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Demonologia é o estudo sistemático dos demônios. Quando envolve os estudo de textos bíblicos, é considerada um ramo da Teologia. Por geralmente se referir aos demônios descritos no Cristianismo, pode ser considerada um estudo de parte da hierarquia bíblica. Também não está diretamente relacionada ao culto aos demônios.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A Bíblia satânica

A Bíblia satânica, escrita por Anton Szandor LaVey, fundador da Igreja de satanás, é um livro de 272 páginas a favor do diabo. Publicada em 1969, tornou-se instantaneamente êxito de livraria, atingindo a marca de meio milhão de exemplares vendidos. Em alguns campus de faculdades, ela era mais vendida do que a Bíblia Cristã (para cada Bíblia Cristã, 10 exemplares da Bíblia satânica [está informação se encontra no vídeo Adoradores do Diabo]).
O livro inicia com uma explicação de LaVey do motivo por que ele veio a aceitar a filosofia hedonista. Aos 16 anos, LaVey tornou-se músico de uma boate, e nessa época diz ele que observava, nos sábados à noite, "homens olhando com luxúria as moças que dançavam na boate, e no dia seguinte, enquanto eu tocava órgão em uma igreja situada no mesmo quarteirão onde ficava a boate, via esses mesmos homens sentados nos bancos com suas esposas e filhos, pedindo a Deus que lhes perdoasse e os purificasse dos desejos carnais. Mas no sábado seguinte , lá estavam de volta à boate ou a outro lugar de vício. Concluí então que a igreja cristã prospera na hipocrisia e que a natureza do homem termina por domina-lo"( Anton Szandor LaVey, A Bíblia satânica, Avon Books, Nova York, N. Y., 1969).
Logo no começo do livro, as Nove Declarações satânicas esclarecem as doutrinas de LaVey. Cito-as a seguir para que o leitor possa ver com clareza quão hedionda é a base do satanismo moderno. Ter consciência disto ajudará a identificar tais idéias quando forem reveladas por alguém que esteja envolvido no satanismo. (...)
As 9 Declarações satânicas são:
1. satanás representa a licenciosidade , em vez da abstinência e auto-controle.
2. satanás representa a existência vital, em vez de sonhos espirituais ilusórios.
3. satanás representa a sabedoria incontaminada, em vez de auto-engano hipócrita.
4. satanás representa bondade aos que a merecem, em vez de amor desperdiçado com ingratos.
5. satanás representa a vingança, e não o oferecimento da outra face.
6. satanás representa responsabilidade para como os responsáveis, em vez de preocupação pelos vampiros psíquicos.
7. satanás vê o homem exatamente como um simples animal, às vezes melhor, todavia mais freqüentemente pior do que os que andam sobre quatro patas, e devido ao seu "desenvolvimento espiritual e intelectual divino", tem-se tornado o mais feroz de todos os animais.
8. satanás representa todos os assim chamados pecados, visto que todos eles conduzem à satisfação física, mental e emocional.
9. satanás tem sido o melhor amigo que a igreja já teve, visto que ele a tem mantido ativa durante todos esse anos.
(...) Mas a Bíblia satânica vai muito mais longe. Uma vez que a blasfêmia é parte integrante da adoração de satanás, LaVey inclui invectivas ultrajantes arremetidas contra Deus. "Enfio meu dedo indicador no sangue aguado do teu impotente e louco redentor, e escrevo sobre sua testa rasgada de espinhos: O VERDADEIRO príncipe do mal, o rei de todos os escravos".
Para o caos de isso não ser bastante ofensivo, ele acrescenta: "Olho firme no olho vidrado de seu medroso Jeová e puxo-o pela barba; ergo um largo machado e parto em duas sua caveira comida de vermes". (Anton Szandor LaVey, A Bíblia satânica, Avon Books, Nova York, N. Y., 1969, p. 30)
A mentira, a libertinagem e os pecados são perdoados ao longo da Bíblia satânica, e não apenas nas Nove Declarações. A ideologia de LaVey baseia-se na satisfação imediata."A vida é a grande libertinagem – a morte é a grande abstinência", proclama LaVey. "Não existe nenhum céu brilhante glória, e nenhum inferno onde os pecadores assam... nenhum redentor vive!".( Anton Szandor LaVey, A Bíblia Satânica, Avon Books, Nova York, N. Y., 1969, p. 33)
O sacrifício humano é desculpado com argumentos cuidadosamente elaborados. (...) (...) Para inflamar ainda mais seus leitores, LaVey acrescenta: "Os cães loucos são destruídos , e eles necessitam de ajuda muito mais do que os seres humanos que espumam pela boca durante o seu comportamento irracional... portanto , você tem todo o direito de (simbolicamente) destruí-los, e se a sua maldição provoca o aniquilamento real deles, regozije-se por ter sido usado com instrumento para livrar o mundo de uma peste".(Anton Szandor LaVey, A Bíblia Satânica, Avon Books, Nova York, N.Y., 1969, p. 33)
(...) A filosofia de LaVey conduz normalmente ao crime e à violência. Os satanistas estão determinados a desobedecer a todos os dez mandamentos da Bíblia e cometer os pecados que Deus abomina, tais como: orgulho, mentira, homicídio, ter um coração perverso, ser rápido em praticar o mal, dar falso testemunho e promover discórdia, etc. (ver Provérbios 6:16-19).
(...)Para LaVey, o verdadeiro inimigo do homem é o senitmento de culpa instilado pelo cristianismo, e o caminho para a liberdade do indivíduo é a prática constante do pecado. LaVey admite que não considera coisa alguma como sobrenatural, e que se inclina para a escola de magia de Aleister Crowley, que se baseia no enfoque científico do paranormal.
(...) Além dos livros de LaVey, os membros são incentivados a ler os escritos de Ayn Rand, Friedrich Nietzsche e Maquiavel, em virtude da ênfase que esses autores dão à conquista da auto-suficiência através do potencial humano. Executam-se três tipos de rituais: rituais sexuais para satisfazer o erotismo, rituais compassivos para ajudar alguém e rituais destrutivos para obter vingança. (Larry Kahner, Seitas que matam, Nova York, N. Y., 1988)

Talismã

A palavra vem do latim, amuletum. Trata-se de um objeto que pode ser vivo ou inanimado ao qual se lhe atribui o poder mágico de proteger seu portador de qualquer tipo de desgraças, guardando-o de aflições e malefícios. Em tupi, patuá quer dizer caixa, caixão, designando-se com essa palavra todas as modalidades de magia que dão sorte.Há muita confusão entre amuletos e talismãs. Não deveria haver, pois são bem diferentes no trabalho para o qual são designados. O talismã seria um objeto mágico carregado com a força real que deve representar. É um objeto ativo, cheio de uma força igualmente ativa, destinado a criar um certo conjunto de leis mágicas ao redor da pessoa para a qual foi feito. Se feito de maneira apropriada, continuará a funcionar por um período que durará tanto quanto tiver sido designado, sem que nada mais precise ser feito, auto perpetuante, na verdade.
