacerdote, Jesus levantou a mão da proibição para Pedro e, usando de firmeza, disse: “Pedro, guarda a tua espada. Aqueles que usam a espada perecerão pela espada. Não compreendes que é da vontade do Pai que eu beba deste cálice? E não sabes também que eu poderia agora mesmo comandar mais de doze legiões de anjos e colaboradores deles, que me libertariam das mãos desses poucos homens?”
(1975.1) 183:3.8 Jesus assim efetivamente dava um fim a essa demonstração de resistência física da parte dos seus seguidores, o que foi suficiente para despertar o medo no capitão dos guardas, que agora, com a ajuda dos seus soldados, colocava pesadas mãos sobre Jesus e o atava rapidamente. E, enquanto eles amarravam as suas mãos com cordas grossas, Jesus disse-lhes: “Por que viestes contra mim com espadas e com bastões como se fossem capturar um ladrão? Eu estive diariamente convosco no templo, ensinando publicamente ao povo, e vós não fizestes nenhum esforço para levar-me”.
(1975.2) 183:3.9 Quando Jesus estava sendo atado, o capitão, temendo que os seguidores do Mestre pudessem tentar resgatá-lo, deu ordens para capturá-los; mas os soldados não foram suficientemente rápidos; e havendo ouvido as ordens do capitão para prendê-los, os seguidores de Jesus fugiram às pressas de volta para a ravina. Durante todo esse tempo João Marcos esteve escondido em um abrigo próximo. Quando os guardas partiram de volta para Jerusalém com Jesus, João Marcos tentou sair do abrigo para alcançar os apóstolos e os discípulos em fuga; mas, quando ele saiu, um dos últimos soldados, que esteve perseguindo os discípulos em fuga, passou por perto e, vendo esse jovem com o seu manto de linho, tentou pegá-lo e quase conseguiu isso. De fato, o soldado chegou perto o suficiente de João para agarrá-lo pelo manto, mas o jovem moço livrou-se do manto, escapando nu, enquanto o soldado segurava o manto vazio. João Marcos correu até Davi Zebedeu na trilha de cima. Quando o garoto contou a Davi o que havia acontecido, ambos apressaram-se de volta até as tendas dos apóstolos adormecidos e informaram aos oito sobre a traição ao Mestre e a sua prisão.
(1975.3) 183:3.10 Quase no mesmo momento em que os oito apóstolos estavam sendo despertados, aqueles que haviam fugido pela ravina vinham retornando, e eles todos se reuniram perto da prensa de olivas para debater sobre o que deveriam fazer. Nesse meio tempo, Simão Pedro e João Zebedeu, escondidos entre as oliveiras, haviam já partido atrás da multidão de soldados, guardas e servos, que agora levavam Jesus de volta a Jerusalém, como se conduzissem um criminoso disposto a tudo. João acompanhou a multidão bem de perto; Pedro, todavia, seguiu-a de longe. Após escapar da garra do soldado, João Marcos cobriu-se com um manto que encontrou na tenda de Simão Pedro e João Zebedeu. Ele suspeitava que os guardas estivessem levando Jesus para a casa de Anás, o sumo sacerdote benemérito; e, assim, contornou por entre o pomar de oliveiras e chegou lá antes da multidão, escondendo-se perto do portão de entrada do palácio do sumo sacerdote.

