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Demonologia é o estudo sistemático dos demônios. Quando envolve os estudo de textos bíblicos, é considerada um ramo da Teologia. Por geralmente se referir aos demônios descritos no Cristianismo, pode ser considerada um estudo de parte da hierarquia bíblica. Também não está diretamente relacionada ao culto aos demônios.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Casos de exorcismos brasileiros ganham páginas de livro e vão parar no cinema

Os Anjos estão presente em todo  transcurso da história da salvação: alguns executando o plano de Deus e prestando continuamente celeste e poderosa ajuda à Igreja; alguns, decaídos, chamados  demônios, que, opondo-se a Deus, à sua vontade de salvação e ao cumprimento da obra em Cristo, tentam associar o homem à própria rebelião contra Deus.
Na Sagrada escritura, o Diabo e os demônios são identificados com vários nomes, alguns dos quais, de certa forma, indicam sua natureza e função. O Diabo, chamado, Satanás, antiga serpente e dragão, aquele que seduz o mundo todo e luta contra os que observam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus(Ap 12,8-9). É designado adversário dos homens1Pd 5,8) e homicida desde o princípio( Jo,8,44), porque, pelo pecado, tornou o homem sujeito à morte. Já que  por suas insídias provoca o homem a desobedecer a Deus, o mau é chamado de Tentador(Mt 4,3), de mentiroso e pai da mentira(Jo 8,44), que age sagaz e falsamente, como  prova a sedução de nossos a pais(Gn 3,4.13), que se esforçou por desviar a Jesus da missão recebida do Pai)Mt,4,1-11 ; Mc 1,13) e por fim, sua transfiguração em anjo da Luz(2Cor 11,14). Chama-se ainda príncipe deste mundo(Jo 12,31), isto é,, do mundo que está sob o poder do maligno(1 Jo, 5,19) e que não conheceu a verdadeira luz. Enfim, seu poder é indicado como poder das trevas(Lc 22,53), pois odeia a Luz, que é Cristo, e arrasta os homens para as próprias trevas. Os demônios, porém, que com o Diabo não observam a autoridade de Deus(Jd 6), foram condenados(2Pd 2,4) e constituem os espíritos malignos(Ef 6,12), pois os que pecaram foram criados, como espíritos, e são  chamados anjos de Satanás( 2Cor 12,7; Ap 12,7), o que também pode significar que a missão  lhes tenha sida confiada por seu maligno príncipe.
A vitória do Filho de Deus destruiu(1Jo3,8) os atos de todos esses espíritos imundos e sedutores(MT 10,1; Mc 5,8,Lc 6,18). Embora “uma árdua luta contra as forças das trevas perpasses toda a história dos homens, luta que há de continuar até o último dia”, Cristo, por seu mistério pascal de morte e ressurreição, nos arrancou da servidão do Diabo e do pecado, destruindo o seu poder e libertando todas as coisas da influência maligna. Mas como ação prejudicial e contrária do Diabo  e dos demônios atinge as pessoas, as coisas e os lugares e se manifesta de forma diversa, a Igreja, ciente de que “os dias são maus(Ef 5,16), sempre orou e ora para que os homens libertem das insídias do Diabo.
Poder Angélico
Os anjos que são criaturas de Deus ao seu serviço que tem os seu poderes limitados na sua função angélica, cada milícia atuam de forma sistemática como defensores do reino de Deus, não só no céu como também neste mundo. A sua ações são definidas nas hierarquia celestes com serviços distintos.
A pesar de habitarem no céu e na intimidade de Deus, os Anjos não conhecem todos os segredo do Rei(Tob 12,11), que Deus costuma revelar aos seu amigos: Abraão(Gn 18,17) e ao Apóstolos(Jo 15,15), até mesmo Jesus nos revela que a respeito da hora de sua vinda gloriosa, nem Ele e nem os anjos sabem(Mt 24,26). É importante conhecermos as suas funções e suas ações  em favor de Deus e dos homens para invoca-los  em nosso favor no combate.
Serafins – tem sua função que só nos entreguemos ao louvor a Deus, que nos abrasemos neste amor e nos estimula no serviço a Deus, isto significa que quando estamos no louvor a Deus eles participam cantando louvores, entoam seus cantos juntos.” São o coro que entoam um cântico de Santo, Santo, Santo, Senhor dos exército..(Is 6,1-4).
Querubins – são os defensores que nos ajudam na tentações contra a fé , pureza e os escrúpulos
Tronos – são os que ajudam e iluminem os governantes, bispos, responsáveis por comunidades religiosas., juizes, as autoridades civis.
Dominações – que ajudam nos esclarecimentos, na compreensão, também pelos que se empenham em difundir o reino de Deus
Virtudes – que ajudem a melhorar nossa vida espiritual, dando-nos coragem e força para cumprirmos as resoluções, estimula as pessoas a se deixarem banhar no Espírito Santo.
Potestades – que ajudam a remover os obstáculos que possam impedir a execução dos desígnios de Deus, desfazem as armadilhas e ciladas do inimigo(Satanás), ajudam as pessoas a santificarem.
Principados – que defendam e protejam  os países , cidades , as igrejas, as casas, para que os filhos de Deus reine sobre todas as coisas, como filhos de um reino de graça.
Os Arcanjos – Miguel que combatem por , nós e o príncipe do inferno desfazendo toda mentira e ilusão.. Arcanjo Gabriel – que traz a boa noticia , apresenta a Deus os nossos pedidos. Arcanjo Rafael – nos defenda das potências do mal, das doenças e nos acompanhas nas viagens.    Os Anjos da Guarda – nos protege e são encarregados  de nos guardar e de nos levar a salvação.




Queda dos Anjos e Sua Expulsão do Céu
Quando ouve a batalha no céu que Miguel e seus anjos que tiveram que  combater contra o dragão e os seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. Com isto o dragão , chamado Satanás(Lúcifer  do latim = porta-luz e  do grego eosfóro =  porta-aurora) , a antiga serpente, o sedutor do mundo inteiro. foram precipitados na terra e com ele os seus anjos(Apc 12,7). Deus não tirou deles seu poder angélicos , com isto na sua revolta  usaram de seus poderes para o mal, para destruir o reino de Deus e seus filhos, agora nos podemos descobrir em que áreas eles atacam.
“ Nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, poderes, dominações da trevas, contra as forças espirituais da malignidade nas alturas celestes”(Ef 6,12). Nesta queda se dá a conta de que um terço dos anjos celeste decaíram . Sabe-se que os únicos que não decaíram forma os Arcanjos – Miguel, Gabriel e Rafael.
Então agora nos podemos perceber nitidamente de onde vem o poder de Lúcifer, ou Satanás (Demônio) e seus anjos , já subtendendo que não é um poder ilimitado ,  esta escrito de que diz ele ser  um deus deste mundo e se faz passar por príncipe deste mundo, isto ocorreu também na tentação de Jesus no deserto por quarenta dias e noites (Lc 4,1-13), no   versículo 6  disse-lhe ( Demônio) a Jesus para tenta-lo mostrando o seu reino; “ dar-te-ei todo este poder e a glória desses reinos, porque este me foram dados, e dou-os a quem quero”. Que reino é este que parecia belo e sedutor.  Sabemos que seu reino é a morte, a destruição da vida plena, é um reino de encantamentos , fantasias e de sonhos. Vemos que ele tende a conquistar as pessoas para formar o seu reino e o mesmo acontece com seus anjos decaídos. “