Um amuleto é como um capacete de proteção, é protetor em sua maior parte, afastando as más influencias daquele que o usa. Algo usado continuamente, como um São Cristóvão usado como escudo contra acidentes durante uma viagem, uma cruz / crucifixo contra o mal de qualquer tipo, uma cruz ansata, um pantáculo, ou qualquer tipo de símbolo usado em volta do pescoço é basicamente um amuleto contra uma ou outra coisa, mesmo que a pessoa que o use negue, a intenção permanece no subconsciente.
Freqüentemente é dado de presente e por isso carrega os desejos e preces daquela pessoa pela sua segurança e contínuo bem-estar. Quase tudo pode ser usado como amuleto: uma pedra preciosa, uma figura religiosa, uma raiz, uma flor ou um osso. Podem ser levados na mão ou no bolso, usados como jóias, podem ser enterrados ou secretamente colocados em algum lugar dentro de casa, de um celeiro e até de um automóvel. Podem ser comprados, achados ou feitos.
Podem também ser pintados ou receber inscrições de palavras mágicas ou de poder e ou símbolos para atrair determinadas influências. Veja alguns exemplos de amuletos e talismãs :

Bíblia : é o símbolo máximo da proteção Divina e do encontro do homem com Deus, mantenha-a sempre aberta em seu lar e leia-a diariamente. Atrai a proteção para toda a família.
Trevo de quatro folhas : por ser muito difícil encontrar uma folha desta planta que possua quatro folhas, devido a planta apresentar comumente apenas três folhas, a pessoa que encontra um trevo com quatro folhas, utiliza-o como amuleto de sorte, costumam colocá-lo dentro de bolsas ou carteiras junto a cédulas de dinheiro, para atrair mais. O Trevo de 4 folhas é talismã da Sorte nos Jogos, ideal para quem gosta de arriscar em loterias, atrai dinheiro e lucros, pode ser natural ou de metal ( Ouro ou Prata ).
Elefante branco : Além de proteger a casa, impede que energias negativas destruam a sua família. Você deve usar esse amuleto com o traseiro do elefante virado para a porta de entrada da casa, evitando que fluidos negativos e olhares invejosos possam entrar por ela. É símbolo da força não agressiva e sabedoria. Longevidade também é um de seus atributos. Dizem que um elefante branco anunciou o nascimento do Buda. Esse protetor da família também é famoso por afastar demônios.
Chave : é um símbolo poderoso porque representa a abertura de novos caminhos. Dê preferência à uma chave antiga que não seja utilizada diariamente, mantenha-a no bolso.
Patuá : O Patuá é um amuleto muito utilizado por pessoas ligadas ao Candomblé, o amuleto é feito de um pequeno pedaço de tecido na cor correspondente ao Orixá ,ao qual é bordado o nome do Orixá e colocado um determinado preparo de ervas e outras substâncias atribuídas a cada Orixá. A pessoa utiliza o Patuá especifico do seu Orixá no bolso da sua vestimenta,dentro de carteiras de cédulas, bolsas para obter proteção e sorte do seu Orixá.
Buda : Conhecido também como "o talismã da felicidade", atrai sorte e dinheiro, se estiver ao lado de moedas, para quem possui essa estátua em casa. Deve ser colocado virado para a parede, dentro de um pires e, de preferência, com muitas moedas ao seu redor para atrair riqueza. Para chamar a sorte, deve-se coçar a barriga do Buda, em sinal de carinho.
Aliança : símbolo da união, sem começo nem fim. É muito usada para magias que visam proteger o casamento e os relacionamentos amorosos.
Contas dos Orixás : A Conta do Orixá ou como também é conhecida por Guia, é um colar de miçangas confeccionado obedecendo padrões religiosos, como banho de determinadas ervas e escala hierárquica dentro da Religião do Candomblé, as cores das Contas de Orixá varia conforme a cor determinante de cada Orixá, por exemplo uma conta feita com miçangas brancas é atribuída a Oxalá. A utilização destes amuletos se faz como um colar, colocados preferencialmente no pescoço, ou guardados dentro de bolsa, ou mesmo no bolso da vestimenta, sua função é basicamente de proteção do Orixá.
Cabeça de Alho : é o símbolo da fecundidade e da família, devido ao número de dentes.Espanta maus espíritos, vampiros e protege contra más influências. Deixe sempre alguns dentes em local visível.
Figa : É um objeto ,feito de diversos materiais e diversos tamanhos quando confeccionada para utilização pessoal é feita em tamanho pequeno, e são utilizadas para fazer a figa plantas muito utilizadas para afastar coisas ruins, como a planta conhecida por Guiné e a planta muito conhecida à Arruda , o objeto confeccionado transformado em Figa apresenta a forma de uma mão fechada, com o polegar entre o indicador e o dedo médio, sua origem é Africana e foi bastante difundida principalmente em locais no Brasil onde é grande esta descendência, utiliza-se para afastar os espíritos maus , também é bastante variada a sua utilização ,desde peças de bijuterias , em locais das residências, estabelecimentos comerciais, entre outros locais.
Moeda : atrai bons fluídos. É usada em casos em que se quer atrair a sorte e dinheiro. use no bolso ou carteira uma moeda antiga de ouro, prata, cobre ou bronze.
Moeda Chinesa : na China do século VII a.C. moedas de cobre eram gravadas com ideogramas, dois ou quatro em cada peça. Os ideogramas sozinhos já são fortes escudos contra o mal, aliados ao metal tornam-se ainda mais fortes. Acredita-se que possam afastar energias negativas e proteger contra epidemias, prolongando assim a vida.
Carranca : É um objeto, feito principalmente de madeira, com tamanho variável a escultura apresenta características de um ser fantástico, com detalhes muito fortes, devido a forma como é retratada, com grandes dentes pontiagudos e olhar de uma criatura muito feroz, sua utilização se faz como proteção contra espíritos maus, pois segundo muitas pessoas que utilizam a Carranca, ao se deparar com uma criatura tão monstruosa e aparentemente feroz, o espírito mau se assusta e foge, é bastante evidenciada nas proas dos barcos na Região do Rio São Francisco, e em frentes das residências, estabelecimentos comerciais e etc.
Pirâmide : confere tenacidade às pessoas para atingirem seus objetivos. Não deixa desanimar nos novos planos, atrai bons fruídos e rejuvenesce. Quando usada como pingente no peito, ajuda na recuperação da saúde distribuindo energia pelo corpo.