4. A Discussão na Prensa de Olivas

(1975.4) 183:4.1 Tiago Zebedeu viu-se separado de Simão Pedro e do seu irmão João e, assim, agora se unia aos outros apóstolos e aos seus companheiros de acampamento, na prensa de olivas, para deliberar sobre o que eles deveriam fazer em vista da prisão do Mestre.
(1975.5) 183:4.2 André havia sido liberado de toda a responsabilidade na direção do grupo dos seus companheiros apóstolos; e assim, nesta que era a maior de todas as crises nas suas vidas, ele ficara em silêncio. Depois de uma discussão informal curta, Simão zelote subiu na mureta de pedra da prensa de olivas e, fazendo um apelo apaixonado de lealdade ao Mestre e à causa do Reino, exortou os seus companheiros apóstolos e os outros discípulos a se apressarem em seguir a multidão e efetuar o resgate de Jesus. A maioria do grupo estaria disposta a seguir a sua liderança atuante, não fosse o conselho de Natanael que se levantou no momento em que Simão havia acabado de falar e chamou a atenção de todos para os ensinamentos tantas vezes repetidos de Jesus a respeito da não-resistência. Ele ainda lembrou-lhes de que Jesus, naquela mesma noite, havia instruído a todos no sentido de que preservassem as suas vidas para a época em que deveriam sair para o mundo, proclamando as boas-novas do evangelho do Reino celeste. E Natanael foi encorajado nessa posição por Tiago Zebedeu, que agora contava a todos como Pedro e outros sacaram das suas espadas para defender o Mestre contra a prisão; e como Jesus pediu a Simão Pedro e aos seus companheiros, com espadas, que embainhassem as suas lâminas. Mateus e Filipe também fizeram discursos, mas nada de definitivo saiu dessa discussão, até que Tomé, chamando a atenção deles para o fato de que Jesus havia aconselhado a Lázaro que não se expusesse à morte, destacou que nada podiam fazer para salvar o seu Mestre, porquanto ele se recusara a permitir os seus amigos de defendê-lo e persistia em abster-se de lançar mão dos seus poderes divinos para frustrar os seus inimigos humanos. Tomé persuadiu-os a espalharem-se, cada homem por si e separadamente, com o acordo de que Davi Zebedeu permanecesse no acampamento, mantendo um centro de coordenação e uma sede-central de mensageiros para o grupo. Por volta de duas e meia naquela manhã, o campo estava deserto; apenas Davi permanecia à mão com três ou quatro mensageiros, os outros haviam sido despachados para assegurar a informação sobre o local para onde Jesus fora levado, e quanto ao que pretendiam fazer com ele.
(1976.1) 183:4.3 Cinco dos apóstolos, Natanael, Mateus, Filipe e os gêmeos foram esconder-se em Betfage e em Betânia. Tomé, André, Tiago e Simão zelote estavam escondidos na cidade. Simão Pedro e João Zebedeu seguiram juntos para a casa de Anás.
(1976.2) 183:4.4 Pouco depois do amanhecer, Simão Pedro perambulou de volta ao acampamento do Getsêmani: era o retrato desanimado de um profundo desespero. Davi enviou-o, acompanhado por um mensageiro, para juntar-se ao seu irmão, André, que estava na casa de Nicodemos, em Jerusalém.
(1976.3) 183:4.5 Até o final da crucificação, João Zebedeu, como Jesus havia instruído que fizesse, permaneceu sempre por perto e à mão; e foi ele que supriu os mensageiros de Davi com as informações de hora em hora, que eles levavam a Davi no acampamento do jardim, e que então eram repassadas aos apóstolos escondidos e à família de Jesus.
(1976.4) 183:4.6 Por certo, o pastor foi golpeado e as ovelhas ficaram dispersas! Conquanto todos vagamente constatassem que Jesus os tinha advertido, de antemão, exatamente sobre essa situação, estavam todos demasiadamente chocados com o desaparecimento súbito do Mestre, para serem capazes de usar as suas mentes de um modo normal.
(1976.5) 183:4.7 Era pouco depois do nascer do dia e justamente depois de Pedro haver sido enviado para juntar-se ao seu irmão, quando Judá, o irmão de Jesus na carne, chegou ao campo, quase sem fôlego e, bem antes do resto da família de Jesus, para ficar sabendo apenas que o Mestre tinha sido já colocado na prisão; e ele apressou-se de volta, estrada de Jericó abaixo, para levar essa informação à sua mãe e aos seus irmãos e irmãs. Davi Zebedeu enviou um recado à família de Jesus, por meio de Judá, para que se reunissem na casa de Marta e Maria, em Betânia e para que lá esperassem pelas notícias que os seus mensageiros levariam regularmente a eles.
(1976.6) 183:4.8 Essa era a situação durante a segunda metade da noite de quinta-feira e das primeiras horas da manhã da sexta-feira, no que concerne aos apóstolos, aos principais discípulos e à família terrena de Jesus. E o serviço de mensageiros de Davi Zebedeu, continuou operando; da sua sede no acampamento do Getsêmani, ele mantinha todos esses grupos e indivíduos em contato uns com os outros.