Poder Angélico deforma na sua Queda

Assim como ele atacou Jesus nas tentações, seduziu nossos primeiros pais Adão e Eva no paraíso, da mesma forma ele vai querer agir conosco, usando uma  estratégia da sua potencialidade sedutora para corromper o coração do homem, onde os anjos decaídos, “sabendo  que o dragão que varria com sua calda uma terça parte das estrelas do céu e as atirou na terra(Ap 12,4) ( Um terço dos anjos celestes, são esta estrelas que decaíram ) e se colocaram a seu serviços os que eram  de toda a milícia angélica, que se deixaram serem seduzidos;  assim  decaído:    Os Serafins  transformaram em anjos malignos para instigarem aos homens a blasfêmia a Deus, culpar Deus por seus fracassos.                                                                                                                     Os Querubins  decaídos , faz o homem romper a aliança de amor com Deus e  entrar na impureza, nas devassidão, adultério, viver a injustiça.     Os Tronos – este anjos revoltados contra Deus ao decair,  estimulam a corrupção nos governantes, perseguições políticas,  as divisões nas igrejas , nos lares, nas cidades, estado e no país. .    Dominações –  na sua revolta ao ser precipitado na terra querem destruir o reino de Deus,  buscam tudo que é profanação, separações e divisões nas igrejas, perseguições religiosas, guerra religiosas, tudo que existe para criar revoltas contra Deus.                                                                              Virtudes – foram deformados na sua essência e se transformaram  em anjos  que vem para criar  desânimo espiritual , bloqueios nas orações , decepções religiosas, abandonos das igrejas, enfraquecimento da fé.      Potestades –  de anjos guerreiros agora são destruidores, e se transformaram para  criar obstáculos e esfriamento na fé, nos desígnios de Deus, tudo que dificulta a santidade das pessoas, criar morosidade ,  fazer a pessoa culpar  Deus por seus fracassos.   Principados –  de anjos que nos ajudava a reinar, deformou em criaturas  para fazer a pessoa se sentir inútil, sem vontade de viver, que nada tem jeito, que nascemos para sofrer, que o mundo não tem mais jeito, faz a pessoa se sentir um derrotado. Estas são as suas armas, seus desígnios, nada mais do que isso podem fazer, pois é necessário a aceitação do homem em se resignar aos seus caprichos.   Os Anjos da Guarda – quando decaíram  uma porção deles se transformaram em perseguidores  dos homens, fazendo  com que  fique obscurecido  sua visão e culpem a Deus pelos seus fracassos e sofrimentos, buscando assim a corrupção do homem e seu afastamento a Deus.
Hoje este anjos decaídos de qualquer hierarquia perderam seus desígnios em Deus, se deformaram, não tem mais a identidade da beleza de Deus , mas continuam com seus poderes, hoje usados na malignidade(Ef 6,12), mas na maiores com os nomes também deformados. Exorcismo
         Creio que  precisamos  ter melhor idéia de quando tratamos do Exorcismo, quando ele é necessário. Sabemos antemão que  o Exorcismo  é uma  Celebração  de um Ritual  dentro da Igreja  por  um padre  exorcista  e  sua  equipe  de trabalho. Podemos  dizer  que  este ritual faz  parte da  grande  misericórdia de Deus  para  os  seus filhos  dominados  pelo  maligno no caso  da possessão.
         É  o  Exorcismo que rompe todas as cadeia na libertação do homem, podemos dizer que é arma letal de Deus, é a oração da Igreja, usada pelo Sacerdote Exorcista  para os casos de Possessão, a oração do exorcismo é um ritual, é chamada de exorcismo maior.
         A  possessão  é  uma  situação extremamente  difícil  e  muito  delicada  de  diagnosticar e que  precisa  de muita  experiência, ainda  por  cima  a pessoa  necessita de ter passado  por  um  bom atendimento médico e ter  sido  diagnosticada,   antes  de  qualquer  prejulgamento  espiritual  de  necessidade de um  exorcismo ,  vamos descrever  mais  sobre  este  assunto,  para o entendermos melhor.
          Outras necessidades de usar desta Oração de Exorcismo , só quando decidida como esta no ritual a forma Imprecativa em circunstâncias especiais para toda  a comunidade, determinada pelo Bispo ou Sacerdote Exorcista, e pode ser usada esta Oração em outros casos em que pessoas que tiveram Obsessão muito fortes pelo oculto, ou no caso de pessoas que já se manifestou a Opressão, isto depende do Exorcista, do seu discernimento para cada situação.
 Oração de libertação, não estamos falando do Exorcismo, mas de orações  que em necessidades de libertação são usadas tanto pelo Sacerdote Exorcista, outros Sacerdotes e pelos Leigos que tem  este ministério de oração  para  a  libertação, podemos chamar esta orações  como João XX111 , de “pequenos exorcismo”, não queremos este nome se fixe, portanto será para nós Orações de Libertação. Ela é de grande eficácia para os casos de : Contaminação, obsessão e de até opressão, até mesmo sem necessidade de fazer o Exorcismo ,são também orações de renuncias, libertação  de votos íntimos, quebra de maldições, libertando das contaminações e com os envolvimentos ocultos. 
         Cura Interior- que é um processo mais longo,  e que é  a  necessidade  de muitas pessoas, e  temos  que  envolver as  vezes  muitas  pessoas,  profissionais da saúde, médicos, psicólogos, as vezes psiquiatras , medicamentos,  terapias, sacerdotes, leigos que tem  o dom de Orar pelo Cura Interior.
         A Cura interior-  falamos das  nossa  feridas  emocionais, ao  longo da  nossa  vida,  iniciando  desde  o ventre  materno e  por todas  as outras  feridas  que nos  aconteceram. E  podemos  afirmar  que são estas  feridas  90% de todos  os  nossos  sofrimentos e que nos  levaram a buscar a  contaminar  mais   ainda,  com a busca  de curas para nos, em  lugares  e com pessoas  erradas.
         E  temos  que  saber que  a Cura Interior e a libertação andam juntas. Sem um profunda Cura Interior  a Libertação total não acontece e sem a Oração de Libertação pode não acontece a cura interior.
         No decorrer da abordagem dos temas, poderemos compreender melhor o significado de cada situação, para sabermos usar de cada oração na sua eficácia sublime, e também para não ser confundida o seu uso, a sua necessidade. É importante que tanto os Leigos como os Padres sejam formados neste contexto, para que não haja exagero nesta questão.
Poder Angélico
Os anjos que são criaturas de Deus ao seu serviço que tem os seu poderes limitados na sua função angélica, cada milícia atuam de forma sistemática como defensores do reino de Deus, não só no céu como também neste mundo. A sua ações são definidas nas hierarquia celestes com serviços distintos.
A pesar de habitarem no céu e na intimidade de Deus, os Anjos não conhecem todos os segredo do Rei(Tob 12,11), que Deus costuma revelar aos seu amigos: Abraão(Gn 18,17) e ao Apóstolos(Jo 15,15), até mesmo Jesus nos revela que a respeito da hora de sua vinda gloriosa, nem Ele e nem os anjos sabem(Mt 24,26). É importante conhecermos as suas funções e suas ações em favor de Deus e dos homens para invoca-los em nosso favor no combate.
Serafins – tem sua função que só nos entreguemos ao louvor a Deus, que nos abrasemos neste amor e nos estimula no serviço a Deus, isto significa que quando estamos no louvor a Deus eles participam cantando louvores, entoam seus cantos juntos.” São o coro que entoam um cântico de Santo, Santo, Santo, Senhor dos exército..(Is 6,1-4).
Querubins – são os defensores que nos ajudam na tentações contra a fé , pureza e os escrúpulos
Tronos – são os que ajudam e iluminem os governantes, bispos, responsáveis por comunidades religiosas., juizes, as autoridades civis.
Dominações – que ajudam nos esclarecimentos, na compreensão, também pelos que se empenham em difundir o reino de Deus
Virtudes – que ajudem a melhorar nossa vida espiritual, dando-nos coragem e força para cumprirmos as resoluções, estimula as pessoas a se deixarem banhar no Espírito Santo.
Potestades – que ajudam a remover os obstáculos que possam impedir a execução dos desígnios de Deus, desfazem as armadilhas e ciladas do inimigo(Satanás), ajudam as pessoas a santificarem.
Principados – que defendam e protejam os países , cidades , as igrejas, as casas, para que os filhos de Deus reine sobre todas as coisas, como filhos de um reino de graça.
Os Arcanjos – Miguel que combatem por , nós e o príncipe do inferno desfazendo toda mentira e ilusão.. Arcanjo Gabriel – que traz a boa noticia , apresenta a Deus os nossos pedidos. Arcanjo Rafael – nos defenda das potências do mal, das doenças e nos acompanhas nas viagens.
Os Anjos da Guarda – nos protege e são encarregados de nos guardar e de nos levar a salvação.
Os Anjos estão presente em todo transcurso da história da salvação: alguns executando o plano de Deus e prestando continuamente celeste e poderosa ajuda à Igreja; alguns, decaídos, chamados demônios, que, opondo-se a Deus, à sua vontade de salvação e ao cumprimento da obra em Cristo, tentam associar o homem à própria rebelião contra Deus.
Na Sagrada escritura, o Diabo e os demônios são identificados com vários nomes, alguns dos quais, de certa forma, indicam sua natureza e função. O Diabo, chamado, Satanás, antiga serpente e dragão, aquele que seduz o mundo todo e luta contra os que observam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus(Ap 12,8-9). É designado adversário dos homens1Pd 5,8) e homicida desde o princípio( Jo,8,44), porque, pelo pecado, tornou o homem sujeito à morte. Já que por suas insídias provoca o homem a desobedecer a Deus, o mau é chamado de Tentador(Mt 4,3), de mentiroso e pai da mentira(Jo 8,44), que age sagaz e falsamente, como prova a sedução de nossos a pais(Gn 3,4.13), que se esforçou por desviar a Jesus da missão recebida do Pai)Mt,4,1-11 ; Mc 1,13) e por fim, sua transfiguração em anjo da Luz(2Cor 11,14). Chama-se ainda príncipe deste mundo(Jo 12,31), isto é,, do mundo que está sob o poder do maligno(1 Jo, 5,19) e que não conheceu a verdadeira luz. Enfim, seu poder é indicado como poder das trevas(Lc 22,53), pois odeia a Luz, que é Cristo, e arrasta os homens para as próprias trevas. Os demônios, porém, que com o Diabo não observam a autoridade de Deus(Jd 6), foram condenados(2Pd 2,4) e constituem os espíritos malignos(Ef 6,12), pois os que pecaram foram criados, como espíritos, e são chamados anjos de Satanás( 2Cor 12,7; Ap 12,7), o que também pode significar que a missão lhes tenha sida confiada por seu maligno príncipe.
A vitória do Filho de Deus destruiu(1Jo3,8) os atos de todos esses espíritos imundos e sedutores(MT 10,1; Mc 5,8,Lc 6,18). Embora “uma árdua luta contra as forças das trevas perpasses toda a história dos homens, luta que há de continuar até o último dia”, Cristo, por seu mistério pascal de morte e ressurreição, nos arrancou da servidão do Diabo e do pecado, destruindo o seu poder e libertando todas as coisas da influência maligna. Mas como ação prejudicial e contrária do Diabo e dos demônios atinge as pessoas, as coisas e os lugares e se manifesta de forma diversa, a Igreja, ciente de que “os dias são maus(Ef 5,16), sempre orou e ora para que os homens libertem das insídias do Diabo.

Único padre exorcista do RJ explica técnicas do ritual: "não é mágica"

"O exorcismo não é mágica. Ele é um processo de conversão, de mudança de vida. É um tratamento que pode durar um mês ou muitos anos", explica padre Geovane Ferreira, 35, o único religioso do Estado do Rio de Janeiro autorizado pelo arcebispo Dom Orani João Tempesta a praticar o exorcismo.
Há onze anos, o padre comanda a Paróquia Sagrada Família, na favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, zona norte da capital fluminense. Segundo ele, existem duas formas de se fazer o exorcismo: uma em menor escala, na qual é possível alcançar a cura com orações de libertação, e outra maior, em que é necessário um ritual.
A primeira ocorre para casos de opressão, quando "aquela voz [interior] fica te levando a pensar e agir mal", e de obsessão, no qual as pessoas são obsessas "por dinheiro ou por prazer". Já o exorcismo maior é feito por conta de possessão do demônio.
"O demônio toma todo o corpo da pessoa. Ela muda de voz, fala línguas que nunca estudou e começa a saber coisas ocultas. Uma das técnicas que a gente faz, quando quer saber se a pessoa está possuída, é esconder alguma coisa dentro do bolso e perguntar ao demônio o que é", explicou o padre. "Se ela realmente tiver o demônio, ela vai dizer. Se for só a pessoa, ela nunca vai saber."

Antes de o exorcista atender o paciente, o religioso explica que há uma análise do caso, por parte de membros da igreja e de uma equipe formada por psiquiatras, psicólogos e neurocirurgiões. Após a comprovação da possessão do demônio, o padre está autorizado a fazer o ritual.

"A sessão é feita em lugares reservados, por um exorcista, com a ajuda de pelo menos um psicólogo e um neurocirurgião ou profissional médico para analisar o que está acontecendo. O corpo pode passar mal, ter algum distúrbio de pressão alta, de desmaio. Às vezes é necessário que alguém segure a pessoa para que ela não se machuque", disse. "Há casos em que a pessoa começa a bater a cabeça na parede, no chão."
Durante o ritual, que não tem tempo estimado de duração, o padre se veste com uma estola e usa crucifixo, água benta, óleo e sal exorcizados. É necessário que o paciente aceite participar. "A família pode até trazer, mas para ter a libertação, é necessário que a pessoa queira", diz o padre.