Espantalho : É um tipo de amuleto muito particular da Zona Rural, foi introduzido no Brasil primeiramente pelos Portugueses, e mais tarde por outros imigrantes europeus, utilizado para proteção de lavouras, atualmente sua utilização se faz por todo o País, confeccionado de diversos materiais , como em madeira vestida com roupas e chapéu e principalmente de roupas de pessoas, enchidas com palhas e outros materiais, colocado um chapéu de palha, ele é levantado e preso a uma vara que serve como suporte, onde é colocado no meio da lavoura, sua função é espantar aves, roedores e outros animais.

5 ה E - O Pentagrama

GEBURAH - Ecce
Pentagramatton
Até agora expusemos o dogma mágico no que tem de mais árido e mais abstrato; aqui começam os encantamentos; aqui podemos anunciar os prodígios e revelar as coisas ocultas.
O pentagrama exprime a dominação do Espírito sobre os elementos, e é por este signo que encadeamos os Silfos do ar, as salamandras do fogo, as Ondinas da água e os Gnomos da terra.
Armado deste signo e convenientemente disposto, podeis ver o infinito através daquela faculdade que é como que o olho de vossa alma, e vós vos fareis servir por legiões de anjos e colunas de demônios.
E, primeiramente, estabeleçamos princípios:
Não há mundo invisível, há somente vários graus de perfeição nos órgãos.
O corpo é a representação grosseira e como que a casca passageira da alma.
A alma pode perceber de si mesma e sem intermédio dos órgãos corporais, por meio da sua sensibilidade e do seu diáfano, as coisas quer espirituais, quer corporais, que existem no universo.
Espiritual e corporal são palavras que somente exprimem os graus de tenuidade ou densidade da substância.
O que se chama, em nós, imaginação, não é mais que propriedade inerente à nossa alma de se assimilar as imagens e os reflexos contidos na luz viva, que é o grande agente magnético.
Estas imagens e estes reflexos são revelações, quando a ciência intervém para nos revelar o seu corpo ou a sua luz. O homem de gênio difere do sonhador e do louco somente nisto: as suas criações são análogas à verdade, ao passo que a dos sonhadores e loucos são reflexos perdidos e imagens desviadas.
Assim, para o sábio, imaginar é ver, como, para o mago, falar é criar.
Podem-se, pois, ver realmente e em verdade os demônios, as almas, etc., por meio da imaginação; mas a imaginação do adepto é diáfana, ao passo que a do vulgo é opaca; a luz de verdade atravessa uma como por janela esplêndida, e se refrata na outra como uma massa vítrea cheia de escórias e corpos estranhos.
O que contribui mais para os erros do vulgo e as extravagâncias da loucura são os reflexos das imaginações depravadas umas nas outras.
Mas o vidente sabe, com certeza, que as coisas imaginadas por ele são verdadeiras, e a experiência sempre confirma as suas visões.
Dizemos, no Ritual, por que processo se adquire esta lucidez.
É por meio desta luz que os visionários extáticos se põem em comunicação com todos os mundos, como isso acontecia tão freqüentemente a Emanuel Swedenborg, que, não obstante, não era perfeitamente lúcido, pois que não discernia os reflexos dos raios e misturava, às vezes, ilusões aos seus mais admiráveis sonhos.
Dizemos sonhos, porque o sonho é o resultado de um êxtase natural e periódico que se chama sono. Estar em êxtase é dormir; o sonambulismo magnético é uma reprodução do êxtase.
Os erros do sonambulismo são ocasionados pelos reflexos do diáfano das pessoas acordadas, e principalmente do magnetizador.
O sonho é a visão produzida pela refração de um raio de verdade; a ilusão é a alucinação ocasionada por uma reflexão.
A tentação de Santo Antonio, com seus pesadelos e monstros (*), representa a confusão dos reflexos com os raios diretos. Enquanto a alma luta, ela é razoável; quando sucumbe a esta espécie de embebedamento invasor, é louca.
Distinguir o raio direto e o separar do reflexo, tal é a obra do iniciado.
Agora, digamos alto que esta obra sempre foi realizada por alguns homens de “elite” no mundo;
(*) Retratado genialmente pelo pintor flamengo Hieronimus Bosch no quadro As Tentações de Santo Antônio.
que a revelação por intuição é, assim, permanente, e que não há barreira intransponível que separe as almas, porque na natureza não há nem interrupções repentinas nem muralhas abruptas que possam separar os espíritos. Tudo é transição e matizes e, se supusermos a perfectibilidade, se não infinita, ao menos indefinida das faculdades humanas, veremos que todo homem pode chegar a tudo ver, e, por conseguinte, a tudo saber, ao menos num círculo que pode alargar indefinidamente.
Não há vácuo na natureza, tudo é povoado. Não há morte real na natureza, tudo está vivo.
"Vedes esta estrela?" - dizia Napoleão ao cardeal Fresch. - "Não, Senhor" - "Pois bem, eu a vejo!” E, certamente, ele a via.
É por isso que acusam os grandes homens de terem sido supersticiosos: é que eles viram o que o vulgo não vê.
Os homens de gênio diferem dos simples videntes pela faculdade que possuem de fazer sentir aos outros homens o que vêem e de se fazer crer por entusiasmo e simpatia.
São os médiuns do Verbo divino.
Digamos, agora, como se opera a visão. Todas as formas correspondem a idéias, e não há idéia que não tenha sua forma própria e particular.
A luz primordial, veículo de todas as idéias, é a mãe de todas as formas, e transmite-as de emanação em emanação, apenas diminuídas ou alteradas por causa da densidade dos meios.
As formas secundárias são reflexos que voltam ao foco da luz emanada.
As formas dos objetos, sendo uma modificação da luz, ficam na luz onde o reflexo as envia. Por isso, a luz astral ou o fluido terrestre, que chamamos o grande agente mágico, está saturado de imagens ou reflexos de toda espécie os quais a nossa alma pode evocar e submeter ao seu diáfano, como falam os cabalistas. Estas imagens sempre nos estão presentes e somente se acham apagadas pelas impressões mais fortes da realidade durante a vigília, ou pelas preocupações do nosso pensamento, que deixa a nossa imaginação desatenta ao panorama móvel da luz astral. Quando dormimos, este espetáculo se apresenta por si mesmo a nós, e é assim que se produzem os sonhos: sonhos incoerentes e vagos, se alguma vontade dominante não fica ativa no sono e não dá, mesmo contra a vontade da nossa inteligência, uma direção ao sonho, que, então, se transforma em visão.
O magnetismo animal não é nada mais do que um sono artificial produzido pela união, quer voluntária, quer forçada, de duas almas, uma das quais está acordada, enquanto a outra dorme, isto é, uma das quais dirige a outra na escolha dos reflexos para mudar os sonhos em visões e saber a verdade por meio das imagens. Assim, as sonâmbulas não vão realmente aos lugares aonde o magnetizador as manda; elas evocam as suas imagens na luz astral, e nada podem ver do que não existe nesta luz.
