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Demonologia é o estudo sistemático dos demônios. Quando envolve os estudo de textos bíblicos, é considerada um ramo da Teologia. Por geralmente se referir aos demônios descritos no Cristianismo, pode ser considerada um estudo de parte da hierarquia bíblica. Também não está diretamente relacionada ao culto aos demônios.


sábado, 4 de janeiro de 2014

Satanismo, Possessão, Infestação

Satanismo, Possessão, Infestação…

Um inimigo que nos vigia continuamente. Como um chacal, ronda suas vítimas à espreita do momento para devorá-las.
“Sua tática principal: fazer-nos crer que ele não existe.”

Vade retro Satana!

Um inimigo que nos vigia continuamente. Como um chacal, ronda suas vítimas à espreita do momento para devorá-las.*
Sua tática principal: fazer-nos crer que ele não existe.**   Edson Neves

“Uma jovem professora de Avignon (França), que dava sinais de possessão demoníaca, foi conduzida, por ordem do Bispo, ao Cura d’Ars. Ia acompanhada de um vigário e da Superiora das Franciscanas de Orange. Chegaram a Ars em 27 de dezembro de 1857. No dia seguinte, fizeram-na entrar na sacristia, no momento em que o santo Cura revestia-se para celebrar a Missa. Em seguida a possessa se pôs a gritar, procurando fugir:
“- Tem gente demais aqui! – exclamava.
“- Tem gente demais, – acrescentou o Cura – pois bem, saiam todos!
“E, a um sinal de sua mão, ficou só, frente a frente com Satanás. No início, apenas ouviu-se dentro da igreja um ruído confuso e violento. Logo o tom se elevou ainda mais. O vigário de Avignon, vigilante junto à porta, pôde captar o seguinte diálogo:
“- Queres sair a todo custo? — dizia o Padre Vianney.

“- Sim!
“- E por quê?
“- Porque estou com um homem que não quero!
“- Não me queres então? — perguntou o Cura com tom irônico.
“- Não! – gritou o espírito infernal. E este não! foi proferido em tom estridente e furioso.
“Quase em seguida, a porta tornou a abrir-se. Todos puderam ver a jovem professora chorando de alegria …. E voltando-se para o Padre Vianney, disse-lhe:
“- Tenho medo que ele volte!
“- Não, minha filha — respondeu-lhe o santo homem –, ou não tão breve.
“A jovem pôde retomar suas funções de educadora na cidade de Orange. E ele não retornou”.
Eis aí um, dentre tantos fatos históricos que comprovam experimentalmente a existência do demônio e sua ação característica na alma e no corpo de uma possessa, descrito por Mons. Cristiani, conhecido autor francês, em sua obra Presença de Satan no mundo moderno (1).
O renomado teólogo francês Ad Tanquerey, em sua conhecida obraCompêndio de Teologia Ascética e Mística assim descreve a ação do demônio sobre os homens: “Cioso de imitar a ação divina na alma dos Santos, esforça-se o demônio por exercer também o seu império ou antes a sua tirania sobre os homens. Às vezes assedia, por assim dizer, a alma por fora, suscitando-lhe horríveis tentações; outras vezes instala-se no corpo e move-o a seu talante, como se fosse senhor dele, a fim de lançar a perturbação na alma. No primeiro caso temos a obsessão, no segundo a possessão” (2).
Assim, enquanto mediante a obsessão (ver quadro ao final) o demônio atua externamente suscitando no homem tentações, grandes ou pequenas, mas sempre perigosas, pela possessão ele instala-se no corpo deste para perturbar a alma

Eis a explicação, apresentada por Mons. Cristiani em sua referida obra, sobre a natureza e a causa da possessão:
“Não existe talvez fato mais extraordinário que o da possessão diabólica.Que tal fato existe é o que demonstram muitíssimas experiências. Sem dúvida, houve possessos desde muito tempo antes da vinda de Jesus Cristo à Terra. Houve possessos em torno dEle, como o Evangelho no-lo mostra. Na Igreja primitiva, foram inúmeros os casos, e a instituição daordem dos exorcistas, entre os membros do clero, é uma boa prova disso. ….
“A teologia católica, baseada sobre os fatos de possessão demoníaca, tomou posição tão decidida a respeito deste problema, que chegou a elaborar uma teoria completa sobre o assunto. Assim, o Ritual Romano, livro oficial do cerimonial eclesiástico, explica os sinais pelos quais se conhece a autêntica possessão e dá os remédios necessários para combatê-la: os exorcismos” (3).
O mesmo autor afirma, no que concerne à possessão e suas causas, que não podemos escolher guia mais seguro e mais preciso que a obra de Mons. Saudreau, L’état mystique… et les faits extraordinaires de la vie spirituel (Paris, Amat, 2ª ed., 1921).