5. A Caminho do Palácio do Sumo Sacerdote

(1977.1) 183:5.1 Antes de partirem do jardim, com Jesus, surgiu, entre o capitão judeu dos guardas do templo e o capitão romano da companhia de soldados, uma discussão sobre o local para onde deviam levar Jesus. O capitão dos guardas do templo deu ordens para que os soldados o levassem a Caifás, o sumo sacerdote em exercício. O capitão dos soldados romanos ordenou que Jesus fosse levado ao palácio de Anás, o antigo sumo sacerdote e sogro de Caifás. E assim foi feito porque os romanos estavam acostumados a lidar diretamente com Anás, e resolver com ele sobre todas as questões que tinham a ver com a aplicação, à força, das leis eclesiásticas judaicas. E as ordens do capitão romano foram obedecidas; eles levaram Jesus à casa de Anás para que este examinasse preliminarmente o caso.
(1977.2) 183:5.2 Judas marchava perto dos capitães, escutando tudo o que estava sendo dito, mas não tomou parte na discussão, pois nem o capitão judeu nem tampouco o oficial romano queriam falar com o traidor — de tal modo o desprezavam.
(1977.3) 183:5.3 Por volta desse momento João Zebedeu, lembrando-se das instruções do seu Mestre para permanecer sempre por perto e à mão, correu até perto de Jesus enquanto ele caminhava entre os dois capitães. O comandante dos guardas do templo, ao ver João vindo junto com eles, disse ao seu assistente: “Prende esse homem e amarra-o. Ele é um dos seguidores deste homem”. Mas quando o capitão romano ouviu isso e, olhou em volta e viu João, ele deu ordens para que o apóstolo viesse até ele, e que não fosse molestado por ninguém. Então o capitão romano disse ao capitão judeu: “Este homem não é nem um traidor, nem um covarde. Vi-o no jardim, e ele não sacou de uma espada para resistir a nós. Ele teve a coragem de vir aqui para estar com o seu Mestre, e nenhum homem colocará as mãos nele. A lei romana permite que qualquer prisioneiro possa ter ao menos um amigo para acompanhá-lo à barra do tribunal, e este homem não será impedido de permanecer ao lado do seu Mestre, o prisioneiro”. E quando Judas ouviu isso, ficou tão envergonhado e humilhado que retardou o passo e se pôs atrás do grupo, chegando ao palácio de Anás sozinho.
(1977.4) 183:5.4 E essa situação explica por que se permitiu a João Zebedeu permanecer perto de Jesus, durante todo o seu caminho de experiências penosas, nessa noite e no dia seguinte. Os judeus ficaram com medo de falar qualquer coisa a João ou de molestá-lo, de qualquer maneira, pois ele havia conseguido algo como o status de um conselheiro romano indicado para atuar como observador das transações da corte eclesiástica dos judeus. A posição privilegiada de João tornou-se ainda mais segura quando, ao entregar Jesus ao capitão dos guardas do templo, na porta do palácio de Anás, o romano, dirigindo-se ao seu assistente, disse: “Vai junto com este prisioneiro e cuida para que esses judeus não o matem sem o consentimento de Pilatos. Vigia para que eles não o assassinem, e cuida para que ao seu amigo, este galileu, seja permitido ficar junto e observar tudo o que acontece”. E assim João capacitou-se para estar perto de Jesus até o momento da sua morte na cruz, enquanto os outros dez apóstolos foram obrigados a permanecer escondidos. João estava agindo sob a proteção romana, e os judeus não ousaram molestá-lo até depois da morte do Mestre.

A crucificação de Jesus - O significado da Cruz


Muitos pensam que uma aflição ou sofrimento significa a "cruz" que devem levar. Mas vamos conhecer as Escrituras: • "1JO 3:8 - Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo."
A Crucificação de Jesus Cristo é o fim das obras do diabo, pois o Sangue derramado na cruz nos limpa de todo pecado.
Mas quem não cre na Crucificação possui as imundícias do pecado, e "quem comete o pecado é do diabo". Diabo significa "adversário". Ou seja, o diabo trabalha para o nosso mal, nos fazendo sofrer. E, por não conhecerem as Escrituras, o sofrimento causado por um demônio é visto como "a cruz que deve ser carregada". Assim carregam o adversário pensando ser a cruz.
Embora outros homens tenham sido crucificados por seus crimes, e alguns talvez por crimes que não cometeram, Jesus foi crucificado por todos os pecados praticados no mundo. Foi crucificado no seu lugar e no meu. As escrituras registram o fato:
• "LC 23:33 - E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.
LC 23:34 - E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes."
"Perdoa-lhes", disse Jesus. Embora eles o estivessem crucificando, o Senhor orou ao Pai pedindo que lhes perdoasse. E ao dizer: "Perdoa-lhes", orava também por mim e por você. E foi para isto que ele morreu no Calvário: propiciar o perdão a uma humanidade perdida e agonizante.
Não é através de práticas religiosas, como penitência, orações a santos, karma, etc., que obtemos o perdão de nossos pecados. Só obtemos o perdão por intermédio do sacrifício vicário de Cristo na cruz do Calvário:
• "1PE 2:24 - Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados."
"pelas suas feridas fostes sarados." O Senhor Jesus foi ferido em nosso lugar, para nos sarar! 

Jesus tinha plena consciência de que Sua missão se cumpriria através de Sua morte:
• "MT 16:21 - Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia."
• "MT 20:28 - Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.
• "JO 3:14 - E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;"
Jesus deixou-se prender e crucificar porque o quis; entregou-se voluntariamente, em cumprimento da vontade do Pai para a salvação dos homens:
• "JO 10:17 - Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.
JO 10:18 - Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai."
 Conhecia a hora:
• "JO 12:23 - E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado."
• "JO 13:1 - ORA, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim."
• "JO 17:1 - JESUS falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti;"


A crucificação fazia a vitima incorrer na maldição da lei:
• "DT 21:22 - Quando também em alguém houver pecado, digno do juízo de morte, e for morto, e o pendurares num madeiro,
DT 21:23 - O seu cadáver não permanecerá no madeiro, mas certamente o enterrarás no mesmo dia; porquanto o pendurado é maldito de Deus; assim não contaminarás a tua terra, que o SENHOR teu Deus te dá em herança."
• "GL 3:18 - Porque, se a herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão."
A morte de Jesus foi, do ponto de vista legal e moral, o maior dos crimes, o mais hediondo desvio à justiça. O próprio governador que deu a ordem, confessava que nenhum crime achava em Jesus (Lc 23:4,14). A culpa dos judeus foi ainda maior (Jo 19:11); crucificaram "o Senhor da glória." (1 Co 2:8), seu próprio e verdadeiro Rei (Jo 19:15). 
 A teologia cristã é a Cruz:
• "1CO 1:18 - Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus."