"Toda possessão [pelo demônio] tem que ter o querer da pessoa. Em algum momento, ela tem que dizer: "Eu quero". Deus nos fez livres", explica o religioso. "O demônio só pode nos tomar essa liberdade se a gente deixa. Pode ser por um pecado, por um desejo pessoal, por um pacto com o demônio. Muitas pessoas pedem que o demônio dê dinheiro."
Nos anos 60, houve uma atualização do manual com o que havia de novo na ciência, segundo padre Geovane, que trabalha com exorcismo desde 2005. Há dois anos, ele estudou o tema em um curso de duas semanas que fez em uma universidade católica, em Roma.
"Comecei acompanhando padre Nelson [Rabelo, 92, antigo exorcista do Rio de Janeiro], em 2005. Rezava, ficava ao lado só para estar junto. Quando ele ficou doente, há quatro anos, eu comecei a atender oficiosamente", explicou o padre Geovane. "O bispo viu que era um dom de Deus e me chamou para ser exorcista. Fui para Roma fazer o curso e voltei pertencendo ao Conselho Internacional dos Exorcistas e exercendo o exorcismo oficialmente."
Na Itália, o religoso participou de um ritual de exorcismo como ajudante. No Rio de Janeiro, o religioso conta que não tratou de nenhum paciente. Ainda. Ele espera, para as próximas semanas, o laudo final da equipe de psicólogos, psiquiatras e neurocirurgiões que vai dizer se um homem que frequenta a paróquia tem esquizofrenia ou possessão pelo demônio. Os profissionais que trabalham com o padre não são fixos. Eles são conhecidos que o ajudam quando chega um caso. "Um deles não é nem católico", afirma.
Em São Paulo, padre Geovane foi chamado há alguns anos para tratar de um homem. "Atendi, durante um mês, um caso em São José do Rio Preto [SP]. O rapaz era satanista e comia vísceras de bebês mortos. Não sei onde e nem como ele comprava, mas ele fez um pacto com o diabo, comeu vísceras, fez oferenda de vários animais e disse que queria pertencer ao demônio", lembra o padre. "Ele tinha uma força muito grande, 20 homens não conseguiam contê-lo. Ele conseguia falar alemão, francês e italiano, sem nunca ter aprendido. Não falava português direito. Ele sabia de coisas escondidas, de pecados de várias pessoas que estavam presentes e que ninguém sabia. Hoje ele dá testemunho e está totalmente liberto."

Conselho Nacional dos Exorcistas

Nas últimas semanas, além dos trabalhos na comunidade da Maré, ele também está envolvido com a preparação da Jornada Mundial da Juventude. Cerca de 68 pessoas que trabalham como voluntárias durante o evento, provenientes de vários Estados do Brasil, estão hospedadas na paróquia.
Assim que a Jornada acabar, Padre Geovane conta que continuará a fazer um trabalho que parou por conta do evento. Junto a mais quatro padres do Brasil, ele está procurando outros exorcistas em cada diocese do país. Segundo ele, há mais de 300 dioceses no Brasil, e a dificuldade de se contactar com elas é imensa, pois muitas não têm sequer telefone. O objetivo do grupo é achar todos os padres que praticam o exorcismo no país, reuni-los e formar um Conselho Nacional dos Exorcistas.
"Na Itália, existe um programa de televisão, no qual o exorcista fala sobre o assunto e explica como funciona. No Brasil, falar de exorcismo é um tabu. Tudo aquilo que você não conhece direito se torna nebuloso", explicou. "Durante muito tempo, se pensou na não existência do demônio, não na existência do mal. A sociedade da América Latina quis responder a muitos problemas apenas com a psiquiatria e a psicologia. O demônio ficou muito mal pensado."

Rio: briga entre bem e mal

Durante os últimos 11 anos trabalhando dentro do Complexo da Maré e às margens da Linha Vermelha, uma das vias expressas mais importantes para quem chega à capital fluminense, o padre conta que nunca teve problemas com o tráfico de drogas do local. "Eles nos respeitam muito, nunca fizeram nada contra a gente." Formado por 15 comunidades com 130 mil moradores, o Complexo da Maré é dominado por duas facções de traficantes de drogas e uma milícia. Cortado pelas três principais vias expressas do Rio (avenida Brasil e Linhas Vermelha e Amarela), o conjunto de favelas é rota obrigatória para quem chega ao Rio pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, e precisa se deslocar para o centro, a zona sul ou à Barra da Tijuca, na zona oeste.

No dia 25 de junho, após a operação do Bope, membros de ONGs que atuam na Maré revelaram que há menos de um mês a PM realizou uma reunião com representantes de todas as associações de moradores do complexo. O encontro foi em uma universidade particular, no Centro do Rio. Na ocasião, foi dito que a Maré começará a ser ocupada pelas forças de segurança em agosto, logo depois da Jornada Mundial da Juventude.

"Eu exorcizaria tudo o que está de errado na cidade do Rio de Janeiro. Essa briga entre o bem e o mal é muito grande. Em determinados momentos, o mal consegue um espaço para fazer o que ele quer", afirma. " Foi muito bonito o povo sair para reivindicar, mas é muito triste ver que nosso povo perdeu a noção do que estava fazendo e começou a quebrar tudo", diz o religioso sobre as recentes manifestações na cidade.

Benção, e não exorcismo

Em maio deste ano, o canal "TV2000", da CEI (Conferência Episcopal Italiana), divulgou que o papa Francisco havia realizado "uma prece de libertação do demônio ou um autêntico exorcismo" em uma criança doente que assistiu à missa de Pentecostes na Praça de São Pedro do Vaticano.
Dias depois, o Vaticano declarou que o papa Francisco não havia realizado qualquer exorcismo: "simplesmente rezou por uma pessoa doente que foi apresentada a ele". "Ali não houve exorcismo, apenas uma benção. O ritual é feito de maneira reservada e não em público", afirmou padre Geovane ao ser questionado sobre o assunto.

sábado, 3 de maio de 2014

AÇÃO ORDINÁRIA E EXTRAORDINÁRIA DO DEMÔNIO

DEUS GOVERNA O MUNDO, respeitando sua ordem e suas leis; isto é, a normalidade, a simplicidade, o usual das coisas; tudo aquilo que sai desta linha e que parece maravilhoso, prodigioso, milagroso é excepcional, muito raro. Deus nos criou livres e espera de nós um livre consentimento à fé, sem que nisto sejamos influenciados por uma manifestação habitual do preternatural e do sobrenatural. Entretanto, para provar-nos, para que mereçamos a bem-aventurança eterna, como também, muitas vezes, para castigo nosso, permite Deus que o demônio nos atormente.
A inclinação para o mal nos provém de três causas: de nossa natureza, ferida pelo pecado original; do mundo e do demônio. Entretanto Satanás desperta em nós, continuamente, a tríplice concupiscência com insistentes tentações de soberba e orgulho, de luxúria, de avidez em todos os níveis.

Essa é a ação ordinária, comum, corrente do demônio — ou seja, a tentação. Além dela, pode o Maligno exercer uma ação extraordinária.

A ação ou atividade demoníaca extraordinária pode ser assim qualificada por duas razões: em primeiro lugar, pelo seu caráter surpreendente, sensacional, espetacular; em segundo, pela sua relativa raridade (se comparada com a ação ordinária). Estamos nos referindo à infestação e à possessão diabólica. Trataremos em primeiro lugar da tentação; a seguir, das duas formas de infestação - a local e a pessoal; no  capítulo seguinte, da possessão.
 


Capitulo 1: A tentação

“Bem-aventurado o homem que sofre (com paciência) a tentação.
porque depois que tiver sido provado, receberá a coroa da
vida, que Deus promete aos que o amam".
(Tiag 1,12)

A AÇÃO MAIS COMUM e constante do demônio, em relação ao homem, é a tentação. Por esse seu aspecto comum e também por ser a mais freqüente, pode-se chamá-la de ação ordinária do demônio.

Natureza da tentação

Em seu sentido etimológico, tentar alguém significa pô-lo à prova para que se conheçam suas disposições ou qualidades.

Tentação probatória e tentação enganadora ou sedutora

Santo Agostinho estabeleceu uma distinção, que se tomou clássica, entre a tentação probatória (tentatio probationis) e a tentação enganadora ou sedutora (tentatio decepcionis vel seducionis).

A tentação probatória não visa levar ao pecado, e sim tornar patente a virtude de alguém ou fortalecê-la por meio da provação.  Nesse sentido é que se pode falar de tentação de Deus, como, por exemplo, as provações que o Criador, servindo-se do demônio, enviou a Jó para provar sua fidelidade (cf. Jó 14, 1 ss).

Pode-se falar também de tentar a Deus quando se pretende pôr Deus à prova, exigindo dele um milagre ou uma ação extraordinária, com o fim de satisfazer nossa curiosidade, nossos caprichos, ou livrar-nos das conseqüências de nossas irreflexões ou imprudências. “Tentar a Deus — escreve D. Duarte Leopoldo e Silva - é expor-se ao perigo, a grandes tentações, sem necessidade, e depois pedir um milagre para não sucumbir. Deus protege no perigo, mas nem por isso devemos expor-nos temerariamente, porque, diz o Espírito Santo, quem ama o perigo nele perecerá” . (Con. Duarte LEOPOLDO E SILVA, Concordancia dos Sanctos Evangelhos, Escola Typographica Salesiana, São Paulo, I edição, 1903.)


A tentação enganadora ou sedutora visa levar o homem à ruína espiritual; ela propõe-lhe um mal sob a aparência de um bem, procurando arrastá-lo ao desejo desse mal, isto é, ao pecado. Pode, então, ser definida como uma incitação ao pecado. Consiste em um estímulo, uma solicitação da vontade para o mal.

Quando procede de nós mesmos (tentação interna), pode ser indicada mais bem como inclinação, arrebatamento, estímulo; se provém de outros inclusive do demônio podemos referir-nos a ela como convite, solicitação, incitação.

Causas naturais da tentação: o mundo e a carne

Nem todas as tentações que o homem padece provém do demônio; também o mundo e a carne têm nelas uma grande parte: "Nem todos os pecados são cometidos por instigação do demônio, mas alguns são cometidos pela livre vontade e corrupção da carne” - ensina São Tomás. (Suma Teológica, 1,q.114,a.3.)

A raiz mesma da tentação está na própria natureza humana, livre porém demasiado frágil, sobretudo depois que decaiu de sua integridade, em conseqüência do pecado original. “Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e o alicia” - escreve o Apóstolo São Tiago (Tiag 1, 14), que repete a mesma idéia pouco à frente: “De onde vêm as guerras e as contendas entre vós? Não vêm elas das vossas concupiscências que combatem em vossos membros?” (Tiag 4, 1).

São Paulo descreve em termos dramáticos essa terrível realidade: "Sinto imperar em mim unia lei: querendo fazer o bem, eis que o mal se apresenta a mim. Segundo o homem interior, acho satisfação na lei de Deus; mas em meus membros experimento outra lei que se opõe à lei do meu espírito e me encadeia à lei do pecado que reina em meus membros” (Rom 7, 21-24)*

*“São Paulo descreve a luta que se trava no interior do homem entre a carne e o e espírito. O homem reconhece a justiça e a bondade da lei, mas a concupiscência excita-o fortemente a desobedecer-lhe” (Pe. MATOS SOARES). A carne, aqui, significa a natureza humana decaída em conseqüência do pecado original, que a tornou desregrada. De si, a carne ou seja, a natureza humana é boa, pois criada por Deus.