A luz astral tem uma ação direta sobre os nervos, que são os condutores, na economia animal, e que a levam ao cérebro; por isso, no estado de sonambulismo, pode-se ver pelos nervos, e sem mesmo ter necessidade da luz irradiante, o fluido astral sendo uma luz latente, como a física reconheceu que existe um calórico latente.
O magnetismo entre dois é, sem dúvida, uma descoberta maravilhosa; mas o magnetismo de um só, dirigindo-se a si mesmo, ficando lúcido à vontade, é a perfeição da arte mágica; e o segredo desta grande obra não está para ser achado: foi conhecido e praticado por um grande número de iniciados, e principalmente pelo célebre Apolônio de Thyana, que deixou dele uma teoria, como veremos no nosso Ritual.
O segredo da lucidez magnética e da direção dos fenômenos do magnetismo provém de duas coisas: da harmonia das inteligências e da união perfeita das vontades numa direção possível e determinada pela ciência; isto é, para o magnetismo operado entre diversos. O magnetismo solitário exige preparações de que falamos no nosso primeiro capítulo, quando enumeramos e fizemos ver, em toda a sua dificuldade, as qualidades exigidas para ser um verdadeiro adepto.
Esclareceremos cada vez mais este ponto importante e fundamental nos capítulos que vão seguir.
Este império da vontade sobre a luz astral, que é a alma física dos quatro elementos, é figurado em magia, pelo pentagrama, cuja figura colocamos no frontispício deste capítulo.
Assim, os espíritos elementais são submissos a este signo, quando é empregado com inteligência, e pode-se, colocando-o no círculo ou na mesa das evocações, fazê-los dóceis, o que, em magia se chama prendê-los.
Expliquemos, em poucas palavras, esta maravilha. Todos os espíritos criados comunicam entre si por sinais e aderem a um certo número de verdades expressas por certas formas determinadas.
A perfeição das formas aumenta em razão do desembaraço dos espíritos, e os que não estão presos pelas cadeias da matéria reconhecem, à primeira intuição, se um signo é a expressão de um poder real ou de uma vontade temerária.
A inteligência do sábio dá, pois, valor ao seu pantáculo, como a sua ciência dá peso à sua vontade, e os espíritos compreendem imediatamente este poder.
Assim, com o pentagrama, pode-se forçar os espíritos a aparecerem em sonho, quer durante a vigília, quer durante o sono, trazendo eles mesmos, diante do nosso diáfano, o seu reflexo, que existe na luz astral, se viveram, ou um reflexo análogo ao seu verbo espiritual, se não viveram na terra. Isto explica todas as visões e demonstra, principalmente, por que os mortos aparecem sempre aos videntes, quer como eram na terra, quer como estão ainda no túmulo, nunca como estão numa existência que escapa às percepções do nosso organismo atual.
As mulheres grávidas estão, mais que os outros, sob a influência da luz astral, que concorre para a formação dos seus filhos, e que lhes apresenta, sem cessar, as reminiscências de formas de que está cheia. É assim que as mulheres muito virtuosas enganam por semelhanças equívocas a malignidade dos observadores. Elas imprimem, muitas vezes, ao fruto do seu casamento uma imagem que as comoveu em sonho, e é assim que as mesmas fisionomias se perpetuam, de século em século.
O uso cabalístico do pentagrama pode, pois, determinar a figura dos filhos a nascer, e uma mulher iniciada pode dar a seu filho as feições de Nereu ou de Aquiles, como as de Luiz XIV ou de Napoleão. Nós indicamos no nosso Ritual o modo de o fazer.
O pentagrama é o que se chama, em Cabala, o signo do microcosmo, o signo cujo poder Goethe exalta no belo monólogo do Fausto:
"Ah! como a esta vista todos meus sentidos estremeceram! Sinto a juvenil e santa volúpia da vida ferver nos meus nervos e nas minhas veias. Será um Deus aquele que traçou este signo que acalma a vertigem de minh’alma, enche de alegria meu pobre coração, e, numa impulsão misteriosa, desvenda ao redor de mim as forças da natureza? Sou um Deus? Tudo se torna tão claro para mim; vejo, nestes simples traços, a natureza ativa se revelar à minh’alma. Agora, pela primeira vez, reconheço a verdade desta palavra do sábio: - O mundo dos espíritos não está fechado! Teu sentido está obtuso, teu coração está morto. Levanta-te! Banha, ó adepto da ciência, o teu peito, ainda envolto de um véu terrestre, nos esplendores do dia nascente!" –(Fausto, 1 parte, cena 1).
Foi em 24 de Julho de 1854 que o autor deste livro, Eliphas Levi, fez em Londres a experiência da evocação pelo pentagrama, depois de se ter preparado, para isso, por todas as cerimônias que estão marcadas no Ritual. O sucesso desta experiência, cujas razões e detalhes damos no 13º capítulo do Dogma e as Cerimônias no 13º capítulo do Ritual, estabelecem um novo fato patológico que os homens de verdadeira ciência admitirão sem dificuldade. A experiência, reiterada até três vezes, deu resultados verdadeiramente extraordinários, mas positivos e sem mistura alguma de alucinação. Convidamos os incrédulos a fazerem um ensaio consciencioso e razoável, antes de levantar os ombros e sorrir.
A figura do Pentagrama, aperfeiçoada conforme a ciência e que serviu ao autor para esta prova, é a que está no começo deste capítulo e que não se acha tão completa nem nas clavículas de Salomão, nem nos calendários mágicos de Tycho-Brahé e Duchenteau.
Observemos somente que o uso do pentagrama é muito perigoso para os operadores que não tem completa e perfeita inteligência dele. A direção das pontas da estrela não é arbitrária, e pode mudar o caráter de toda operação, como explicaremos no Ritual.
Paracelso, este inovador em magia, que sobrepujou todos os outros iniciados pelos sucessos de realização obtidos por ele só, afirma que todas as figuras mágicas e todos os signos cabalísticos dos pantáculos aos quais os espíritos obedecem, se reduzem a dois, que são a síntese de todos os outros; o signo do macrocosmo ou do selo de Salomão, cuja figura já demos e reproduzimos na página seguinte, e o do microcosmo, ainda mais poderoso que o primeiro, isto é, o pentagrama, do qual dá, na sua filosofia oculta, uma minuciosa descrição.
Se perguntarem como um signo pode ter tanto poder sobre os espíritos elementais, perguntaremos, por nossa vez: por que o mundo cristão se prosternou diante do sinal da cruz? O sinal por si mesmo nada é, e só tem força pelo dogma de que é resumo e verbo. Ora, um signo que resume, exprimindo-as, todas as forças ocultas da natureza, um signo que sempre manifestou aos espíritos elementares e outros um poder superior à sua natureza, naturalmente os enche de respeito e temor e os força a obedecer, pelo império da ciência e da vontade sobre a ignorância e a fraqueza.