Natureza de um fenômeno estranho: a possessão

“Segundo Mons. Saudreau, a possessão nunca chega até a animação. Isto quer dizer que o demônio não substitui a alma do possesso, não dá vida ao corpo, mas, sem que saibamos como, apodera-se desse corpo, faz sua morada nele, quer seja no cérebro, quer nas entranhas, porém, em todo caso, no sistema nervoso. Não tira à alma, portanto, seu domínio normal sobre o corpo e sobre os membros; imprime às faces do rosto uma expressão desconhecida e que corresponde à ação do demônio.
“O demônio não está sempre presente no possesso. Entra nele quando quer. Provoca nele ataques. Um possesso poderá até ser liberado momentaneamente pelos exorcismos, e depois torna-se novamente presa do demônio. Em seu estado normal, o possesso é como todo mundo…
“Por outro lado, os demônios não atuam todos da mesma maneira, porque estão longe de ser totalmente iguais. Acreditava-se, não sem razão, que todos os deuses do paganismo eram demônios” (4). “Omnes dii gentium, daemonia”, diz a Escritura(Salmos 95, 5).

Múltiplas causas da possessão: o sortilégio ou bruxaria

“O bom senso popular colocaria na primeira fila das causas da possessão as faltas cometidas pelo possesso. Não é assim em absoluto. As causas de possessão são, na verdade, muito variáveis. ….
“Se os demônios fizessem livremente seus estragos entre os homens, a humanidade estaria transtornada, não seríamos mais donos de nossos destinos, a obra de Deus entre nós estaria desviada de seu objetivo. O fato é, em si, inconcebível e, por mais poderosos que sejam os demônios, a verdade é que ‘esses cães estão acorrentados’….“Os demônios não atuam entre nós senão na medida em que obtêm — como está escrito no Livro de Jó — a permissão de Deus, soberano Senhor. O caso do mesmo Jó, submetido às infestações de Satanás, é uma boa prova de que não são as faltas da vítima que explicam suas penas.
“Por vezes, pode haver culpa do possesso, como reconhece Mons. Saudreau: ‘Uma pessoa ficou possessa em conseqüência de uma oração a Mercúrio, feita por ela, a conselho de uma velha curandeira’


“Em muitos casos pareceria que a origem da possessão teria sido ummalefício. É o que o público denomina mais correntemente umabruxaria. Mons. Saudreau é categórico neste ponto: ‘uma das causas mais freqüentes das vexações diabólicas é o malefício’. E esclarece: ‘os malefícios são os sacramentos do demônio’”.“Pareceria que o demônio, depois de ter estabelecido seu ritual próprio para o lançamento de sortilégios, se vê obrigado a atuar quando o bruxo observa as formas que ele prescreveu…. Porém os malefícios não têm todos a mesma eficácia.
“No século XVII, em processo célebre, descobriu-se que os malefícios tinham por base assassinatos de crianças, pecados contra a natureza e missas sacrílegas” (6).
“A possessão pode ser e é seguramente, às vezes, uma prova permitida por Deus, como no caso do santo homem Jó ou no do Cura d’Ars; sem que tenha havido falta por parte do infestado ou do possesso e sem que haja ocorrido malefício.
“Em suma, os casos de possessão são casos extremos de um fato imenso que se estende por todo o universo espiritual: a luta do bem contra o mal, da Cidade de Deus contra a Cidade de Satanás”


Como combater a possessão

O autor francês refere-se a seguir ao exorcismo como o meio de combater a possessão:
Como dissemos, o remédio que Deus quis para a possessão é o que chamamos exorcismo, que significa conjuro. Porém, existem regras muito precisas para praticar o exorcismo.
“Se a pessoa manifesta em si a presença de uma inteligência diferente da sua, existe possessão e não enfermidade. O Ritual Romano traz precisões sobre este ponto essencial. E acrescenta: ‘Os demônios suscitam todos os obstáculos que podem impedir que o paciente seja submetido a exorcismos’” (8).
O cânon 1172 do Código de Direito Canônico contém disposições concernentes aos exorcismos.