Essa a lei da carne

Também o mundo procura arrastar-nos ao pecado, pois "está  sob o jugo do maligno” (1 Jo 5, 19), e “a amizade deste mundo é inimiga de Deus” (Tiag 4, 4). Se rompermos com o mundo ele nos perseguirá, adverte o Salvador, pois não somos do mundo (Jo 15, 19). Por isso, Jesus disse expressamente que não rezava pelo mundo (Jo 17, 9). Um homem pode ser tentador de outro homem, segundo o espírito do mundo. Foi o que fez São Pedro, procurando desviar o Senhor do caminho da Cruz: “A partir daquele momento, começou Jesus a revelar a seus discípulos que era necessário que fosse a Jerusalém, padecesse muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos escribas, e fosse condenado à morte, e ao terceiro dia ressuscitasse. Pedro, tomando-o à parte, começou a admoestá-lo, dizendo: ´Deus te livre, Senhor! Isto não te pode acontecer!´Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: 'Retira-te de mim, Satanás! Pois és para mim obstáculo (isto é, tentação); os teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!' “ (Mt 16, 21-23). Somos, pois, tentados pela nossa própria fragilidade, pelo nosso temperamento, nossa índole, formação, ambiente, familiares, amigos, situações e ocasiões; em uma palavra: pela carne e pelo mundo.

A tentação demoníaca

Porém, conforme ensina o Apóstolo, “não temos que lutar somente contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares.. “(Ef 6, 10-11). É fora de dúvida que muitíssimas tentações são obra direta do demônio, cujo oficio próprio — diz São Tomás — é tentar. (Suma Teológica, 1,q. 114,a.2.) A maior parte da atividade demoníaca se concretiza na tentação. Por isso o demônio, no Evangelho, é chamado tentador (cf. Mt 4, 3). As demais causas da tentação — o mundo e a carne — podem atuar dependentemente umas das outras; entretanto, é comum que, nas tentações, a atração do mundo se una à revolta da sensualidade, e a ambas se some a ação aliciante do demônio.


De tal modo que, embora os teólogos aceitem no plano teórico a possilidade de a tentação poder ter uma causa apenas natural o mundo ou a carne sem entrar necessariamente a ação do demônio, no plano prático, em geral, admitem que o Maligno, sempre à espreita, se aproveita de todas as circunstâncias para cavalgar a tentação e aumentar a sua intensidade ou malícia. De onde a advertência de São Paulo: “Se sentirdes raiva, seja sem pecar: não se ponha o sol sobre vossa ira, para não dardes oportunidade ao demônio” (Ef 4, 26-27).


O homem diante da tentação

A tentação não é pecado

A tentação, de si mesma, obviamente não é pecado. Pois o próprio salvador permitiu ser tentado pelo demônio (Mt 4, 1-11; Mc 1, 12-13; Lc 4, 1-13). Como dissemos, o demônio não pode agir diretamente sobre a inteligência ou a vontade humanas e por isso procura influenciá-las por meios indiretos, em seu escopo de fazer-nos pecar. Mesmo podendo resistir ao tentador, o homem freqüentemente se deixa seduzir. Para nos tentar, o demônio pode excitar a imaginação de modo a formar nela imagens e representações lúbricas ou perturbadoras; interferir em movimentos corporais que favoreçam os maus atos ou maus pensamentos, intensificar as paixões, procurar enredar-nos em sofismas, em erros, etc. Entretanto, o homem não é culpado das tentações que sofre, a não ser quando elas são conseqüência de imprudências, permitidas ou procuradas voluntariamente, por exemplo, com olhares indevidos, freqüência a lugares perigosos, más companhias, etc. Do contrário, ele só será culpado nos casos em que der um consentimento pleno e deliberado ás solicitações das tentações.*


*“Três coisas devemos distinguir na tentação: a sugestão, a deleitação e o consentimento. A sugestão não é um pecado, porque não depende da nossa vontade, A simples deleitação, quando involuntária, também não é pecado. Só o consentimento é sempre criminoso, porque depende exclusivamente de nós o aceitar ou não a sugestão do pecado" (Con. Duarte LEOPOLDO E SILVA, op. cit., p. 34, n. 5).

Por mais intensa que seja uma tentação, se o homem lutou contra ela o tempo todo, não cometeu a menor falta; pelo contrário adquiriu méritos para sua santificação, segundo escreve São Tiago Apóstolo: “Bem-aventurado o homem que sofre (com paciência) a tentação, porque, depois que tiver sido provado, receberá a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam” (Tiag 1, 12).

Necessidade da vigilância e da oração

Devemos estar sempre alertas para enfrentar as provocações, como nos recomendou Nosso Senhor na hora de sua Paixão: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26, 41). O mesmo aconselha São Pedro: “Sêde sóbrios e vigiai, porque o demônio, vosso adversário, anda ao redor como um leão que ruge, buscando a quem devorar” (1 Ped 5,8). Vigiar, porém, não basta. É preciso resistir ao demônio: "Resisti ao demônio, e ele fugirá de vós” (Tiag 4, 7) — nos assegura São Tiago. “Resisti-lhe [ao demônio] fortes na fé” — manda São Pedro (1 Ped 5,9). E São Paulo exorta: “Revesti-vos da armadura de Deus para que possais resistir às ciladas do demônio. ... tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e ficar de pé depois de ter vencido tudo. Estai, pois, firmes tendo cingido os vossos rins com a verdade, e vestindo a couraça da justiça... tomai o escudo da fé com que possais apagar todos os dardos inflamados do maligno, tomai também o elmo da salvação e a espada do espírito ( que é a palavra de Deus)” (Ef 6, 11-17).

Deus não permite que sejamos tentados além de nossas forças

Devemos, entretanto, ter sempre presente esta consoladora verdade: é certo que Deus não permite sejamos tentados além de nossas forças. Este é o ensinamento de São Paulo: “Nenhuma tentação vos sobreveio que superasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças: mas, com a tentação, vos dará também o meio de sair dela e a força para que suportá-la” (1 Cor 10,13).
 A infestação


"Não temos que lutar somente
contra a carne e o sangue, mas sim
contra os principados e as potestades,
contra os dominadores deste mundo de
trevas, contra os espíritos malignos
espalhados pelos ares.. "
(Ef 6, 10-11)


A TERMINOLOGIA a respeito da ação extraordinária do demônio sobre os homens, as coisas e os locais, não é uniforme: alguns autores falam em obsessão, para designar essa atuação demônio, quer se trate de sua simples presença local, quer de atuação sobre o homem, mas sem possuí-lo, quer da possessão. Adotamos aqui a terminologia utilizada por Mons. Corrado Balducci, por parecer-nos  simples e direta: infestação local, infestação pessoal e possessão diabólica. (Cf Mons. C. BALDIJCcI, Gli indemoniati, p. 3; El diablo, pp. 156-158.)

Trataremos em primeiro lugar das duas formas de infestação — a local e a pessoal; no capítulo seguinte, da possessão.

Infestação local

A infestação local consiste em uma atividade perturbara que o demônio exerce diretamente sobre a natureza inanimada (reino mineral, elementos atmosféricos, etc.) e animada inferior (reino vegetal e reino animal), e também sobre lugares, procurando desse modo atingir indiretamente o homem, sempre em modo maléfico. Com efeito, todas as criaturas, mesmo as irracionais, por maldição do pecado, ficaram sob o poder do demônio (cf. Rom 8, 21ss). Assim, os lugares e as coisas, do mesmo modo que as pessoas, estão sujeitas à infestação demoníaca. E preciso não esquecer a atuação dos demônios dos ares, a respeito das quais nos adverte o Apóstolo: “Não temos que lutar somente contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares...” (Ef 6, 10-11).
Entram nessa categoria as casas e lugares infestados: objetos que voam ou se deslocam de lugar, sons estranhos ou perturbadores (passos, pedradas nas vidraças ou no telhado, uivos, gritos, gargalhadas); impressão de presenças invisíveis, sensação de perigos inexistentes, etc.; distúrbios visíveis, estranhos e repentinos que se verificam no mundo vegetal e no mundo animal (árvores ou plantações que secam repentinamente, doenças desconhecidas nos animais, pragas, etc.).
Certos fenômenos ou calamidades de aparência e estruturas naturais (tempestades, terremotos e outros cataclismos, incêndios, desastres, etc.) podem ter igualmente o demônio como autor, senão único direto (como na possessão), ao menos parcial e dirigente. Por exemplo, o raio que caiu do céu e consumiu os pastores e as ovelhas de Jó, do mesmo modo que o vento do deserto que fez cair a casa dos filhos do Patriarca, esmagando-os sob as ruínas, foram suscitados por Satanás (Jó 2, 16-19). Nesse caso, podem ser incluídos essas manifestações demoníacas extraordinárias. Muitas vezes, tais manifestações ocorrem em concomitância com casos de infestação pessoal ou de possessão diabólica.


Infestação pessoal (obsessão)

A infestação pessoal é uma perturbação que o demônio exerce, já não mais sobre o mundo material e as criaturas irracionais, mas sobre uma pessoa, diretamente, sem contudo impedir-lhe o uso da inteligência e da livre vontade. Apesar de ser excepcional, é talvez o mais freqüente dos três tipos de atividade maléfica extraordinária - isto é, infestação local, infestação pessoal, possessão. Como a infestação local, a pessoal também comporta graus de intensidade, e diversa modalidade.
A infestação pessoal pode ser externa ou física e interna ou psicológica, conforme se exerça sobre os sentidos externos ou internos e sobre as paixões do homem. Com freqüência, a infestação é simultaneamente externa e interna.

Na infestação externa ou física, demônio age sobre nossos sentidos externos: a vista, provocando aparições sedutoras ou, contrário, apavorantes; a audição, fazendo ouvir rumores, palavras ou canções obscenas, blasfêmias, convites, agrados ou ameaças; o tacto, com sensações provocantes, abraços, movimentos carnais; então dores, doenças, etc. Mas o demônio pode atuar também sobre os sentidos internos (fantasia e memória) e sobre as paixões. A infestação interna ou psicológica consiste em sugestões violentas e tenazes: idéias fixas, imagens expressivas e absorventes, movimentos profundos de emotividade e de paixão - por exemplo, desgostos, amargura, ressentimentos, ódio, angústias, desespero; ou, ao contrário, inclinação para algum objeto ilícito, ou inclinação, de si lícita, mas desregrada quanto ao modo e à intensidade. Comenta o Pe. Tanquerey: “A pessoa se sente, embora com desgosto, invadida por fantasias importunas, tediosas, que persistem não obstante os esforços vigorosos para afastá-las; ou então por frêmitos de ira, angústia, desespero, ímpetos instintivos de antipatia; ou pelo contrário, por perigosas ternuras sem razão alguma que as justifiquem” . (Adolphe TANQUEREY, Precis de Théotogie Ascétique ei Mystique. p. 958.)