É também pelo pentagrama que se medem as proporções exatas do grande e único athanor necessário à confecção da pedra filosofal e à realização da grande obra. O alambique mais perfeito que possa elaborar a quintessência é conforme esta figura, e a própria quintessência é figurada pelo signo do pentagrama.
Hexagrama
Selo de Salomão

domingo, 2 de outubro de 2011

Lendas João Maria, o Monge da Lapa

EEntre fins do século XIX e a primeira década do XX, o campo brasileiro
viu-se sacudido por alguns movimentos populares. De norte a sul surgiram
manifestações de cunho religioso, como se o país despertasse de uma
enorme letargia.
Conselheiros no nordeste brasileiro (como Antônio Conselheiro, de Canudos, na Bahia) e
monges nos sertões meridionais, vários personagens cruzavam os campos de lado a lado,
medicando e aconselhando os caboclos, granjeando fama de milagrosos e poderosos.
No interior do Paraná, uma figura que aparecia envolta em mistério, antes e durante os
conflitos pela posse da terra na região sul do estado, na divisa contestada por Santa
Catarina, foi um andarilho conhecido como o Monge da Lapa. Na verdade, foram três os
monges que freqüentaram a região, em momentos críticos da história de nosso país.
O primeiro surgiu em meados do século XIX, na década de 40, pouco depois das
revoltas liberais que sacudiram o Brasil e pouco antes do término da Guerra dos Farrapos.
O segundo marcou sua presença nos anos próximos à abolição da escravidão e do advento
da República; em meio à Revolução Federalista temos o seu primeiro registro concreto.
Finalmente, José Maria, o terceiro monge, surgiu em 1912, quando a Primeira República
incentivava largamente a imigração e a construção de estradas de ferro, com contratos
altamente vantajosos para as construtoras.
Entre os dois primeiros existia uma forte semelhança no proceder, a ponto de
serem considerados uma só pessoa. “Num dos retratos que corre como sendo do ‘santo’,
estampa-se a legenda: ‘João Maria de Jesus, profeta com 188 anos’ - como que a afirmar
que os dois foram um só”.
As explicações de ambos terem utilizado o mesmo nome aparecem na obra de
Oswaldo Cabral, quando o autor aponta as razões de tal procedimento. “O povo chamava
todos os monges de João Maria. Não sendo João Maria não seria monge” Ao assumir o nome de seu predecessor, João Maria de Jesus não forçava, ao
ver de Cabral, uma impostura, mas assumia para si a memória de santidade do primeiro
monge. Místico também, ele encontrava assim uma melhor forma de penetração junto
às populações interioranas. A mudança do nome marca o início de uma transformação
na vida.
Apesar de utilizar os dois primeiros nomes de João Maria de Agostini, nunca tomou
o último nome deste, do mesmo modo que nunca afirmou ser o mesmo que percorreu
os sertões em meados do século XIX. Afinal, o santo dos sertanejos não era de Agostini
ou de Jesus, “... há apenas um João Maria, e não só o João Maria do Contestado, mas o
querido João Maria da devoção popular”.
Várias são as lendas que permanecem na memória de moradores do interior
paranaense e que acabaram por conquistar as cidades, localizando-se em diversas camadas
da população, trazidas pelo êxodo rural. Muitas das localidades de Santa Catarina,
apontadas a seguir, pertenciam ao território do Paraná e foram repassadas ao estado
vizinho após acordo que ratificou a divisão da região contestada, à época do presidente
Wenceslau Braz, em 1916.
São lendas que dizem respeito à origem dos monges, lendas sobre profecias,
punições, milagres e prodígios e finalmente lendas relativas ao fim dos monges. Estas
lendas confundem os monges que as praticaram ou sofreram, sendo atribuídas ao monge
simplesmente. Este caráter dúbio é parte da própria estrutura das lendas.
Sobre a origem do monge, do porquê de sua peregrinação pelo sertão, a mais
rica lenda que encontramos é a de que sendo cristão, abandonou a religião para se casar
com uma moura e combateu o exército expedicionário francês. Sendo feito prisioneiro,
após a morte de sua esposa, conseguiu fugir e no Egito teve a visão do apóstolo Paulo,
que o mandou peregrinar 14 anos (ou 40 em outra versão) pelo mundo, reconvertendo-se
assim ao cristianismo. Sua cidade de origem seria, neste caso, Belém, na Galiléia.
Outras lendas davam conta de ser o monge um criminoso, não se dizendo o crime,ou que tivesse seduzido uma religiosa, que teria falecido na viagem para a América. Sua
penitência seria vagar solitário pelos sertões. Existe também aquela que dizia ser o monge
um apátrida, nascido no mar, de pais franceses, tendo sido criado no Uruguai.
As lendas sobre profecias são também bastante extensas, a começar de seu próprio
desaparecimento, quando terminasse sua missão, no morro do Taió, hoje território
de Santa Catarina. Previu o aparecimento de uma cidade no local em que estava, o que
efetivamente se deu após a definição do litígio sobre a fronteira; seu nome, segundo o
monge, seria Santa Cruz, e a cidade chamou-se Cruzeiro e hoje é o município de Joaçaba, SC.
Teria previsto o advento da República alguns anos antes. Previu também os
trens e os aviões, no estilo dos antigos profetas. “Linhas de burros pretos, de ferro,
carregarão o pessoal”. Depois deles, as guerras com as derrotas sucessivas dos sertanejos
e “gafanhotos de asas de ferro, e estes seriam os mais perigosos porque deitariam as
cidades por terra”.
Chegando a uma casa onde uma mãe acabara de dar à luz, reclamou o batismo
da criança recém-nascida e somente depois lhe foi contado que a parturiente havia feito
promessa de dar o nome de João Maria e convidar o monge para padrinho, se fosse feliz
na hora do nascimento.
O primeiro monge teria previsto que outros o seguiriam, enquanto o segundo
teria indicado a guerra que se avizinhava (a guerra do Contestado), onde os seus seriam
dizimados.
As lendas de caráter punitivo são muitas, que contrastam com a imagem bondosa
do monge. De modo geral, são castigos para aqueles que, desdenhando de sua santidade,
não respeitaram regras estabelecidas por ele.
Existem as histórias relativas ao queijo. Conta-se que pedindo um pedaço de
queijo em uma fazenda, este lhe foi negado, tendo então repetido a profecia feita para
Canoinhas, anunciando o fim da prosperidade da fazenda.