O demônio no Antigo e no Novo Testamento

O demônio é mencionado freqüentemente no Antigo Testamento, por exemplo, no Livro de Isaías: “Como caíste do céu, ó astro brilhante, que, ao nascer do dia, brilhavas?” (Is 14, 12).O Apocalipse — o último livro do Novo Testamento, escrito pelo Apóstolo São João Evangelista — assim descreve a queda de Lúcifer e dos anjos rebeldes:
“E houve no Céu uma grande batalha: Miguel e os seus anjos pelejavam contra o dragão, e o dragão com os seus anjos pelejavam contra ele; porém, estes não prevaleceram; e o seu lugar não se achou mais no Céu. E foi precipitado aquele grande dragão, aquela antiga serpente, que se chama o Demônio e Satanás, que seduz todo o mundo; e foi precipitado na terra, e foram precipitados com ele os seus anjos” (Apoc. 12, 7-9).
Incapazes de amor, os demônios encontram-se ligados pelo ódio mútuo e ódio a todas as coisas. Por isso, tramaram também a perdição do gênero humano.
“Satanás, invisível agente pessoal, inimigo do homem, que o conduz à perdição, afastando-o de Deus” (9).

Adão e Eva cederam à tentação diabólica

“Sereis como deuses conhecendo o bem e o mal”(Gn 3, 5). Esta foi a frase que a astuta serpente disse a Eva. E, assim, Adão e Eva se deixaram seduzir.
A propósito, observa o renomado escritor e polemista francês Mons. Henri Delassus: “Desde a criação do gênero humano, o homem se extraviou. Em vez de crer na palavra de Deus, e de obedecer à sua ordem, Adão escutou a voz sedutora que lhe dizia para colocar o seu fim em si mesmo, na satisfação de sua sensualidade, nas ambições do seu orgulho” (10).
Diz piedosa tradição que Adão e Eva fizeram penitência numa caverna do monte Calvário, que tem esse nome porque ali foi descoberta a caveira do primeiro homem (cfr. Lc 23, 33). Realmente, debaixo do Calvário e ocupando o mesmo espaço do Gólgota, hoje encontra-se a capela de Adão, na qual estiveram também, até 1808, os sepulcros de Godofredo de Bouillon, que conquistou a Cidade Santa, e de seu irmão Balduíno, primeiro rei católico de Jerusalém.
“Por sua vida penitente, Adão e Eva são considerados santos e sua festa celebra-se a 19 de dezembro. Dois de seus filhos, Caim e Abel, constituem o primeiro exemplo de divisão do gênero humano: Abel é o exemplo dos fiéis que caminham para o Bem, e Caim, dos que caminham para o Mal” (11).
Os demônios conspiram contra o homem porque não podem tolerar que ele tenha sido redimido pelo Verbo Divino que se encarnou no seio puríssimo de Maria, unindo-se à natureza humana.
O pecado original foi uma vitória de Satanás sobre o homem. Mas a Redenção foi a vitória de Jesus Cristo sobre Satanás. Assim, Deus não consentiu que o demônio arrastasse todos os homens para o seu reino.

Pode-se falar num Império de Satanás?Não se pode pôr em dúvida, entretanto, que Satanás tenha o seuImpério, considerando-se o termo latino imperium no seu significado político-jurídico: “Imperium é o vocábulo empregado, em amplo sentido, para significar o supremo poder, ou a suprema autoridade, conferida a certas instituições ou a certas pessoas. Indica, assim, o próprio poder conferido ao imperador, em virtude do qual exerce sua autoridade soberana em todo território onde se situam ou limitam os domínios imperiais, em relação a todas as coisas ou a todas as pessoas” (12).
Ora, Satanás manda nos diabos e nos homens que a ele se entregam pelo pecado. Ensina Nosso Senhor que “todo o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8, 34). E o Império de Satanás possui seu território, seu âmbito de competência e sua área de jurisdição. Tem sua metrópole e suas colônias. A metrópole é o Inferno, mas, pelo menos em potência, seu área de expansão colonial abarca toda a Terra habitável.
Em geral, fora do Inferno, à primeira vista não parece que Satanás exerça verdadeiro império sobre um território, mas apenas sobre pessoas. No entanto, se atentarmos bem ao que acontece, verificaremos que, embora de forma temporária e não permanente, há nações que se comportam, durante longos períodos de tempo, como verdadeiras colônias doImpério infernal, tal é a dominação que ele exerce sobre o povo no seu conjunto. Em outros lugares, não possui Satanás debaixo de suas ordens senão minorias nacionais dispersas, mais numerosas ou menos; mas há nações em que as maiorias e os governos vivem como que subjugados por ele.Exemplo frisante disso foi a extinta e desditosa U.R.S.S. A respeito do regime que nela imperava, Mons. André Sheptyskyj, Arcebispo de Lvov e líder da Igreja Católica na Ucrânia durante as perseguições de Lênin e Stalin, escreveu à Santa Sé uma carta, na qual figura uma frase bastante significativa: “Este regime só pode se explicar como um caso de possessão diabólica coletiva”. E pediu ao Papa Pio XI que sugerisse a todos os sacerdotes e religiosos do mundo que “exorcizassem a Rússia soviética”. O Prelado ucraniano faleceu em 1944, estando atualmente em andamento seu processo de beatificação(cfr. Catolicismo, no 590, fevereiro 2000, p.19).