Os acessos de melancolia e os transportes de furor que afligiam Saul, por obra de um demônio e por permissão divina ( cf. 1 Reis 16, 14-23), são característicos da infestação pessoal interna, infestação psicológica. Diferentemente do possesso, o infestado guarda a disposição de seus atos exteriores, embora em muitos casos tenha sua liberdade diminuída. Ele conserva o poder de reagir contra as sugestões do interior (por exemplo, sugestões de blasfêmias), de julgar sobre o valor moral destas sugestões, achando-as abomináveis. Uma das modalidades de infestação pessoal, talvez das mais freqüentes são as doenças, muitas vezes desconhecidas e incuráveis, que chegam a levar à morte, se Deus o permitir. É o que, aliás, lemos no livro de Já: “Disse, pois, o Senhor a Satanás: Eis que ele (Jó) está na tua mão; conserva, porém, a sua vida” (Jó 2, 6). As escrituras apresentam vários casos de tais enfermidades de origem de diabólica. Exemplo clássico, é a lepra que cobre de chagas o justo Jó, da planta dos pés até o alto da cabeça (Jó 2, 7-8). Seriam igualmente vítimas de infestação diabólica a mulher encurvada, atormentada pelo demônio havia dezoito anos, de tal sorte que não se podia endireitar, e que foi curada por Nosso Senhor (Luc 13, 11); o menino epilético (Mt 17, 14; Mc 9, 17; Luc 9, 38); o mudo (Mt 9,32); e o cego mudo (Mt 12, 22).

Mons. Balduecci se refere a doenças de origem demoníaca, por efeito de malefícios, observando que nestes casos os distúrbios são com freqüência de ordem física, sendo dificilmente diagnosticados pelos médicos; outras vezes se trata de inconvenientes que atacam a vida psíquica, a própria personalidade do indivíduo, tomando-o difícil, raivoso e até incapaz de atuar no âmbito de sua vida familiar e social. (Cf. Mons. C.BALDUCCI, El diablo, p. 184.) Convém precisar que muitas das manifestações acima descritas, embora próprias às infestações locais ou pessoais, não são exclusivas delas e nem sempre são de origem demoníaca; várias anomalias de ordem psíquica (ilusões, alucinações, delírios) podem se externar pelos mesmos fenômenos; um cuidadoso exame do indivíduo e das circunstâncias que acompanham os fatos poderá revelar a origem natural patológica ou demoníaca dos distúrbios.

Vítimas prediletas da infestação

Se bem que qualquer pessoa possa ser vítima desse tipo de tormento diabólico, Mons. Balducci indica três categorias de pessoas que estariam mais sujeitas a ele: os santos, os exorcistas e demonólogos, e os maleficiados (vítimas de malefício). Os santos, por causa do ódio que o demônio tem daqueles que de modo especial amam a Deus e procuram a perfeição; isto, do lado da intenção do demônio; do lado da permissão divina, esta é dada como provação especial a almas muito eleitas. Vários santos a experimentaram. Entre os antigos, basta lembrar Santo Antão; do mesmo modo Santa Catarina de Siena (1347-1380); São Francisco Xavier (1506-1552); Santa Teresa de Jesus (1515-1582); Santa Maria Madalena de Pazzi (1566-1607); São João Batista Vianney, o Cura d’Ars (1786-1859) São João Bosco (1815-1888); Santa Gemma Galgani (1878-1903)*.

Os exorcistas e demonólogos: a razão é tão óbvia que quase não é preciso dá-la; os primeiros, com seu ministério, fazem diminuir a presença do demônio no mundo e libertam suas vítimas; os segundos, com seus estudos, esclarecem os fiéis com relação à existência e atividade demoníacas.

Os maleficiados (vítimas de malefício), por permissão de Deus, para seu castigo, ou provação, ou para manifestar o poder divino. (Cf. Mons. C. BALDUCCI, El diablo, p. 179.)

* Esta Santa leiga, grande mística, recebeu os estigmas da Paixão, tinha freqüentes visões de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, e um comércio quase contínuo com seu Anjo da Guarda. Foi muito atormentada pelo  demônio que a espancava com uma vara durante horas e horas, às vezes a noite inteira, causando-lhe profundas esquimozes no corpo, que duravam vários dias, até que Nosso Senhor as curasse. Perseguia-a por toda a parte, em casa, na rua, na igreja, com aparições, assumindo o aspecto de um cachorro, de um gato, de um macaco, de pessoas conhecidas, ou de homens ferozes e espantosos. Várias vezes um desses homens horríveis a jogou na lama quando saia de casa para ir comungar. O demônio lhe aparecia também sob a figura de seu confessor, Mons. Volpi e outras debaixo da aparência do Anjo da Guarda, chegando a confundi-la; de certa feita o Maligno assumiu a figura de Jesus flagelado, com o coração aberto e todo ensangüentado, para pedir-lhe maiores penitências, com a dupla finalidade de fazer deteriorar sua já delicada saúde e incitá-la a desobedecer o confessor que as havia proibido (Mons. C. BALDUCCI, El diablo PP. 179-181).
 A possessão


“E pela tarde apresentaram-Lhe
muitos possessos do demônio".
(Mt 8, 16)

A POSSESSÃO é a mais espetacular das manifestações diabólicas e a que mais impressiona as imaginações; a tal ponto, que deixa na penumbra o trabalho constante do demônio que, por meio da tentação, procura seduzir os homens ao pecado.

Realidade da possessão diabólica

No que se refere à possessão diabólica, há duas posições erradas que é preciso evitar: a primeira, consiste em acreditar com facilidade que uma pessoa está possessa, sem maior exame, pela impressão causada por sintomas que podem bem corresponder a outros estados, não sendo de si suficientes para caracterizar a possessão; a segunda posição está em negar que hoje ocorram casos de possessão; chega mesmo a negar que alguma vez se tenham dado. Esta posição extremada se choca com uma verdade claramente ensinada pela Sagrada Escritura, pela Tradição e pela prática da Igreja. Os racionalistas pretendem que os casos de possessão diabólica relatados na Escritura não passam de casos patológicos — mania, loucura, histeria e epilepsia. Dizem que Jesus não pretendia que esses infelizes enfermos, chamados endemoniados, estivessem realmente possessos, mas tratava-os de acordo com as convicções dos seus contemporâneos, os quais acreditavam na ação demoníaca.

Nada mais falso, e os Evangelistas distinguem bem entre a doença e a possessão.

Assim, São Marcos escreve: “E de tarde, sendo já posto o sol, traziam-lhe (a Jesus) todos os que estavam doentes e os possessos do demônio E curou muitos que se achavam oprimidos com varias doenças e expeliu muitos demônios” (Mc 1, 32-34). E em São Mateus está escrito: “E pela tarde apresentaram-lhe muitos possessos do demônio, e ele com a (sua) palavra expelia os espíritos maus, e curou todos os enfermos” (Mt 8, 16). Do mesmo modo São Lucas: “E quando foi sol posto, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias, traziam-lhos. E ele impondo as mãos sobre cada um, sarava-os. E de muitos saíam demônios gritando” (Lc 4,40-41).

É evidente nestas passagens que os Evangelistas se referem à cura de doentes e à expulsão de demônios como dois casos diferentes. De resto, o próprio Salvador afirma que expulsava os demônios dos possessos. Por exemplo, aos judeus incrédulos disse Jesus: “Se eu, porém lanço fora os demônios pela virtude do Espírito de Deus, é chegado a vós o reino de Deus” (Mt 12, 28). “Se eu, pelo dedo de Deus lanço fora os demônios, certamente chegou a vós reino de Deus”(Lc 11,20).

E Ele mesmo distingue bem os casos de doença dos de possessão, ao dizer: “Eis que eu expulso os demônios e opero curas” (Lc 13, 32). A Liturgia e a prática da Igreja, com a instituição dos exorcismos, bem como o ensinamento dos teólogos, indicam que Ela crê na possessão diabólica. Ao mesmo tempo, estabelecendo que os exorcismos sobre possessos não sejam feitos senão depois de maduro exame e mediante especial autorização, a Igreja indica que não se deve crer levianamente nos casos de possessão.


Em resumo, que se tenham dado alguns casos, pelo menos de verdadeira possessão diabólica, como os relatados nos Evangelhos, é verdade de fé; que depois se tenham dado outros, é doutrina comum dos teólogos, que não pode ser negada sem temeridade.

Natureza da possessão

A possessão consiste em um domínio que o demônio exerce diretamente sobre o corpo e indiretamente sobre a alma de uma pessoa. Esta se converte em um instrumento cego, dócil, fatalmente obediente ao poder perverso e despótico do demônio.
O indivíduo em tal estado é chamado justamente possesso, endemoniado, enquanto instrumento, vitima do poder demoníaco, ou energúmeno, porque mostra uma agitação insólita.

Características

A possessão se caracteriza por dois elementos: a) presença do demônio no corpo do homem; b) exercício de um poder por parte demônio sobre o mesmo.

Quanto â presença demoníaca, ela não significa uma presença física, como anjo (decaído), o demônio é puro espírito; sua presença se dá pelo contacto operativo, isto é, o demônio está onde atua desse modo, o demônio pode desenvolver sua atividade por toda a parte, tanto fora como dentro dos corpos humanos. Sendo assim, um indivíduo pode  estar possuído por vários demônios (os quais operam simultaneamente sobre ele, embora sob aspectos diversos), como um só demônio pode possuir várias pessoas (atuando sucessivamente sobre cada uma delas).

O modo como se opera a possessão é explicado por São Tomás de Aquino:

"Os anjos bons e os maus têm o poder, em virtude de sua natureza, de modificar nossos corpos, como qualquer outro objeto material. E como eles estão presentes num lugar na medida em que operam nele, assim eles penetram em nossos corpos. Do mesmo modo, ainda, eles impressionam as faculdades ligadas a nossos órgãos: às modificações dos órgãos respondem as modificações das faculdades. Mas a impressão não chega até à vontade, porque a vontade, nem seu exercício, nem em seu objeto, depende de um órgão corporal; ela recebe seu objeto da inteligência, na medida em que esta desentranha, do que ela percebe, a noção de bondade do ser”. (In 2dum Sent., Dist. VIII, q. un. a. 5, sol. apud L. ROURE, Possession Diabolique, col.)