Conta-se que uma senhora querendo dar ao monge um queijo, tendo falado a este
respeito com seu marido, ordenou-lhe este que lhe fosse dado um outro menor versão diz menor e podre). Segundo uma narrativa teria o monge aceitado apenas um
pequeno pedaço do queijo, jogado fora mais da metade, por adivinhar a má vontade do
dono. Outros comentam que sendo podre o queijo, João Maria o levou e escondeu sob
uma pedra, ou o esmigalhou no pasto, ainda dentro da propriedade do tal fazendeiro.
Em todos os casos, a prosperidade da fazenda desandou, chegando, em uma das versões,
toda a família à loucura, ou morrendo o fazendeiro na mais miserável pobreza.
Às regiões de pouca fé do povo, predisse pragas, dizendo que aqueles que quisessem
salvar suas roças deveriam plantar aquilo que desse sob a terra (tubérculos) - o
que realmente aconteceu em Taquara Verde, município de Porto União, SC. Predisse que
a localidade de Vila Nova do Timbó, por seu povo ateu, se transformaria num porungal,
ou seja, suas terras perderiam a fertilidade. O lugarejo teria realmente regredido.
Ao ser preso na Lapa, predisse castigos dos céus e um violento temporal sobre
a cidade. Em duas cidades diferentes, Hamburgo Velho (RS) e outra do Paraná, ao ser
apedrejado por crianças que o tomavam por mendigo, perdoou às crianças, mas disse,
serenamente, que as cidades seriam apedrejadas como ele. Em ambos os casos, dias
depois, uma chuva de granizo arrasou as plantações, castigando a cidade. Tal evento
teria também acontecido na Lapa.
Com relação às fontes, contam-se duas lendas de caráter punitivo. Uma seria uma
água abençoada por ele, com a previsão de que não se entrasse na fonte para se banhar.
Duas prostitutas, tendo ignorado o aviso, banharam-se para curar algumas feridas, o que
provocou o ressecamento imediato da fonte.
Nas proximidades da Lapa, uma família tendo comprado uma propriedade, que
tinha em suas terras uma fonte benzida, e não crendo no poder da água santa, cercou a
área, proibindo a entrada de intrusos. Ao mesmo tempo, ateou fogo ao cruzeiro e ao pinheiro
que havia no pouso. Como resultado, perdeu todas as suas posses e ficou louca.
As lendas sobre milagres e prodígios fazem parte do maior grupo conhecido.
Existia a crença de que em meio às tempestades, o monge permanecia sentado ao relento,
mas que não se molhava, bem como nos lugares de determinadas cruzes.Conta-se também que podia estar em dois lugares diferentes, orando em sua
gruta e ao lado de uma doente que invocava por ele. Conta-se que podia ficar invisível
aos seus perseguidores, atravessar a pé sobre as águas dos rios, e que suas cruzes cresciam
– não só o corpo, como também os braços – ou brotavam 40 dias após o monge
tê-las levantado.
Bastões, com a “medida do monge”, fincados em cada extremo de uma fazenda
protegiam o gado contra doenças. As velas, feitas na medida do palmo do monge, afugentavam
os maus espíritos e acalmavam as tempestades.
Conta-se que o monge era imune aos índios e às feras, não sendo jamais atacado
por elas. Diz-se também que fazia surgir olhos d’água nos lugares onde pousava. Da
mesma maneira, podia se fazer transportar no ar ou desaparecer quando a multidão que
o cercava crescia em demasia.
As curas são constantes em suas lendas. Teria curado adultos e crianças já à
morte com infusões de uma planta chamada vassourinha e rezas. Em Mangueirinha e na
Lapa, se contam casos de curas milagrosas de dores de dentes.
As lendas referentes a galinhas são bastante difundidas. Conta-se que uma senhora
ofereceu uma galinha ao monge, que não aceitou o presente por ele ter sido dado
antes ao diabo. A mulher teria se referido à ave como “galinha do diabo” ao ter esta
sujado seu vestido no caminho para a pousada de João Maria, ou praguejado dizendo
“que o diabo a carregue”, por não ter conseguido pegar no terreiro, só o fazendo horas
depois. É interessante notar, como o faz Oswaldo Cabral, que essa lenda já teria se referido
anteriormente a outras pessoas.
Igualmente se conta a lenda da batata. João Maria teria sido convidado a comer
batata-doce com leite com uma família, a qual havia incumbido uma escrava de colhê-las.
A escrava teria dito que a maior seria dela e não do velho mendigo. Na hora do jantar,
todas as batatas da mesa, o monge se recusou a comer a melhor das batatas-doces, por
já possuir dono.
Pernoitando na dita fazenda, pediu ao amanhecer um cavalo ou burrico, para
atender ao chamado de um doente distante. Pedindo um animal manso, foi lhe dado um manco, o qual na volta da jornada não portava nenhuma deficiência no andar. João
Maria teria debelado, ainda, uma epidemia de varíola em Rio Negro, afastando a peste
com rezas e com 14 cruzes plantadas como Via Sacra na cidade. Ainda hoje existe uma
das cruzes na cidade: chama-se cruz de Mafra.
As lendas relativas ao desaparecimento ou morte do monge dão conta que ele
teria dito que ao final de sua peregrinação iria para o morro do Taió, região que se sabia
habitada por índios hostis, os botocudos. Após a sua morte, seu espírito teria aconselhado
um viajante de Guarapuava que foi à sua procura no morro.
Outra tradição diz que morreu de velhice em Araraquara (SP), ou que foi encontrado
agonizante próximo aos trilhos da estrada de ferro perto de Ponta Grossa. A crença
mais difundida é, no entanto, que não teria morrido. Após jejuar por 48 horas no Taió,
o monge teria sido levado por dois anjos para o céu. Em outra hipótese, seu corpo teria
se envolvido em luz tão forte que o fez desaparecer, deixando uma marca vermelha no
chão, que os incrédulos confundiam com sangue.
Criações do povo, estas lendas formam um conjunto de crenças que demonstram
o caráter mágico de sua apreensão da realidade, indubitavelmente belas como demonstração
de mentes criadoras. Vejamos algumas que permanecem na tradição de alguns
outros municípios paranaenses.                                                                                                                                                                    São João Maria Antonio Olinto
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SSão João Maria era um santo andarilho. São João Maria andou por muitas
cidades do nosso Estado; até em Antonio Olinto ele passou e deixou
sua marca para sempre, que são as cruzes. Dizem que essas cruzes e uns
pocinhos feitos em pedras existem em várias comunidades.
No Butiá existem esses pocinhos e muitas pessoas, até os dias de hoje, vão até lá para
rezar, tomar água, passar nas dores. Alguns batizam seus filhos, com muita fé em São
João Maria.                                                                                                                                                                                         Lenda de São João Maria Campo Do Tenente
qqqqqqqqqqqqqqqqqqqqqqqq
NNos primeiros anos do século XX, em data incerta, constitui-se parte das
lendas locais um monge chamado São João Maria, que peregrinava pelo
sertão afora propagando palavras divinas.