A questão levantada pelo Arcebispo ucraniano não se colocaria hoje, talvez até com mais razão, em alguns lugares do mundo, uma vez que o processo revolucionário multissecular de destruição da civilização cristã não fez senão acentuar-se intensamente desde então? Assim, não estaríamos assistindo, em escala crescente, a um fenômeno de possessão coletiva, ao menos em largas esferas do mundo atual?
Questão ainda mais delicada: pode o demônio insinuar-se dentro da própria Igreja de Jesus Cristo, em certos períodos de grande provação e pecado? Para responder com segurança a tal pergunta seria preciso que teólogos – autênticos teólogos de ortodoxia ilibada – o estudassem com cuidado e se pronunciassem a respeito. Mas a pergunta não pode deixar de ser levantada tendo em vista o memorável pronunciamento de Paulo VI sobre as calamidades na fase pós-conciliar da Igreja, feito em 29 de junho de 1972, na Alocução “Resistite fortes in fide”, que citamos aqui na versão da Poliglotta Vaticana (maiúsculas nossas):
O Pontífice, “referindo-se à situação da Igreja de hoje, afirmou ter a sensação de que `por alguma fissura tenha entrado a fumaça de Satanás no templo de Deus’. Há a dúvida, a incerteza, o complexo dos problemas, a inquietação, a insatisfação, a confrontação. Não se confia mais na Igreja; confia-se no primeiro profeta profano que nos venha falar, por meio de algum jornal ou movimento social, a fim de correr atrás dele e perguntar-lhe se tem a fórmula da verdadeira vida. E não nos damos conta de que já a possuímos e somos mestres dela. Entrou a dúvida em nossas consciências, e entrou por janelas que deviam estar abertas à luz. …. Também na Igreja reina este estado de incerteza. Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia ensolarado para a História da Igreja. Veio, pelo contrário, um dia cheio de nuvens, de tempestade, de escuridão, de indagação, de incerteza. Pregamos o ecumenismo, e nos afastamos sempre mais uns dos outros. Procuramos cavar abismos em vez de enchê-los. Como sucedeu isto? O Papa confia aos presentes um pensamento seu: o de que tenha havido a intervenção de um poder adverso. Seu nome é o diabo, este misterioso ser ao qual também alude São Pedro em sua Epístola” (Cfr. Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. X, pp. 707-709).