Todo o Novo Testamento testifica da verdade estarrecedora de Cristo crucificado, porém triunfante. Seu tema constante é a paixão vitoriosa do Filho de Deus. Do principio ao fim está dizendo:
• "JO 1:29 - No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo."
Os cristãos gloriavam-se no escândalo da Cruz:
• "1CO 15:3 - Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,
1CO 15:4 - E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras."
Que significa tudo isso? Que vem a ser a Redenção? O tema é sem dúvida inesgotável; vamos, contudo, salientar alguns de seus aspectos fundamentais, de acordo com a Bíblia:
 No momento em que Jesus entregou Seu espírito, deu-nos o acesso direto a Deus, rasgando-se o véu:
• "MT 27:51; MC 15:38; LC 23:45 - E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras;"


O véu ali se achava, há longos anos, vedando ao homem pecador os últimos mistérios da religião e impedindo. simbolicamente, a saída de Deus ao encontro do pecador. Parecia que ali houvesse de permanecer para sempre e que, portanto, o homem jamais pudesse conhecer de perto a Deus. Agora, é rasgado o véu; Deus se dá a conhecer ao homem. A Cruz traz o homem para Deus, levando Deus ao homem:
• "HB 10:19 - Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus.
A pregação de Pentecoste afirmou que Jesus foi entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus:
• "AT 2:23 - A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;"
• "2CO 5:19 - Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação."
Deus estava agindo. Cristo encarou resolutamente sua ida a Jerusalém:
• "LC 9:51 - E aconteceu que, completando-se os dias para a sua assunção, manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém."
para realizar Sua missão:
• "LC 12:50 - Importa, porém, que seja batizado com um certo batismo; e como me angustio até que venha a cumprir-se!"
A graça é o amor em ação; é o amor tomando a iniciativa. Quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Esse conceito vem desde o Antigo Testamento, onde a atividade redentora de Deus se exprime através da história de Israel. Ele não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante nossas iniqüidades:
• "SL 103:10 - Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniqüidades."
• "IS 45:21 - Anunciai, e chegai-vos, e tomai conselho todos juntos; quem fez ouvir isto desde a antiguidade? Quem desde então o anunciou? Porventura não sou eu, o SENHOR? Pois não há outro Deus senão eu; Deus justo e Salvador não há além de mim." 
 Desde o inicio, Jesus fez questão de identificar-se ao máximo com os homens. Por que havia Ele de submeter-se ao batismo, símbolo da remissão de pecados? Que iria fazer o Santo de Deus no confessionário?! Não podia Ele ficar de lado, dizendo: "Isso é para os pecadores; para mim não tem sentido?" Se o fizesse, não seria nosso Salvador. O que Jesus fez naquele dia, no Jordão, foi identificar-se com os quebrantados e oprimidos, com os infelizes e deserdados, fazendo Sua a dor que eles sofriam, a vergonha que sobre eles pesava, sendo contado com os transgressores:
• "IS 53:12 - Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores."


Nas Suas amizades, colocou-se ao lado dos Zaqueus, das Marias Madalenas - não de maneira forçada ou oficial, nem com a superioridade tácita dos moralmente religiosos, porém, simples e diretamente, porque os amava e não se envergonhava de lhes chamar de irmãos:
• "HB 2:11 - Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos..."
Quando morreu, foi colocado entre dois criminosos. Durante toda a Sua vida Ele pertencera aos pecadora, e na morte não se apartou deles. É o lugar de Sua escolha. Por vontade de quem, por ato de quem, está Jesus ali? De Pilatos, dos sacerdotes, do povo, dos poderes das trevas: essa é uma partícula da verdade. "Ninguém me tira a vida; Eu espontaneamente a dou." (JO 10:18) Ele podia ter-se esquivado. Foi tentado repetidamente a fazê-lo: no deserto (MT 4); por Pedro (MT 16:22-23); no Getsêmani (MT 26-42), até Seu suor era como se fossem gotas de sangue (LC 22:44). Morreu voluntariamente:
• "MT 26:53 - Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?"
Podia - mas não quis esquivar da Cruz. Fez-se contar com os transgressores, para levar os nossos pecados. Foi na paixão voluntária do amor, que Ele se identificou comigo e se deu por mim. 
 O que significa o brado de desamparo:
• "MT 27:46 - E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?"