Conta-se que em um momento de descanso o monge saciava a sua sede
num riozinho que corta a nossa cidade. Confundia-se com um verdadeiro andarilho, pois
andava mal-trajado, barbas longas e cabelos descuidados. A molecada, num gesto de provocação
e malcriação atirou-lhe pedras; o que deixou o monge extremamente irritado.
Por isso, ele rogou uma praga: “esta cidade se desenvolverá somente de um
lado do rio e o outro estará fadado a um futuro sem prosperidade”. Misteriosamente a
profecia vem se realizando, pois a cidade de Campo do Tenente está crescendo somente
para o lado abençoado e apontado pelo monge.

Lendas

São João Maria Antonio Olinto 24
Lenda de São João Maria Campo Do Tenente 24
A lenda do profeta Campo Mourão 25
A lenda de São João Maria Faxinal 27
O monstro da Lapa Lapa 28
Monge São João Maria Mallet 29
Lenda de João Maria Mangueirinha 29
História do queijo 30
História da galinha 31
História do peixe 31
Olho d’água de São João Maria Pita nga 32
Lenda de São João Maria Prudentópolis 33
O monge João Maria Rio Azul 34
João Maria Rio Branco Do Iva í 35
A lenda da mina de São João e Maria São Jerônimo da Serra 35
Profeta João Maria Telêmaco Borba 36
Monge João Maria de Jesus União da Vitória 37
Morro da Cruz 38
Manifestações de Santos e Santas
Manoel Alves Antonina 42
Nossa Senhora de Fátima Cruzeiro Do Sul 42
Maria Bueno, a Santa Curitiba 43
Lenda do Divino Espírito Santo Guarat uba 45
Lenda da padroeira Ipiranga 45
A santa do paredão Jag uariaíva 46
Capela de Nossa Senhora das PedrasPalmeira 48
A lenda da mudança Paranag uá 48
A lenda das rosas loucas 49
Corina Portugal (1892) Ponta Grossa 50
A cruz de cedro São Jerônimo Da Serra 51
A história da Romaninha 51
Senhor Bom Jesus da Cana Verde Siqueira Campos 52
Maldições, Pragas e Maledicências
A maldição de Tamandaré Almirante Tamandar é 58
A praga do padre Ivat uba 58
Morte do padre -100 anos de maldição Lapa 59
A lenda do pinheiro em forma de cruz Pinhal De São Bento 60
O pinheiro que virou pedra Prudentópolis 61
Lenda da sexta-feira santa 62
Assombrações, Noivas e Outras Aparições
O fantasma das águas do Val Verde Almirante Tamandar é 66
A noiva 66
A noiva Altamira Do Paraná 67
Escravos da igreja de São Benedito Antonina 67
Visagens Antonio Olinto 68
Lenda contada por Ernesto Capelli Arapongas 68
O pinheiro da noiva Arapoti 69
A noiva da linha do trem 69
A assombração de Calógeras 70
O piá da grota 71
O Gritador 71
A árvore dos enforcados 72
Sumário Uma tal confusão Boa Esperança 72
A moça encantada 73
A noiva Bom Sucesso 74
Cecília, a deusa da estrada Califórnia 75
Lenda do Bradador Colombo 76
Lenda da curva da noiva 76
A loira fantasma Curitiba 77
O fantasma da grávida da praça da Ucrânia 79
Campo mal-assombrado Francisco Beltr ão 81
Poço da visagem General Carneiro 82
História do Gritador Goioxim 82
A noiva que ia se casar Ipiranga 83
O poço 83
O garupeiro Irati 84
A bola de fogo Ivat é 84
A mulher de branco 85
A curva da noiva Ivat uba 85
Assombração da antiga Serrinha Jag uariaíva 86
Lenda do homem-boi Lidianópolis 88
O primeiro OVNI no Brasil Luiziana 88
O carona da bicicleta Mati nhos 89
Fantasma do Central Morretes 89
A olhadeira da rua XV de Novembro 90
A loira do matão Nova Londrina 90
A noiva de branco Palmeira 91
Assombrações no Centro Integrado da Cultura
Santo Antônio do Sudoeste 91
O velório da virgem noiva São José Dos Pinhais 94
Luzinha da Estrada Monte Castelo São Tomé 95
Ana Beje (1831) Tibagi 96
A caverna do jesuíta Tunas Do Paraná 97
Noiva da pedreira Turvo 97
Benzimentos, Curas e Milagres
Os benzedores Araucária 102
Manoel Trindade Cerro Azul 103
Irmão Cirilo – o santo do Sudoeste Francisco Beltr ão 104
Rita, a mudinha Lapa 105
O corpo santo Tunas do Paraná 105
Cemitérios e Caixões
O féretro fantasma Almirante Tamandar é 110
O caixão ANTONIO OLINTO 110
O preço da farra ARAPOTI 111
O espírito do cemitério 111
A escrava CLEVELÂNDIA 112
Túmulo fora do cemitério PALMEIRA 113
Lenda dos dois cavaleiros 114
Corpo seco 115
O túmulo de Maria Quebra PIRAÍ DO SUL 115
O Cemiterinho QUITANDINHA 117
Lenda do cemitério SÃO JOÃO DO TRIUNFO 119
Túmulo mal-assombrado VERÊ 119
Heróis, Bandidos, Escravos e Aventuras
Hermógenes CERRO AZUL 124
Mais uma do Hermógenes 125
As caçadas no Girau DOIS VIZINHOS 126
A árvore da morte ITAIPULÂNDIA 126
Pala Branca MAMBORÊ 127
O fundador Santiago Lopes José MARILÂNDIA DO SUL 129
A lenda da cabeça do enforcado PARANAGUÁ 129
A lenda da caveirinha 130
Figueira do corpo seco Pontal do Paraná 132
O homem das sete orelhas SANTO ANTÔNIO DA PLATINA 134
Um lindo diamante TIBAGI 135 Lendas Indígenas
A cruz do índio ABATIÁ 140
Os bugres ANTONIO OLINTO 140
A lenda de São Tomé (o caminho do Peabiru)
CAMPO MOURÃO 141
A lenda das Cataratas FOZ DO IGUAÇU 144
A lenda do Brejatuba GUARATUBA 145
Guairacá LONDRINA 145
O homem de branco MATINHOS 146
Indianer MISSAL 147
Campos de Palmas PALMAS 148
História manchada de sangue 149
A lenda da araucária PALMEIRA 149
Lobisomens, Demônios, Monstros
e Outros Seres Fantásticos
A lenda da cobra gigante AGUDOS DO SUL 154
Sucuri ALTAMIRA DO PARANÁ 154
Cigana Bartira ANTONINA 155
Burza, o lobisomem ANTONIO OLINTO 156
O lobisomem 156
O monstro da Fazenda Três Marcos ARAPOTI 157
O Boitatá 158
Lenda do lobisomem ARAUCÁRIA 158
Lobisomem 159