O Império de Satanás possui os seus cidadãos

Entre os homens, ao Império de Satanás pertence aquele que o deseje: é suficiente um pecado mortal para adquirir cidadania nesse Império; e para nele permanecer, basta a falta de contrição, que se torna muito fácil pela preguiça ou má vontade em encarar de frente o próprio pecado, reconhecê-lo e humildemente acusá-lo no tribunal da Confissão.
A cidadania infernal concede o “direito” de satisfazer todos os apetites da concupiscência, e de praticar todos os pecados mortais correspondentes, enquanto houver saúde e dinheiro. Em troca, osdeveres impostos por esse Império cumprem-se geralmente depois da morte, e consistem em suportar o insuportável fogo eterno… Por outro lado, basta o verdadeiro arrependimento dos pecados e o sacramento da Confissão para livrar-se da tirania desse Império.
Quanto à principal tática do demônio para atuar internamente na Igreja, desde que Ela foi instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, é a disseminação das heresias.O conhecido historiador francês do início do século XX, Pe. Emmanuel Barbier, comenta a esse respeito: “O flagelo da heresia decorre de duas fontes. As primeiras conquistas da Igreja haviam sido feitas sobre o elemento judeu e sobre o elemento pagão. Aqueles que aceitaram o Evangelho, nele não reconheceram toda a divina salvação, que é preciso receber simplesmente, sem acréscimo e sem atenuação. Muitos misturaram à doutrina cristã outros ensinamentos e deram assim nascimento às heresias. Estes ensinamentos estranhos estavam incrustados quer no judaísmo, quer no paganismo” (13).
“O número dos tolos é infinito”: o gosto de ser enganadoDiz antigo provérbio que o mundo quer ser enganado, e por isso, em todas as idades houve embusteiros que trataram de satisfazer esse desejo das massas. E o demônio pode utilizar-se desses embusteiros para afastar as pessoas da verdadeira Fé.
A essa má inclinação, as Sagradas Escrituras acrescentam que “os perversos dificultosamente se corrigem e o número dos tolos é infinito” (Ecl 1, 15).
Quando o embuste se vela sob formas religiosas ou misteriosas e atua por meio de agentes de mistificação com poderes desconhecidos ou preternaturais, então ele pode arraigar-se de tal modo no coração, que a luz claríssima da verdade dificilmente consegue arrancá-lo da imaginação popular.
Exemplo frisante de estultice popular o leitor encontrará nos episódios vividos pelo Profeta Daniel (Dn 14, 1-42). Depois dele desmascarar o falso deus Baal dos babilônios, estes o quiseram matar!…

* * *
É ótima defesa contra o demônio usar sobre si a Medalha Milagrosa, o Escapulário do Carmo, o Agnus Dei, a Medalha de São Bento (ver quadro ao final), a água benta etc. De nada adiantarão, porém, se a pessoa não se empenhar na observância dos Mandamentos.
O Pe. Gabriele Amorth — de quem falaremos adiante — assim se refere ao uso da Medalha Milagrosa: “Constatei em várias ocasiões a eficácia das medalhas que as pessoas usam com fé. Bastaria falar da Medalha Milagrosa difundida em milhões de exemplares no mundo depois da aparição da Virgem a Santa Catarina Labouré (Paris, 1830); se falássemos das graças prodigiosas recebidas através dessa simples medalhinha, nunca mais acabaríamos” (14).
Cultos afro-asiáticos de conotação satanista na atualidade
O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira observava que “o homem gosta de meias verdades, mas tem horror à verdade total”. E Donoso Cortez, renomado escritor, filósofo e sociólogo espanhol, diz que “o espírito humano tem fome de absurdo e de pecado” (cfr. Obras Completas: Ensaio sobre o Catolicismo, B.A.C., Madrid, 1946, Tomo 2, p. 377).
É por isso que a grande maioria dos homens prefere o caminho fácil das meias verdades, desembocando em religiões falsas. O demônio os atrai como pode, explorando suas más tendências e seus vícios. Assim, a uns conseguirá arrastar diretamente para o satanismo radical dos sacrifícios cruentos. A outros, atrairá para as formas mais veladas de falsa religiosidade que parecem benignas, às vezes sob a capa de filantropia ou de bem espiritual, como certas práticas hinduístas.Exemplo típico, entre muitos, de satanismo cruento, é o caso de uma vendedora do Rio de Janeiro que declarou ter matado a própria filha de três anos em um ritual de magia negra. Ela foi presa com o concubino e a mãe de santo, que também teriam participado do crime, no litoral fluminense (cfr. “O Estado de São Paulo”, 15-1-99).
A difusão de cultos afro-asiáticos de conotação satanista é hoje uma realidade. No Uruguai, por exemplo, a umbanda é a prática religiosa que mais cresce, a tal ponto que a festa de Iemanjá é a mais popular do país, atraindo para as praias centenas de milhares de praticantes desse culto de origem africana (cfr. “Folha de S. Paulo”, 27-11-99).
Mesmo aqueles que procuram esses cultos por razões folclóricas ou turísticas, arcam com o risco de ser envolvidos por eles e sofrerem as conseqüências.
Espiritismo umbandista D. Frei Boaventura Kloppenburg O.F.M., Bispo de Novo Hamburgo (RS), explica: “Não podemos indicar uma data exata para a aparição, entre nós, daquilo que hoje se chama espiritismo de Umbanda. Movimentos populares, de origem nitidamente africana, com fachadas cristãs, mas fortemente paganizadas e diretamente influenciadas pelas práticas espíritas, aos poucos se aglutinaram e continuam a coordenar-se ainda hoje, para formar a umbanda (palavra africana que significa feitiçaria). OBatuque do Sul, a Macumba do Rio, o Candomblé da Bahia, o Xangô de Pernambuco, o Catimbó do Nordeste, o Nagô ou as Casas de Minas do Maranhão, a Pajelança da Amazônia: eis a matéria remota desse novo tipo de Espiritismo. Os Kardecistas não toleram que se qualifique aUmbanda como espírita. Mas os próprios umbandistas continuam a proclamar empenhadamente que também eles são verdadeiros espíritas. A Federação Espírita Brasileira, numa solene declaração, publicada no órgão oficial Reformador, de julho de 1953, página 149, acabou concedendo aos umbandistas o ‘privilégio’ de se chamarem espíritas” (15).