É mistério - o mistério de Sua Pessoa; porém, uma cousa é certa: é o amor de Deus, é a graça de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele, que não conheceu pecado, é "feito pecado" por nós:
• "2CO 5:21 - Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus."
Levou sobre si a carga inominável do pecado humano, e no Seu brado de desamparo vemo-lo cambalear sob o peso. Em toda a história, somente este Ultimo Adão chegou a ver o pecado como Deus o vê. Como, pois, não hei de confessar, com humildade, com adoração o na companhia da grande multidão dos remidos no céu e na terra:
• "1PE 3:18 - Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito;"
 
Jesus, o Cordeiro de Deus, se identificou conosco na Encarnação. É crucificado por nós. E Ele mesmo, nosso Sumo Sacerdote, entra com Seu sangue, através do véu de Sua carne ferida, à presença imediata do Pai. Assim fazendo, leva consigo nossa vida, pois com Ele morremos:
• "2CO 5:14 - Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram."
Porque estamos identificados com Ele, Cristo leva no coração de Sua humanidade divina, toda a ignominia e toda a ferida do nosso pecado. Seu ato representativo é um ato expiador. 
 
 

O Que a Bíblia Ensina Sobre Falar em Línguas

Quase todos os grupos religiosos tentam "provar" que são a religião verdadeira. Freqüentemente, eles apelam para algum tipo de sinal, milagre ou experiência sobrenatural. Os católicos, por exemplo, citam o aparecimento de Maria; os mórmons alegam as visitas de um anjo a Joseph Smith; os espíritas têm uma variedade de sinais e manifestações do sobrenatural; a Igreja Universal do Reino de Deus, todas as noites, realiza curas, expulsões de demônios e milagres; as igrejas pentecostais tradicionais têm línguas, curas, e o batismo do Espírito Santo. E a lista continua. Certamente, não é Deus aquele que realiza todas estas demonstrações, em todos estes diferentes grupos. Como podemos saber com certeza se um sinal ou uma língua ou um fenômeno sobrenatural é de Deus ou não?

A existência de falsos sinais, prodígios de mentira e milagres falsificados não surpreenderá os estudantes sérios da Bíblia. Numerosos textos bíblicos advertem sobre estas coisas (Mateus 24:4; 2 Coríntios 11:13-15; 2 Timóteo 3:13; Apocalipse 13:13-14; 16:13-14). Se acreditarmos na Bíblia, podemos esperar uma abundância de falsos milagres.

Então, como saberemos quais sinais são verdadeiros e quais não são? Primeiramente, comparando o ensinamento do operador do sinal com as Escrituras para ver se sua mensagem é verdadeira. João nos adverte para testar os espíritos: "Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora" (1 João 4:1). Ele revela o teste a usar: "Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro" (1 João 4:6). O teste é a revelação escrita pelos apóstolos. Os cristãos de Beréia são um bom exemplo: "Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram, de fato, assim" (Atos 17:11). Paulo operou sinais em Beréia, mas os cristãos dali determinaram se Paulo era de Deus ou não, comparando sua pregação com as Escrituras. (Deuteronômio 13:1-5; Jeremias 23:25-32; 1 Coríntios 12:1-3; 1 Tessalonicenses 5:21 podem ser estudados para mais ajuda neste ponto).

Infelizmente, muitas pessoas vêem acontecimentos espantosos e, automaticamente, concluem que eles vêm de Deus. Precisamos perceber que coincidência, pensamento positivo, ilusão fraudulenta e o Diabo podem falsificar milagres bíblicos. Contudo, as falsificações nunca poderão igualar-se aos milagres reais. Deus mostrou que seu Filho era inigualável por meio de sinais que hoje ninguém sequer pretende realizar: transformar água em vinho, multiplicar pães e peixes, caminhar sobre as águas, curar instantaneamente um cego, surdo e leproso, e ainda ressuscitar um morto.

Temos que voltar ao modelo da Bíblia, que é testar o sinal pela Palavra de Deus, e não modificar a Palavra de Deus para ajustá-la ao sinal. A Bíblia é o padrão segundo o qual toda a pretensão de ter um sinal ou um prodígio de Deus deve ser testada. Por favor, estudem as Escrituras cuidadosamente, com o desejo de permitir que elas sejam o juiz final da validade de qualquer sinal ou prodígio.