Em outro lugar o Santo Doutor explica que o diabo não pode penetrar diretamente na alma do homem, pois isto somente a Santíssima Trindade pode fazer. (Suma Teológica, 3,q. 8,a.8)

Isto quer dizer que, na possessão, embora o demônio domine o corpo, sobretudo o sistema nervoso, e possa impedir o uso das potências da alma, ele não pode penetrar nela e obrigar sua vítima a cometer um pecado, ou aceitar as doutrinas diabólicas. O possesso não é moralmente responsável por seus atos, por piores que sejam, uma vez que não tem plena consciência deles,  nem existe colaboração da vontade.

Efeitos da ação do demônio sobre o possesso

A presença operante do demônio no endemoniado não é contínua, mas se manifesta por períodos de crise. Não falta ao demônio poder nem  vontade de atormentar ininterruptamente sua vítima, tal o ódio ao homem; Deus é que não o permite, pois a pessoa não resistiria. A influência do demônio sobre os possessos não é simplesmente indireta ou moral, como, por exemplo, nas tentações, mesmo as mais fortes; ela é uma ação direta e física, exercida pelos espíritos das trevas sobre os órgãos corporais do infeliz submetido ao seu império. De onde resulta para este último um estado doentio, estranho, que sai das leis ordinárias das afecções mórbidas, embora freqüentemente acompanhado de fenômenos de ordem puramente natural, que o demônio determina nele, simultaneamente com aqueles que ultrapassam a esfera própria aos agentes físicos. Esses fenômenos são habitualmente uma super-excitação geral e profunda de todo o sistema nervoso. Outras vezes, ao contrário, o demônio comunica à sua vítima um crescimento extraordinário da força muscular. O infeliz entra em fúria a ponto de espumar de raiva, ranger os dentes, soltar gritos espantosos, precipitar-se na água ou no fogo. Ele se torna então perigoso para aqueles que se aproximam dele; destrói, como simples pedaço de palha, as cadeias de feno com as quais o querem prender; e, se ele não puder atingir os outros, volta conta si mesmo o seu furor, arranhando-se com as unhas, machucando-se com as pedras do caminho.

Essa ação perturbadora e nociva do demônio sobre os órgãos corporais expande-se sobre as faculdades mistas, como a imaginação, a memória, a sensibilidade. Estende-se mesmo mais longe e mais alto no ser humano, porque ela tem sua repercussão até na inteligência. As operações intelectuais apresentam, às vezes, um tal caráter de incoerência, que os demoníacos parecem atingidos de alienação mental. Não é raro também ver-se produzir, no domínio do espírito, um fenômeno análogo àquele que se passa no seus órgãos. Assim como o demônio, em lugar de paralisar as energias corporais do demoníaco, aumenta seu poder, do mesmo modo, em vez de diminuir suas luzes naturais, ele comunica à sua inteligência conhecimentos que ultrapassam de muito seu poder.

Possessão e infestação: fenômenos da mesma espécie

A infestação pessoal (ou obsessão) e a possessão constituem fenômenos da mesma espécie, variando apenas em grau, e são classificadas pelos teólogos como ações extraordinárias e diretas do demônio, enquanto a tentação é indicada como ordinária e indireta. Observa o Cardeal Lepicier que a diferença entre a infestação pessoal e a possessão não é um diferença de espécie, mas somente de grau, visto que estas formas diferem mais ou menos, conforme for maior ou menor o grau do poder exercido pelo demônio sobre o corpo do indivíduo a quem ele resolveu atormentar. Os fenômenos de infestação pessoal não são, por vezes, menos graves do que os de possessão. De fato, o Ritual Romano não estabelece diferença alguma entre eles, e as línguas latina e italiana têm apenas uma palavra clássica para designar ambas as formas, isto é, obsessão diabólica. (Cf. Card. A. LEPICIER, O Mundo Invisível, p. 277.)

É verdade — explica o Pe. Roure — que a possessão não penetra até o íntimo da alma; conseqüentemente ela não pode ditar, impor ao possesso um ato pessoal de inteligência ou de vontade; mas a ação diabólica chega a neutralizar, a impedir o exercício da inteligência e da vontade, de modo que o possesso torna-se incapaz de conhecer, de julgar e de querer tudo o que se passa e se agita nele. Na infestação tal não se dá; a vítima conserva o domínio de suas faculdades superiores (a inteligência e a vontade), e pode mesmo servir-se delas para enfrentar os assaltos do Maligno. Dessa forma acontece que a efervescência diabólica pode deixar o fundo da alma em paz. (Cf. L. ROURE, Possession Diabolique, cols. 2645-2646.)


Causas da possessão

Punição, provação...

A permissão dada por Deus ao demônio de, na possessão apoderar-se assim dos órgãos corporais e das faculdades espirituais de uma criatura humana, é, às vezes, punição de certos pecados graves cometidos pelos possessos, em particular os pecados da carne. Entretanto não é sempre assim. Um endemoniado não é necessariamente culpado. Algumas vezes, Deus permite esse estado para ressaltar sua glória pela intervenção ostensiva de seu poder absoluto (cf. Jo 9, 1-8), ou para provar os possessos. São Boaventura explica que Deus permite a possessão “seja em vista de manifestar sua glória, obrigando o demônio pela boca possesso a confessar, por exemplo, a divindade de Cristo, seja para punição do pecado, seja para nossa instrução. Mas, por qual dessas causas precisamente ele deixa o demônio possuir um homem, é o  que escapa à sagacidade humana: os julgamentos de Deus são escodidos aos homens. O que é certo, é que eles são sempre justos” (In 2dum Sent. dist. VIII. part II. q. 1 art único apud L. ROURE, Possession Diabolique., col. 2644.)

O caráter espetacular da possessão acaba por apresentar um efeito apologético e ascético benéfico, pois torna patente e quase visível a existência do Espírito das trevas. Esta é uma das razões pelas quais Deus permite a possessão diabólica, pois obriga o Maligno a agir como que a descoberto, dando mostras públicas da sua maldade, do seu ódio contra o homem e a criação.

Práticas supersticiosas, espiritismo, macumba

Não devemos esquecer, entre as causas das infestações e da possessão, as práticas supersticiosas, o recurso a magos, pais-de-santo, cartomantes, adivinhos, etc.

"O demônio, quando um homem colabora com ele em práticas superticiosas, facilmente exerce sobre esse indivíduo a mais cruel e implacável tirania” — observa o Cardeal Lepicier. Ele chama a atenção para as práticas espíritas: “Não pode haver dúvida de que atuar como médium é o mesmo que expor-se aos perigos da obsessão diabólica... Recorrer a um médium é, pois, equivalente a cooperar na obsessão de uma pessoa”. (Card. A. LEPICIER, O Mundo Invisível, pp. 222-223.)

Uma das causas muito comuns da ação extraordinária do demônio sobre pessoas é o malefício, a respeito do qual falaremos adiante. O Pe. Gabriele Amorth, exorcista da Diocese de Roma, afirma que os casos mais difíceis de infestação e de possessão diabólica que ele tem encontrado são os resultantes de macumbas realizadas no Brasil e na África. (Cf. G. AMORTH, Un  esorcista racconta, pp. 116 e 157.)

Existem ainda casos de possessão voluntária, em que a pessoa que recorreu ao diabo e fez um pacto com ele pode agir como um instrumento do Maligno para levar avante os desígnios dele. A figura típica do médium de Satanás, foi Hitler, segundo julga o teólogo e demonólogo beneditino austríaco Dom Aloïs Mager.("Não há nenhuma outra definição mais breve, mais precisa, mais adaptada à natureza de Hitler que esta tão absolutamente expressiva: Medium de Satã” (D. Aloïs MAGER O.S.B., Satan de nos jours, p. 639).)  Poderiam ser mencionadas igualmente as figuras sinistras de Lenin, Stalin, e tantos outros...

Freqüência da possessão

Após o estabelecimento da Igreja, o número dos endemoniados diminuiu, de muito, nas nações tomadas cristãs. E que, pelo Batismo e demais Sacramentos, os fiéis são preservados desses ataques sensíveis do demônio. Este perdeu seu império, mesmo sobre aqueles que, embora batizados, vivem de maneira pouco conforme com à Fé de seu Batismo. Membros da Igreja, embora membros mortos, eles encontram nessa união, entretanto imperfeita, ao Corpo Místico de Cristo, um socorro em geral suficiente para que o demônio não possa apoderar-se deles, como faria, se se tratasse de pagãos. “Entretanto — observa o Pe. Ortolan — não somente nas regiões que não receberam o Evangelho, mas também naqueles em que a Igreja está estabelecida, encontram-se ainda demoníacos. Seu número aumenta na proporção do grau de apostasia das nações que, outrora católicas, abandonam pouco a pouco a Fé, e retornam ao paganismo teórico e prático”  (T. ORTOLAN, Demoniaque, col.410.)

Para avaliarmos corretamente a presença e atuação do demônio no mundo atual é preciso considerar que o estado de apostasia a que se referia o Pe. Ortolan há mais de quarenta anos — chegou em nossos dias a um grau inimaginável. E que, mais ainda do que os casos de possessão, o número dos infestados é sem conta.
A possessão


“E pela tarde apresentaram-Lhe
muitos possessos do demônio".
(Mt 8, 16)

A POSSESSÃO é a mais espetacular das manifestações diabólicas e a que mais impressiona as imaginações; a tal ponto, que deixa na penumbra o trabalho constante do demônio que, por meio da tentação, procura seduzir os homens ao pecado.

Realidade da possessão diabólica

No que se refere à possessão diabólica, há duas posições erradas que é preciso evitar: a primeira, consiste em acreditar com facilidade que uma pessoa está possessa, sem maior exame, pela impressão causada por sintomas que podem bem corresponder a outros estados, não sendo de si suficientes para caracterizar a possessão; a segunda posição está em negar que hoje ocorram casos de possessão; chega mesmo a negar que alguma vez se tenham dado. Esta posição extremada se choca com uma verdade claramente ensinada pela Sagrada Escritura, pela Tradição e pela prática da Igreja. Os racionalistas pretendem que os casos de possessão diabólica relatados na Escritura não passam de casos patológicos — mania, loucura, histeria e epilepsia. Dizem que Jesus não pretendia que esses infelizes enfermos, chamados endemoniados, estivessem realmente possessos, mas tratava-os de acordo com as convicções dos seus contemporâneos, os quais acreditavam na ação demoníaca.

Nada mais falso, e os Evangelistas distinguem bem entre a doença e a possessão.

Assim, São Marcos escreve: “E de tarde, sendo já posto o sol, traziam-lhe (a Jesus) todos os que estavam doentes e os possessos do demônio E curou muitos que se achavam oprimidos com varias doenças e expeliu muitos demônios” (Mc 1, 32-34). E em São Mateus está escrito: “E pela tarde apresentaram-lhe muitos possessos do demônio, e ele com a (sua) palavra expelia os espíritos maus, e curou todos os enfermos” (Mt 8, 16). Do mesmo modo São Lucas: “E quando foi sol posto, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias, traziam-lhos. E ele impondo as mãos sobre cada um, sarava-os. E de muitos saíam demônios gritando” (Lc 4,40-41).