Evocar os mortos: proibição formal da Igreja

Em sua obra Sobre a heresia espírita, o mesmo autor acrescenta: “A prática generalizada pelo espiritismo de evocar os mortos não é recente. O espiritismo atual é a continuação da magia e da necromancia de tempos idos. Já no Antigo Testamento existem testemunhos das consultas aos mortos praticadas pelos hebreus” (16).
E prossegue: “Mas o fim visado foi sempre o mesmo: evocar os mortos, para deles saber alguma coisa. O espiritismo moderno, portanto, é a magia ou a necromancia da Antigüidade. Ora, consta de textos insofismavelmente claros do Antigo Testamento que Deus proibiu, sob as mais severas penas, semelhantes práticas de necromancia e magia” (17).
Eis abaixo alguns textos da Sagrada Escritura, que condenam severamente a necromancia e a magia:
• Êxodo 22, 18: “Não deixarás viver os feiticeiros”.
• Levítico 20, 27: “O homem ou a mulher em que houver espírito pitônico ou de adivinho, sejam punidos de morte. Apedrejá-los-ão, o seu sangue cairá sobre eles”.
• Lev. 19, 31: “Não vos dirijais aos magos, nem interrogueis os adivinhos, para que vos não contamineis por meio deles. Eu sou o Senhor vosso Deus”.
• I Reis 28, 5-25: Estes versículos narram a história do rei Saul, que foi consultar uma pitonisa. A conseqüência do episódio inteiro é exposta no I Livro dos Paralipômenos 10, 3: “Morreu, pois, Saul, por causa das suas iniqüidades, porque tinha desobedecido ao mandamento que o Senhor lhe tinha imposto e não tinha observado; e além disso tinha consultado a pitonisa e não tinha posto a sua esperança no Senhor; por isso Ele o matou, e transferiu o seu reino para David, filho de Isaí”.
• IV Reis 17, 17: “E consagraram seus filhos e suas filhas por meio do fogo, e entregaram-se a adivinhações e agouros, e abandonaram-se a fazer o mal diante do Senhor, provocando a sua ira”.
• Isaías 8, 19-20: “E quando vos disserem: Consultai os pitões e os adivinhos, que murmuram em segredo nos seus encantamentos: Acaso não consultará o povo ao seu Deus, há de ir falar com os mortos acerca dos vivos? Antes à Lei e ao Testamento que se deve recorrer. Porém, se eles não falarem na conformidade desta palavra, não raiará para eles a luz da manhã”.
Em vista do acima exposto, decorre a proibição divina de evocar os mortos e consultar médiuns, macumbeiros, gurus, cartomantes. Tal proibição é clara, repetida, enérgica e severíssima.

O espiritismo: verdadeira heresia

Em face dessa tão radical negação de toda a doutrina cristã, o Episcopado Brasileiro, reunido no VI Congresso Eucarístico Nacional (1953), presentes os Senhores Cardeais, Arcebispos, Bispos e Prelados e o Representante da Nunciatura Apostólica, Mons. João Ferrofino, determinou que: “Os espíritas devem ser tratados como verdadeiros hereges” (18).