Em 1 Coríntios 14:26-40 encontram-se vários regulamentos para o uso das línguas da Bíblia.  Existem regras específicas e princípios gerais.  Quase todas estas regras a serem obedecidas no uso das línguas da Bíblia são habitualmente violadas por aqueles que pretendem falar línguas da Bíblia.  Em vez de limitar o número dos que falam em línguas a 2 ou 3 pessoas por culto, as igrejas de hoje, às vezes, têm dúzias falando no mesmo culto.  Em vez de falar um de cada vez, atualmente falam muitos simultânea-mente.  Em vez de falar em línguas somente quando um tradutor está presente, muitas igrejas onde se falam em línguas falam quer haja um intérprete, quer não.  A proibição de Deus das mulheres falarem nos cultos da igreja é tão flagrantemente des-respeitada que, em alguns cultos, a maioria dos que falam em línguas é mulheres.  As regras gerais, também, são violadas freqüente-mente.  Os propósitos das línguas são mais de mostrar excitação e emoção do que edificar.  E, em muitos cultos em que se falam línguas, há puquíssi-ma ordem.  O forte contraste entre as regras de Deus para as línguas da Bíblia e as regras que são segui-das pelas línguas modernas deveriam fazer-nos perguntar: Por quê?  Por que, se temos os mesmos dons, não seguimos as mesmas regras?  Se as igrejas que mais freqüentemente dizem que falam em línguas flagrantemente desrespeitam a Bíblia no uso destas línguas, poderia ser que essas próprias línguas não fossem de Deus?
 De que tipo eram as línguas da Bíblia?  Com alguma exceção ocasional, as igrejas Pentecostais de nossos dias nem sequer pretendem falar em linguagens conhecidas de hoje, mas em sons incompreensíveis (combinações de sílabas sem significado próprio, ao menos para principiantes). Mas as línguas da Bíblia sempre significavam falar em idiomas verdadeiros, entendidos por pessoas que sabiam falar aquelas linguagens (Apêndice 1).  Em Atos 2, pessoas de muitas nações tinham se reunido em Jerusalém para a celebração do dia de Pentecoste.  Ali, pela primeira vez, homens batizados pelo Espírito Santo começaram "a falar em outras línguas".  O texto mostra clara-mente que a audiência era composta de pessoas que falavam diferentes línguas:  "E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Somos partos, medos e elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia,  da Frígia e da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios" (Atos 2:8-11).  E as Escrituras dizem: "Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexi-dade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua" (Atos 2:6); "e como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?" (Atos 2:8); "como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?" (Atos 2:11).  Atos 2 foi o protótipo do falar em línguas no Novo Testamento.  E, em Atos 2, falar em línguas significava falar em linguagens que poderiam ser enten-didas.  Em 1 Coríntios 14, a Bíblia mostra também que essas línguas eram idiomas verdadeiros.  Notem os significados das palavras usadas:  "língua" (nos versículos 2,4,5,6,9,13,18,19 . . .) significa "idioma"; "interpretar" (versículo 13) significa traduzir de uma língua para outra; "estrangeiro" (versículo 11) significa alguém de um país diferente, que fala uma linguagem diferente.  Ele ilustra esta passagem, citando uma profecia de Isaías que se referia à linguagem assíria:  "Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor" (versículo 21 ­ Isaías 28:11).  Finalmente, ele categoricamente, disse:  "Há, sem dúvida, muitos tipos de vozes no mundo, nenhum deles, contudo, sem sentido" (1 Coríntios 14:10).  Pessoas que falavam línguas da Bíblia eram capazes de falar em linguagens reais, sem estudo ou treinamento.  Muito interessante, mesmo as igrejas que hoje são muito ativas no "falar em línguas" nunca enviam um missionário sem dar-lhe treinamento, de modo que ele possa falar a linguagem do povo ao qual ele está sendo enviado.  As línguas da Bíblia eram linguagens reais.  Portanto, as "línguas" das igrejas de hoje não são línguas da Bíblia.
 As línguas não poderiam ser recebidas hoje em dia como foram as línguas da Bíblia.  As línguas da Bíblia foram recebidas ou por pessoas sendo batizadas pelo Espírito Santo (Atos 2:1-4) ou pela imposição das mãos dos apóstolos (Atos 8:14-18; 19:1-7).  É claro que ninguém poderia receber línguas hoje pela mão dos apóstolos, uma vez que eles morreram e estão na fundação da igreja (Efésios 2:20; Apocalipse 21:14).  Muitas pessoas, que hoje pensam possuir línguas da Bíblia, acreditam tê-las recebido pelo batismo do Espírito Santo.  Mas na Bíblia, o batismo pelo Espírito Santo ocorreu somente duas vezes:  aos apóstolos, em Atos 2, para capacitá-los a revelar o Novo Testamento e a Cornélio e sua família, em Atos 10, para mostrar a aprovação, por Deus, da conversão dos gentios.  Depois destes dois casos, a Bíblia diz que agora só existe um batismo (Efésios 4:5), o batismo na água para remissão dos pecados (Mateus 28:18-20; Atos 2:38; Efésios 5:26).  Portanto, se alguma pessoa falasse em línguas da Bíblia hoje em dia não poderia havê-las recebido da maneira pela qual eram recebidas na Bíblia.
 