É evidente nestas passagens que os Evangelistas se referem à cura de doentes e à expulsão de demônios como dois casos diferentes. De resto, o próprio Salvador afirma que expulsava os demônios dos possessos. Por exemplo, aos judeus incrédulos disse Jesus: “Se eu, porém lanço fora os demônios pela virtude do Espírito de Deus, é chegado a vós o reino de Deus” (Mt 12, 28). “Se eu, pelo dedo de Deus lanço fora os demônios, certamente chegou a vós reino de Deus”(Lc 11,20).

E Ele mesmo distingue bem os casos de doença dos de possessão, ao dizer: “Eis que eu expulso os demônios e opero curas” (Lc 13, 32). A Liturgia e a prática da Igreja, com a instituição dos exorcismos, bem como o ensinamento dos teólogos, indicam que Ela crê na possessão diabólica. Ao mesmo tempo, estabelecendo que os exorcismos sobre possessos não sejam feitos senão depois de maduro exame e mediante especial autorização, a Igreja indica que não se deve crer levianamente nos casos de possessão.


Em resumo, que se tenham dado alguns casos, pelo menos de verdadeira possessão diabólica, como os relatados nos Evangelhos, é verdade de fé; que depois se tenham dado outros, é doutrina comum dos teólogos, que não pode ser negada sem temeridade.

Natureza da possessão

A possessão consiste em um domínio que o demônio exerce diretamente sobre o corpo e indiretamente sobre a alma de uma pessoa. Esta se converte em um instrumento cego, dócil, fatalmente obediente ao poder perverso e despótico do demônio.
O indivíduo em tal estado é chamado justamente possesso, endemoniado, enquanto instrumento, vitima do poder demoníaco, ou energúmeno, porque mostra uma agitação insólita.

Características

A possessão se caracteriza por dois elementos: a) presença do demônio no corpo do homem; b) exercício de um poder por parte demônio sobre o mesmo.

Quanto â presença demoníaca, ela não significa uma presença física, como anjo (decaído), o demônio é puro espírito; sua presença se dá pelo contacto operativo, isto é, o demônio está onde atua desse modo, o demônio pode desenvolver sua atividade por toda a parte, tanto fora como dentro dos corpos humanos. Sendo assim, um indivíduo pode  estar possuído por vários demônios (os quais operam simultaneamente sobre ele, embora sob aspectos diversos), como um só demônio pode possuir várias pessoas (atuando sucessivamente sobre cada uma delas).

O modo como se opera a possessão é explicado por São Tomás de Aquino:

"Os anjos bons e os maus têm o poder, em virtude de sua natureza, de modificar nossos corpos, como qualquer outro objeto material. E como eles estão presentes num lugar na medida em que operam nele, assim eles penetram em nossos corpos. Do mesmo modo, ainda, eles impressionam as faculdades ligadas a nossos órgãos: às modificações dos órgãos respondem as modificações das faculdades. Mas a impressão não chega até à vontade, porque a vontade, nem seu exercício, nem em seu objeto, depende de um órgão corporal; ela recebe seu objeto da inteligência, na medida em que esta desentranha, do que ela percebe, a noção de bondade do ser”. (In 2dum Sent., Dist. VIII, q. un. a. 5, sol. apud L. ROURE, Possession Diabolique, col.)

Em outro lugar o Santo Doutor explica que o diabo não pode penetrar diretamente na alma do homem, pois isto somente a Santíssima Trindade pode fazer. (Suma Teológica, 3,q. 8,a.8)

Isto quer dizer que, na possessão, embora o demônio domine o corpo, sobretudo o sistema nervoso, e possa impedir o uso das potências da alma, ele não pode penetrar nela e obrigar sua vítima a cometer um pecado, ou aceitar as doutrinas diabólicas. O possesso não é moralmente responsável por seus atos, por piores que sejam, uma vez que não tem plena consciência deles,  nem existe colaboração da vontade.

Efeitos da ação do demônio sobre o possesso

A presença operante do demônio no endemoniado não é contínua, mas se manifesta por períodos de crise. Não falta ao demônio poder nem  vontade de atormentar ininterruptamente sua vítima, tal o ódio ao homem; Deus é que não o permite, pois a pessoa não resistiria. A influência do demônio sobre os possessos não é simplesmente indireta ou moral, como, por exemplo, nas tentações, mesmo as mais fortes; ela é uma ação direta e física, exercida pelos espíritos das trevas sobre os órgãos corporais do infeliz submetido ao seu império. De onde resulta para este último um estado doentio, estranho, que sai das leis ordinárias das afecções mórbidas, embora freqüentemente acompanhado de fenômenos de ordem puramente natural, que o demônio determina nele, simultaneamente com aqueles que ultrapassam a esfera própria aos agentes físicos. Esses fenômenos são habitualmente uma super-excitação geral e profunda de todo o sistema nervoso. Outras vezes, ao contrário, o demônio comunica à sua vítima um crescimento extraordinário da força muscular. O infeliz entra em fúria a ponto de espumar de raiva, ranger os dentes, soltar gritos espantosos, precipitar-se na água ou no fogo. Ele se torna então perigoso para aqueles que se aproximam dele; destrói, como simples pedaço de palha, as cadeias de feno com as quais o querem prender; e, se ele não puder atingir os outros, volta conta si mesmo o seu furor, arranhando-se com as unhas, machucando-se com as pedras do caminho.

Essa ação perturbadora e nociva do demônio sobre os órgãos corporais expande-se sobre as faculdades mistas, como a imaginação, a memória, a sensibilidade. Estende-se mesmo mais longe e mais alto no ser humano, porque ela tem sua repercussão até na inteligência. As operações intelectuais apresentam, às vezes, um tal caráter de incoerência, que os demoníacos parecem atingidos de alienação mental. Não é raro também ver-se produzir, no domínio do espírito, um fenômeno análogo àquele que se passa no seus órgãos. Assim como o demônio, em lugar de paralisar as energias corporais do demoníaco, aumenta seu poder, do mesmo modo, em vez de diminuir suas luzes naturais, ele comunica à sua inteligência conhecimentos que ultrapassam de muito seu poder.

Possessão e infestação: fenômenos da mesma espécie

A infestação pessoal (ou obsessão) e a possessão constituem fenômenos da mesma espécie, variando apenas em grau, e são classificadas pelos teólogos como ações extraordinárias e diretas do demônio, enquanto a tentação é indicada como ordinária e indireta. Observa o Cardeal Lepicier que a diferença entre a infestação pessoal e a possessão não é um diferença de espécie, mas somente de grau, visto que estas formas diferem mais ou menos, conforme for maior ou menor o grau do poder exercido pelo demônio sobre o corpo do indivíduo a quem ele resolveu atormentar. Os fenômenos de infestação pessoal não são, por vezes, menos graves do que os de possessão. De fato, o Ritual Romano não estabelece diferença alguma entre eles, e as línguas latina e italiana têm apenas uma palavra clássica para designar ambas as formas, isto é, obsessão diabólica. (Cf. Card. A. LEPICIER, O Mundo Invisível, p. 277.)

É verdade — explica o Pe. Roure — que a possessão não penetra até o íntimo da alma; conseqüentemente ela não pode ditar, impor ao possesso um ato pessoal de inteligência ou de vontade; mas a ação diabólica chega a neutralizar, a impedir o exercício da inteligência e da vontade, de modo que o possesso torna-se incapaz de conhecer, de julgar e de querer tudo o que se passa e se agita nele. Na infestação tal não se dá; a vítima conserva o domínio de suas faculdades superiores (a inteligência e a vontade), e pode mesmo servir-se delas para enfrentar os assaltos do Maligno. Dessa forma acontece que a efervescência diabólica pode deixar o fundo da alma em paz. (Cf. L. ROURE, Possession Diabolique, cols. 2645-2646.)


Causas da possessão

Punição, provação...

A permissão dada por Deus ao demônio de, na possessão apoderar-se assim dos órgãos corporais e das faculdades espirituais de uma criatura humana, é, às vezes, punição de certos pecados graves cometidos pelos possessos, em particular os pecados da carne. Entretanto não é sempre assim. Um endemoniado não é necessariamente culpado. Algumas vezes, Deus permite esse estado para ressaltar sua glória pela intervenção ostensiva de seu poder absoluto (cf. Jo 9, 1-8), ou para provar os possessos. São Boaventura explica que Deus permite a possessão “seja em vista de manifestar sua glória, obrigando o demônio pela boca possesso a confessar, por exemplo, a divindade de Cristo, seja para punição do pecado, seja para nossa instrução. Mas, por qual dessas causas precisamente ele deixa o demônio possuir um homem, é o  que escapa à sagacidade humana: os julgamentos de Deus são escodidos aos homens. O que é certo, é que eles são sempre justos” (In 2dum Sent. dist. VIII. part II. q. 1 art único apud L. ROURE, Possession Diabolique., col. 2644.)

O caráter espetacular da possessão acaba por apresentar um efeito apologético e ascético benéfico, pois torna patente e quase visível a existência do Espírito das trevas. Esta é uma das razões pelas quais Deus permite a possessão diabólica, pois obriga o Maligno a agir como que a descoberto, dando mostras públicas da sua maldade, do seu ódio contra o homem e a criação.

Práticas supersticiosas, espiritismo, macumba

Não devemos esquecer, entre as causas das infestações e da possessão, as práticas supersticiosas, o recurso a magos, pais-de-santo, cartomantes, adivinhos, etc.

"O demônio, quando um homem colabora com ele em práticas superticiosas, facilmente exerce sobre esse indivíduo a mais cruel e implacável tirania” — observa o Cardeal Lepicier. Ele chama a atenção para as práticas espíritas: “Não pode haver dúvida de que atuar como médium é o mesmo que expor-se aos perigos da obsessão diabólica... Recorrer a um médium é, pois, equivalente a cooperar na obsessão de uma pessoa”. (Card. A. LEPICIER, O Mundo Invisível, pp. 222-223.)

Uma das causas muito comuns da ação extraordinária do demônio sobre pessoas é o malefício, a respeito do qual falaremos adiante. O Pe. Gabriele Amorth, exorcista da Diocese de Roma, afirma que os casos mais difíceis de infestação e de possessão diabólica que ele tem encontrado são os resultantes de macumbas realizadas no Brasil e na África. (Cf. G. AMORTH, Un  esorcista racconta, pp. 116 e 157.)

Existem ainda casos de possessão voluntária, em que a pessoa que recorreu ao diabo e fez um pacto com ele pode agir como um instrumento do Maligno para levar avante os desígnios dele. A figura típica do médium de Satanás, foi Hitler, segundo julga o teólogo e demonólogo beneditino austríaco Dom Aloïs Mager.("Não há nenhuma outra definição mais breve, mais precisa, mais adaptada à natureza de Hitler que esta tão absolutamente expressiva: Medium de Satã” (D. Aloïs MAGER O.S.B., Satan de nos jours, p. 639).)  Poderiam ser mencionadas igualmente as figuras sinistras de Lenin, Stalin, e tantos outros...