O que vem a ser, pois, o herege? É aquele que, após o batismo, nega com pertinácia qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica, ou duvida pertinazmente a respeito dela, uma vez que o Direito Canônico assim define a heresia: “Chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela” (cân. 751).
É essencial ao herege, pois, negar com pertinácia. Não seria herege quem negasse uma verdade sem obstinação, sem saber que se trata de verdade de Fé. Portanto não são hereges, nem podem ser tratados como tais, todos aqueles que, por ignorância e iludidos pela falaz propaganda espírita, aderiram ao espiritismo. Mas se, avisados, persistirem no espiritismo, tornam-se pertinazes, e, portanto, hereges, devendo conseqüentemente ser tratados como tais.
Em seu livro acima mencionado, D. Frei Boaventura Kloppenburg conclui que “é sem dúvida severo e inexorável o modo de tratar os espíritas. Mas é uma medida necessária e justa. …. O modo como continuam a evocar os mortos equivale a uma insurreição aberta contra Deus e a Igreja” (19).
Por isso, “os espíritas excluíram-se a si mesmos da Igreja” (20).

Condenações do reencarnacionismo há muitos séculos

“Reencarnação é o termo usado para indicar a passagem da alma de um a outro corpo humano. Há um significado mais restrito da metempsicose, que indica a transmigração da alma humana através de vários corpos dos homens, dos animais, das plantas etc” (21).
“No século IV, Orígenes tentou apresentar esta doutrina como sendo católica, inspirando-se em Platão, levantando-se contra ele uma forte polêmica. Ela foi condenada pelo Concílio de Constantinopla no ano de 543 (Papa Virgílio). O absurdo da reencarnação foi posto a nu em declarações inequívocas do Magistério Eclesiástico, segundo o qual, após a morte, cada indivíduo é julgado e recebe um destino eterno irrevogável(cfr. II Concílio de Lyon, ano 1274; Constituição Apostólica Benedictus Deus, de Bento XII, 29-1-1336; Decretum pro graecis, do Concílio de Florença, 4-6-1439)” (22).
“Um decreto do Santo Ofício, de 4 de agosto de 1856, declara ilícita, herética e escandalosa a prática de evocar as almas dos mortos, receber respostas etc.; a declaração da S. Penitenciária (1º de fev./1882), declara ilícito assistir, ainda que passivamente, às consultas e jogos espíritas. Leão XIII proibiu a leitura e a posse dos livros nos quais se ensina ou se recomenda o sortilégio, a adivinhação, a magia, a evocação dos espíritos e semelhantes superstições” (23).

Faltam exorcistas autênticos

O Pe. Gabriele Amorth, exorcista oficial da Diocese de Roma, esclarece em seu ensaio Um exorcista conta-nos: “O demônio faz tudo para não ser descoberto, mostra-se muito lacônico e procura todos os meios para desencorajar o paciente e o exorcista” (24).
E acrescenta: “Os exorcistas na Itália são pouquíssimos, e os que estão preparados, ainda são menos. A situação noutros países é ainda pior, por isso têm-me procurado para a bênção pessoas vindas da França, Áustria, Alemanha, Suíça, Espanha e Inglaterra, onde — a se acreditar no que me dizem — não conseguiram encontrar um exorcista. Incúria dos bispos e dos sacerdotes?” (25).
“Hoje em dia a Pastoral, neste setor e no mundo católico, está completamente descurada. Não era assim no passado. Cada Catedral devia ter um exorcista, do mesmo modo que tem um confessor, e deviam ser tanto mais numerosos os exorcistas, quanto maiores fossem as necessidades: nas paróquias mais importantes, nos santuários” (26).

“Minha experiência direta leva-me a afirmar que novos fatores estão na origem do aumento considerável das vítimas do Maligno. Em primeiro lugar, analisemos a situação do mundo consumista do Ocidente em que o sentido materialista e hedonista da vida fez com que muita gente perdesse a fé. Penso que sobretudo na Itália uma grande parte da culpa cabe ao comunismo e ao socialismo que, com as doutrinas marxistas, dominaram nestes últimos anos a cultura, a educação e o mundo do espetáculo” (27).

“A magia e o espiritismo são incentivados por vários canais de televisão. Acrescentem-se ainda os jornais e os espetáculos de horror, em que ao sexo e à violência se aliam mesmo um sentido de perfídia satânica e a difusão de certas músicas de massa que invadem o público até à obsessão. Faço aqui muito particularmente referência ao rock satânico ….” (28)