O propósito das línguas da Bíblia era diferente do propósito das línguas de hoje.  Nos primeiros dias da Cristandade, o Novo Testamento estava em processo de revelação.  Ninguém poderia recorrer ao Novo Testamento escrito, para testar a verdade do ensinamento de um homem, uma vez que ainda não estava escrito.  Por isso foram dados aos apóstolos e aos profetas sinais especiais, tais como as línguas, para mostrar que sua mensagem vinha de Deus.  Sinais dados por Deus deveriam confirmar a palavra dos apóstolos e dos profetas revelando o Novo Testamento.  Nota:  "Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem:  em meu nome expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma cousa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.  De fato, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à destra de Deus.  E eles, tendo partido, pregaram em toda a parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam" (Marcos 16:17-20).  "De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; mas a profecia não é para os incrédulos e sim para os que crêem" (1 Coríntios 14:22). "Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?  A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e por distribuições do Espírito Santo segundo a sua vontade" (Hebreus 2:3-4).  Isto é, exatamente, o que aconteceu quando os apóstolos falaram em línguas, no dia de Pentecoste.  Sua habilidade para falar em outras línguas, apesar de serem galileus, provou que a nova mensagem que eles estavam revelando era de Deus.  Cada vez que uma nova mensagem é revelada, Deus, tipicamente, dá prova da autenticidade de seus mensageiros.  Moisés, por exemplo, operou muitos sinais para mostrar que os mandamentos que Deus estava revelando por meio dele vinham, de fato, de Deus.  Jesus operou muitos sinais e foi, finalmente, ressuscitado, para provar sua afirmação de que era o Filho de Deus.  Igualmente, os apóstolos e profetas do primeiro século operaram sinais e prodígios, incluindo as línguas, para demonstrar que Deus estava, na verdade, revelando sua nova mensagem através deles.  Mas Deus nunca continuou a confirmar sua revelação por novos sinais a cada geração sucessiva.  Sua Palavra, uma vez confirmada, é considerada provada para todas as gerações.  Assim, nenhuma geração posterir de israelitas podia testemunhar a separação das águas do Mar Vermelho ou os milagres do Monte Sinai (Êxodo 13-14, 20).  Ninguém, desde o primeiro século, viu o corpo ressuscitado de Jesus.  Da mesma maneira, a Palavra revelada pelos apóstolos já foi confirmada e nenhum sinal novo está sendo dado para "reconfirmá-la".

A Bíblia também mostra que as línguas interpretadas (traduzidas) edificavam a igreja (1 Coríntios 14) por meio da revelação das mensagens de Deus.  Mensagens que foram mais tarde escritas para nós, no Novo Testamento.  Desde que a Palavra já foi revelada e confirmada, qual propósito têm as "línguas" modernas? De acordo com o ensinamento em muitas igrejas Pentecostais, as línguas são para louvar a Deus e para mostrar a evidência da salvação.  Os propósitos das línguas da Bíblia eram diferentes do propósito das "línguas" modernas.

 Hoje, as "línguas" são usadas por muitas e diferentes igrejas que pregam e ensinam doutrinas contraditórias.  Igrejas desde a Igreja Universal do Reino de Deus até a Assembléia de Deus, e desde a Deus é Amor até as igrejas que negam a Trindade, todas têm as mesmas línguas.  Muitos católicos falam línguas nas igrejas católicas carismáticas.  Estaria o Espírito Santo dando seu sinal de aprovação a igrejas que pregam coisas que contradizem completamente umas às outras?  Muitas das doutrinas e práticas destas igrejas não só contradizem umas às outras, mas contra-dizem também a Bíblia
 Finalmente, porém talvez o mais importante, a Bíblia especificamente ensina que as línguas deveriam continuar somente durante aquela época.  Note cuidadosamente 1 Coríntios 13:8-13.  No versículo 8, Paulo disse que as línguas cessariam: "havendo línguas, cessarão".  No versículo 10 ele mostra quando:  Quando vier o que é perfeito.  Isto está intensamente claro.  As línguas eram para durar somente até que o perfeito viesse.  A dificuldade está em determinar a que o "perfeito" se refere.  Em geral, muitas coisas poderiam ser perfeitas (completas).  Poderíamos ter uma casa perfeita, um carro perfeito ou, talvez, uma completa e perfeita pizza.  Perfeito é uma qualidade que pode ser (e assim está na Bíblia) usada para qualificar muitas coisas.  Desta maneira, há um contraste entre o que é "em parte" e o que é "o perfeito".  Em qualquer área, o perfeito é sempre a soma das partes.  Assim, se sabemos quais eram as partes, podemos juntá-las e encontrar o perfeito.  As partes eram o conhecimento e a revelação (profecia) da vontade de Deus.  Naquele tempo, a revelação de Deus estava se fazendo conhecida justamente uma parte de cada vez. A própria primeira carta aos Coríntios era uma dessas partes. Se as partes, então, se referem à revelação da Palavra de Deus, parte por parte, o perfeito tem que ser a revelação completa de Deus, o Novo Testmento. Portanto, quando o Novo Testamento se completou, o dom das línguas cessou, de acordo com o plano de Deus.

O que é o dom de falar em línguas? É o dom de falar em línguas para os dias de hoje?