Freqüência da possessão

Após o estabelecimento da Igreja, o número dos endemoniados diminuiu, de muito, nas nações tomadas cristãs. E que, pelo Batismo e demais Sacramentos, os fiéis são preservados desses ataques sensíveis do demônio. Este perdeu seu império, mesmo sobre aqueles que, embora batizados, vivem de maneira pouco conforme com à Fé de seu Batismo. Membros da Igreja, embora membros mortos, eles encontram nessa união, entretanto imperfeita, ao Corpo Místico de Cristo, um socorro em geral suficiente para que o demônio não possa apoderar-se deles, como faria, se se tratasse de pagãos. “Entretanto — observa o Pe. Ortolan — não somente nas regiões que não receberam o Evangelho, mas também naqueles em que a Igreja está estabelecida, encontram-se ainda demoníacos. Seu número aumenta na proporção do grau de apostasia das nações que, outrora católicas, abandonam pouco a pouco a Fé, e retornam ao paganismo teórico e prático”  (T. ORTOLAN, Demoniaque, col.410.)

Para avaliarmos corretamente a presença e atuação do demônio no mundo atual é preciso considerar que o estado de apostasia a que se referia o Pe. Ortolan há mais de quarenta anos — chegou em nossos dias a um grau inimaginável. E que, mais ainda do que os casos de possessão, o número dos infestados é sem conta.

 Possessão diabólica: o diagnóstico

"Para estabelecer a realidade
de uma possessão, um único método
é válido: provar a presença dos sinais
indicados no Ritual Romano”.

(Dom Louis de Cooman,
Bispo-missionário e exorcista)

Estados patológicos e possessão diabólica
Problema complexo


Um dos problemas mais complexos colocados pela ação diabólica extraordinária sobre o homem é o seu diagnóstico. A questão consiste em saber quando estamos realmente em presença de uma ação preternatural (isto é, provocada por anjos ou demônios) ou diante meras manifestações de morbidez, ou de outro gênero, por certo incomuns, mas que não escapam ao âmbito dos fenômenos naturais da alçada da Medicina e outras ciências.

Nem sempre é fácil distinguir entre as infestações e possessões demoníacas e certos fenômenos de natureza mórbida, pois é sabido que inúmeros distúrbios patológicos, especialmente de caráter neuro-psiquiátrico, provocam estados de extrema agitação, decuplicam as forças físicas, provocam fobias em relação às coisas sacras, etc. Em resumo, fazem o pobre doente parecer um possesso.

É o que faz notar o Cardeal Alexis Henri Marie Lépicier, O.SM.:

Sabemos que em algumas pessoas a imaginação, estando fora do normal, pode ultrapassar os seus naturais limites e ser a origem de manifestações estranhas que, à primeira vista, apresentam uma certa afinidade com ocorrências preternaturais [isto é, produzidas por anjos ou demônios]. ... Todos nós sabemos quantas perturbações pode causar uma doença nervosa em certas criaturas, como, por exemplo, nas que sofrem de histeria. Há, de fato, nas ações destes indivíduos muitas coisas que causam admiração. ... Mas é principalmente nos períodos de paroxismo que a histeria está mais apta a exibir muitos e curiosos fenômenos, o principal dos quais é a alucinação.

“Toda gente vê, portanto, a necessidade imperiosa de estabelecer a distinção entre estes fenômenos e os que são devidos a causas preternaturais” (Card. A. LEPICIER, O Mundo invisível, p. 201.)

Outras vezes, são fenômenos da natureza, insuficientemente explicados pelos cientistas, ou simplesmente fora de alcance de pessoas sem formação especializada: luminosidades, movimentos de massas de ar, variações térmicas, etc., os quais podem parecer fenômenos maravilhosos provocados por ação diabólica.

Objetividade e rigor científico

Mons. F. X. Maquart — renomado estudioso da matéria - compara o diagnóstico do exorcista ao diagnóstico médico.

O exorcista deve proceder com a mesma objetividade, o mesmo rigor que o exame do médico, de modo a não deixar fora do exame nenhuma das manifestações apresentadas pelo comportamento do paciente, evitando com isso deixar-se levar pela impressão, que pode ser enganosa. Esse exame crítico tem por finalidade eliminar alguma possível explicação natural observável na presumida manifestação diabólica. Mons. Maquart explica que um certo número de sintomas da possessão são comuns com os de algumas doenças como a psicastenia, a histeria, algumas formas de epilepsia, etc. Como fazer para discernir então entre um simples doente mental e um possesso pelo demônio? Entram em jogo os outros sinais da possessão, que não têm explicação natural: falar línguas estrangeiras não aprendidas, conhecer fatos à distância, revelar ciência ou força física muito em desproporção com a idade, etc. (Cf. F. X. MAQUART. L´Exorciste devant les manifestations diaboliques, pp. 338-339.)

 Essa posição exige, ao mesmo tempo, muita objetividade e bom senso, ao lado de muita fé. Pois, como é evidente, não se pode, sob pretexto de que o extranatural é uma exceção, negar em princípio toda a ação demoníaca, ou proceder de tal forma como se sempre se tivesse que encontrar, a qualquer preço, uma explicação natural.

Perigos de um diagnóstico errado


Um diagnóstico errado não é isento de perigos, tanto de ordem moral e espiritual, como até mesmo física. Em primeiro lugar, a prática de exorcismos em simples doentes mentais, sem que estes, obviamente, experimentem qualquer melhora, pode conduzir ao descrédito em relação aos mesmos exorcismo e às coisas sagradas de modo geral. Pode ainda oferecer argumentos aos céticos, que se aproveitarão para tachar a prática dos exorcismos como puramente supersticiosa. Além do mais, a prática dos exorcismos solenes representa para o exorcista um desgaste muito grande, o qual seria sem fruto em caso de erro de diagnóstico. Por fim, o exorcizar doentes mentais oferece o perigo de agravar seus males, seja pela grande tensão e esforço mental e até físico que o exorcismo comporta, seja pelo caráter impressionante deste.
É o que afirma Mons. Maquart, experimentado demonólogo francês:  “Não seria sem inconvenientes graves exorcizar, sob simples aparências de possessão, doentes mentais. Em vez de os curar, o exorcismo teria o risco de agravar seu mal”. (Mgr F. X. MAQUART, L ‘Exorciste devam les manjfestations diaboliques, p. 328.)


O mesmo assegura Dom Gustavo Waffelaert (Bispo de Bruges): "Há inconveniente real em exorcizar uma pessoa não possessa. Por ela, antes de tudo; pois o exorcismo, pela forte impressão que produz, pode afetar desfavoravelmente um sistema nervoso já perturbado e acabar de o arruinar; ele é também um poderoso meio de sugestão e arrisca desenvolver, num indivíduo fraco, hábitos mórbidos. Além do que, não se tem o direito de empregar, sem motivo grave, as orações sagradas do Ritual: é preciso que elas tenham um objeto. Dessa forma, a Igreja, para pemitir o exorcismo, requer a prudência e um julgamento moralmente certo ou ao menos provável da possessão”. (Mgr G. 3. WAFFELAERT, Possession Diabolique. col. 55.)

Em muitos lugares — como nas dioceses de Roma e Veneza - os exorcistas trabalham sempre em estreita união com psiquiatras católicos, os quais os ajudam a distinguir meros doentes de eventuais possessos; por seu lado, esses profissionais, muitas vezes, recorrem aos serviços dos exorcistas, quando percebem em seus clientes sinais que ultrapassam os limites da Medicina.

Na realidade, certas manifestações, à primeira vista patológicas, podem esconder a ação do Maligno. Por isso o médico católico não deve excluir sem mais a possibilidade dessa ação, conforme observa Mons. Catherinet: “O médico que quiser manter-se um homem completo, sobretudo se ele possuir as luzes da fé, não excluirá, a priori, a presença do demônio, podendo, em certos casos, suspeitar, por trás da doença, a presença e a ação de alguma força oculta (cujo estudo ele pedirá ao filósofo ou ao teólogo, os quais se guiam segundo seus próprios métodos). (Mgr F. M. CATHERJNET. Les Demoniaques dons l Évangile, pp. 324-32.)

Critérios seguros

A Igreja nunca negou essa dificuldade de diagnóstico da possessão; ao contrário, sempre foi muito cautelosa no pronunciar-se sobre os casos concretos, recomendando que na avaliação de cada um deles se examine com muito cuidado se o fenômeno pode ter uma origem natural. Só depois de diligente e acurado exame, e de descartadas todas as possibilidades de explicação natural, é que a Igreja autoriza a proceder aos exorcismos solenes sobre os possessos. Para garantir tal rigor de procedimento, a Igreja estabeleceu que esses exorcismos só podem ser praticados por sacerdotes devidamente autorizados pelo Ordinário do lugar para cada caso concreto; bispo não pode dar essa autorização senão a um padre de conhecida ciência, prudência, piedade e integridade de vida. (Cf. Código de Direita Canônico, cânon 1172 § § 1 e 2.)

Dom Louis de Cooman, antigo Vigário Apostólico no Vietnã ( ele próprio exorcista em um caso famoso de possessão coletiva, que será relatado adiante), dá o único critério que considera seguro para se determinar se há ou não possessão: “Para estabelecer a realidade de uma possessão, um único método é válido: provar a presença dos sinais clássicos indicados pela Igreja no Ritual Romano” (Mgr Louis de COOMAN, Le Diable au Couvent, p. 12.)

O Ritual Romano (que data do século XVI) estabeleceu, para orientar exorcistas, os seguintes indícios por parte do suposto possesso:


1. Falar ou compreender línguas estrangeiras sem tê-las antes aprendido;
2. Revelar coisas secretas ou distantes;
3. Manifestar força física acima de sua idade e condição;
4. E outras manifestações do mesmo gênero, que quanto mais numerosas forem, mais constituem indícios. (Rituale Romanum, Tit. XI, Cap. 1, n. 3.)

Se certas manifestações (como, por exemplo, demonstrar uma força extraordinária, dar uivos animalescos, gritar blasfêmias ou palavrões) podem ser causadas por uma doença, a revelação de pensamentos ocultos ou o conhecimento de coisas que se passam à distância já não podem ter a mesma explicação. Hoje em dia muitas pessoas (infelizmente até sacerdotes) pretendem negar, senão doutrinariamente, ao menos na prática, toda possibilidade de possessão ou infestação diabólica, apresentando explicações pseudo-cientificas em nome da Parapsicologia.
A esse respeito observa Mons. Louis Cristiani: querer dar uma explicação natural às manifestações demoníacas pela Parapsicologia é explicar o obscuro pelo mais obscuro ainda...

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