O diabo de Capanema CAPANEMA 160
O petiço CARAMBEÍ 161
A cobra gigante IBAITI 162
A lenda da coruja IPIRANGA 162
Histórias de quaresma MALLET 163
Lenda da leitoa mateira MAMBORÊ 164
Serpente da figueira MATINHOS 165
A saga da Caetana 165
Saci-pererê MORRETES 166
As bruxas 166
Lenda do lobisomem NOVA CANTU 167
Bicho-homem PALMITAL 167
A surpresa 168
Chico Bracatinga SÃO JOSÉ DOS PINHAIS 169
História real SÃO MATEUS DO SUL 169
A cobra 170
O lobisomem SÃO SEBASTIÃO DA AMOREIRA 171
Lenda da cobra encantada TOMAZINA 171
História de lobisomem VERÊ 172
O lobisomem VIRMOND 172
Lugares e Coisas Encantadas
Baile dos mortos ARAPOTI 178
O mistério da lagoa grande CAMPO LARGO 178
Os escravos e o tesouro da granja 179
A lenda da lagoa feia CAMPO MAGRO 180
Ditinho de Deus CONGONHINHAS 181
Mistérios na comunidade São Roque CORBÉLIA 182
Sanga de Urutu ESPERANÇA NOVA 183
Quebradeira 184
A lenda da cachoeira GOIOXIM 185
A lenda da figueira IVATÉ 186
A praça mal-assombrada MARILÂNDIA DO SUL 186
Lenda do Capão Manhoso PALMEIRA 187
Lamúrias dos escravos 187
Capão do Matadouro 188
A lenda do brejo que canta PARANAGUÁ 188
Tiracisma PLANALTO 191
Rio Siemens e suas lendas 192
O barulho das correntes SANTO INÁCIO 193
As cruzes da ponte velha SÃO JOSÉ DOS PINHAIS Cruz do mudinho TELÊMACO BORBA 197
Casa mal-assombrada TIBAGI 198
A lenda da curva da onça UBIRATÃ 199
Tesouros Escondidos
Padre João ANTONIO OLINTO 204
O achado 204
O pote de ouro 205
O pote de ouro ARAPOTI 206
Tesouro dos Carros BALSA NOVA 207
Lenda do caixão branco CAMPINA DO SIMÃO 208
Lendas da Colônia Tereza Cristina CÂNDIDO DE ABREU 208
Mais panelas de ouro 209
O fantasma do pirata do Bairro Mercês CURITIBA 210
Marca dos três coqueiros FAXINAL 211
Serra do Caixão IPIRANGA 212
Ouro no Salto da Fogueira LIDIANÓPOLIS 212
O caso da vela MORRETES 213
O negrão do caixão 213
A Lenda do pirata Zulmiro PARANAGUÁ 214
Encantada 216
A lagoa das visões PLANALTO 217
Tesouro do Capão da Onça PONTA GROSSA 218
Capão do Padre Miguel 220
A panela de ouro SANTO ANTÔNIO DA PLATINA 220
O drama da Fazenda Fortaleza TIBAGI 221
O tesouro da caverna VIRMOND 223
Origem e nomes de localidades e cidades
Origem do nome da cidade CASCAVEL 228
Origem do nome da cidade CORONEL VIVIDA 228
Origem do nome da novela Cavalo de Aço 229
Lenda do Miserável CRUZEIRO DO IGUAÇU 229
Origem do nome da cidade DOIS VIZINHOS 230
O Passo do Inferno GENERAL CARNEIRO 231
A lenda de Jandaia JANDAIA DO SUL 232
Lenda do Rio Ivaí LIDIANOPÓLIS 233
Maria do Ingá MARINGÁ 234
Origem do nome da cidade PAIÇANDU 234
Paiçandu (outra versão) 234
Surgimento de Palmeira PALMEIRA 235
Lenda das pombinhas PONTA GROSSA 236
Lenda de Vila Velha 236
Lenda do Rio Ivaí RIO BRANCO DO IVAÍ 237
A lenda do Rio Branco 237
A lenda do Véu da Noiva 238
Origem do nome da cidade SÃO MIGUEL DO IGUAÇU 238
Origem do nome da cidade SÃO TOMÉ 239
Lenda de Tapejara TAPEJARA 240
Lista de Municípios que enviaram Lendas e Contos 241 O mundo hoje é um prato cheio para
a criação de lendas e contos.
Furacões, maremotos, epidemias...
são fatos do cotidiano moderno que poderiam
facilmente ser o resultado de antigas histórias
que nascem do imaginário popular – como
cobras gigantes que se mexem por baixo da
terra ou pragas de religiosos que sofreram
maus tratos por ricos e poderosos.
Exemplos como esses são recorrentes
no terceiro volume do Caderno Paraná da Gente
– “Lendas e Contos Populares do Paraná”.
Nesse projeto, realizado pela Secretaria de
Estado da Cultura, foram pesquisadas histórias
da tradição oral paranaense que, ao tentar explicar
o inexplicável, estabelecem um diálogo
entre o passado e presente.
O resultado é um inventário de histórias
extraordinárias ocorridas nos quatro
cantos do Estado envolvendo religião, assombrações,
milagres, cemitério e tesouros
escondidos, entre outros temas que surgem
espontaneamente por intermédio da fé, do
medo, da culpa, do poder e, na maior parte das
vezes, de uma imaginação muito fértil.
O Paraná é um dos Estados brasileiros
que mais recebeu elementos para o cultivo
de lendas e contos fantásticos. Sua formação
cultural foi forjada por povos de diversas
origens: índios, tropeiros, escravos, soldados,
religiosos, imigrantes... um pouco de tudo.
Cada um trazendo na sua bagagem uma crença
e uma boa história para contar. E, como diz o
provérbio, quem conta um conto... aumenta
um ponto.
Assim, temas como perseguição indígena,
tesouro dos jesuítas, castigo escravo,
noivas fantasmas e padres milagrosos são
algumas das matérias-primas para as histórias
que fazem parte deste Caderno – terceiro
volume de um projeto que tem por objetivo
revelar a riqueza cultural do Paraná e que nos
dois primeiros números apresentou, respectivamente,
nossa gastronomia e um roteiro das
festas populares.
A presente seleção reuniu mais de
duzentas lendas e contos populares de 97
municípios paranaenses. São histórias curtas
e gostosas de ler. Muitas delas são arrepiantes,
ideais para serem saboreadas em noites de
chuva com muita trovoada. Outras despertam
no leitor a dúvida: será verdade? Mas, no
conjunto, as lendas e contos trazem um pedacinho
do povo paranaense que, numa visão
mais ampla, carrega dentro de si um pouco do
sentimento do mundo.

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