Resposta: A primeira ocorrência de falar em línguas ocorreu no Dia do Pentecostes em Atos 2:1-4. Os apóstolos saíram e compartilharam o Evangelho com as multidões, falando a elas em suas próprias línguas, “Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus” (Atos 2:11). A palavra grega traduzida “línguas” significa literalmente “idiomas”. Por esta razão, o dom de falar em línguas é falar em uma língua que não se sabe falar a fim de ministrar a uma outra pessoa que fala esta língua. Em I Coríntios capítulos 12-14, onde Paulo discute os dons milagrosos, ele faz o seguinte comentário: “E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina?” (I Coríntios 14:6). De acordo com o Apóstolo Paulo, e de acordo com as línguas descritas em Atos, falar em línguas é de grande valor para o que ouve a mensagem de Deus em seu próprio idioma, mas de nada serve para os demais, a não ser que haja uma interpretação, ou tradução.

A pessoa com o dom de interpretar línguas (I Coríntios 12:30) poderia entender o que uma que fala as línguas estivesse dizendo mesmo que ela não soubesse a língua sendo falada. O intérprete de línguas então comunicaria a mensagem do que fala línguas a todos os demais, e todos poderiam entender. “Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar” (I Coríntios 14:13). A conclusão de Paulo a respeito de línguas não interpretadas é poderosa: “Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida” (I Coríntios 14:19).

É o dom de línguas para os dias de hoje? I Coríntios 13:8 menciona que cessa o dom de línguas, apesar de conectar este cessar com a chegada do “perfeito” em I Coríntios 13:10. Alguns apontam para uma diferença na língua na profecia e conhecimento “cessando” com línguas “sendo cessadas” como prova para línguas cessando antes da chegada do “perfeito”. Mesmo sendo possível, isto não é explicitamente claro a partir do texto. Alguns ainda apontam passagens como Isaías 28:11 e Joel 2:28-29 como prova de que o falar em línguas era um sinal do julgamento vindouro de Deus. I Coríntios 14:22 descreve línguas como um “sinal para os infiéis”. De acordo com esta discussão, o dom de línguas foi uma advertência para os Judeus de que Deus julgaria Israel por rejeitar Jesus Cristo como Messias. Por isto, quando Deus de fato julgou Israel (com a destruição de Jerusalém pelos Romanos em 70 D.C.), o dom de línguas não mais serviria para os propósitos planejados. Enquanto esta visão é possível, o propósito principal das línguas, sendo cumprido, não necessariamente exige que elas então cessem. As Escrituras não afirmam conclusivamente que o dom de falar em línguas já cessou.

Ao mesmo tempo, se o dom de falar em línguas fosse ativo na igreja hoje, seria executado de acordo com as Escrituras. Seria uma linguagem real e inteligível (I Coríntios 14:10). Seria para o propósito de comunicar a Palavra de Deus com uma pessoa de outra língua (Atos 2:6-12). Estaria de acordo com a ordem dada por Deus através do Apóstolo Paulo: “E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus” (I Coríntios 14:27-28). Estaria também em submissão a I Coríntios 14:33: “Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.”

Deus certamente pode dar à pessoa o dom de falar em línguas para capacitá-la a se comunicar com uma pessoa que fala uma outra língua. O Espírito Santo é soberano na distribuição de dons espirituais (I Coríntios 12:11). Imagine só quanto mais produtivos poderiam ser os missionários se não precisassem freqüentar uma escola de idiomas, e seriam instantaneamente capazes de falar a outros povos em seus próprios idiomas. Entretanto, parece que Deus não está agindo assim. As línguas não estão ocorrendo hoje em dia da maneira como ocorriam no Novo Testamento, apesar de que seria imensamente útil. A vasta maioria dos crentes que afirmam praticar o dom de falar em línguas não o faz de acordo com as passagens das Escrituras mencionadas acima. Este fato leva à conclusão de que o dom de línguas já cessou, ou é, pelo menos, raro nos planos de Deus para a igreja de hoje.

Aqueles que acreditam no dom de línguas como uma “língua para orações” para a auto-edificação baseiam seu ponto de vista em I Coríntios 14:4 e/ou 14:28: “O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja.” Por todo o capítulo 14, Paulo enfatiza a importância de haver uma interpretação, uma tradução das línguas. Veja I Coríntios 14:5-12. O que Paulo está dizendo no verso 4 é: “Se você falar em línguas sem interpretação, a única coisa que você está fazendo é edificar a si mesmo, parecendo ser mais espiritual do que os outros. Se você falar em línguas e elas forem interpretadas, você estará edificando a todos.” O Novo Testamento, em nenhum lugar, dá o propósito de “orar em línguas”, ou descreve especificamente uma pessoa “orando em línguas”. Indo além, se “orar em línguas” for para auto-edificação, não é isto por acaso injusto com os outros que não têm do dom de línguas, e que por isto não poderão edificar a si mesmos? I Coríntios 12:29-30 indica claramente que nem todos têm o dom de falar em línguas.

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