“Os Exorcismos são esconjuros ou mandados imperativos que o ministro autorizado pela Igreja faz em nome de Deus contra o demônio, para que abandone as pessoas por ele possuídas ou cesse de infestar pessoas ou coisas, ainda que inanimadas” (29).
Visão de Leão XIII: crescente atuação diabólica no mundo
E ainda o mesmo autor diz:
“Muitos de nós recordamos que, antes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, os celebrantes e os fiéis, no fim de cada missa, ajoelhavam-se para rezar uma oração a Nossa Senhora e outra a São Miguel Arcanjo:
‘São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, sede nosso auxílio contra a malícia e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e Vós, Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no Inferno a Satanás e os outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder as almas.’
“Como é que nasceu esta oração? Transcrevo o artigo escrito pelo Pe. Domenico Pechenino na revista Ephemerides Liturgicae, 1955, pp. 58-59: Não me lembro exatamente do ano. Uma manhã, o grande Pontífice Leão XIII tinha celebrado a S. Missa e estava a assistir a uma outra de ação de graças, como de costume. De repente, viu-se ele virar energicamente a cabeça, depois de fixar qualquer coisa intensamente, sobre a cabeça do celebrante. Finalmente, voltando a si, bate ligeira, mas energicamente com a mão, levanta-se. Dirige-se ao seu escritório particular. Daí a uma meia hora, manda chamar o Secretário da Congregação dos Ritos, e estendendo-lhe uma folha de papel, manda fazê-la imprimir e enviar a todos os Ordinários do mundo. Que assunto continha? A oração que rezávamos no fim da missa com o povo” (30).
Apesar dos embustes do sincretismo religioso, a doutrina católica não mudou
Ora — poderia objetar algum leitor –, há eclesiásticos que abrem os braços e dialogam amigavelmente com macumbeiros e espíritas.
Infelizmente é bem verdade que, sobretudo nos últimos 30 ou 40 anos, muitas declarações e atitudes de membros do clero parecem em contradição com a doutrina acima exposta.
Uma conferência anual de padres e Bispos negros realizada em Salvador, em julho do ano passado, incluiu uma visita aos dois principais terreiros de candomblé. Chocado com isto, o Pe. Pierre Mathon anunciou que celebraria uma missa de repúdio às práticas religiosas que descreveu como demoníacas, e acusou o clero em questão de desviar-se da única Fé verdadeira. “O diálogo é bom, mas fechar os olhos aos padres católicos que recebem as bênçãos de sacerdotes do cadomblé é simplesmente inaceitável”, afirmou o Pe. Mathon durante sermão em Salvador. E acrescentou: “Esses padres são a própria Igreja e estão dando um mau exemplo”. ….
É o que confirma o próprio Arcebispo Primaz de Salvador, D. Geraldo Majella, que atribui as manifestações de sincretismo religioso presentes na Bahia à “…. falta de conhecimento mais profundo da Religião e da Fé católica. Conseqüentemente, ac que tudo está bem, que você pode misturar a Fé da Igreja com um outro credo, como se fosse algum tipo de mescla”, comentou em declarações reproduzidas por Larry Rohter no “The New York Times” (31).
Convém insistir, portanto, que o sincretismo – fusão de várias formas e opiniões religiosas (32) — apresenta-se como um “fenômeno universal em relação aos problemas religiosos mais graves, especialmente no que se refere ao judaísmo e ao cristianismo” (33). Mistura os Santos da Religião Católica com personagens, míticos ou não, de outras religiões, sejam elas o espiritismo, o candomblé, a macumba, ou qualquer outro culto pagão. Trata-se de um artifício de que pode servir-se o diabo para enganar os incautos, especialmente as pessoas que vivem na ignorância religiosa.
Além do sincretismo, é inquietante a difusão considerável que a superstição, a magia e o ocultismo vêm alcançando em nossos dias, como veremos a seguir.
Tão universal é o fenômeno, que recente notícia da agência Zenit menciona o espantoso avanço do esoterismo e da magia no país em que se encontra o próprio centro da Igreja Católica e da Cristandade:
“No mínimo inquietantes: assim são os dados oferecidos no Congresso sobre Superstição, Magia e Satanismo na Úmbria, organizado pelo Instituto Teológico de Assis. Os números falam por si mesmos: mais de 12 milhões de italianos recorrem a um mago pelo menos uma vez por ano, mais mulheres do que homens, 40% com estudos secundários, 30% com estudos universitários superiores. A Agencia ANSA cita Mons. Ennio Antonelli, secretário-geral da Conferência Episcopal italiana: ‘com a taxa de 8 por mil do imposto sobre a renda que se destina às igrejas e religiões, a Igreja Católica recebe 500 milhões de dólares, por ano, enquanto a quantia faturada pelo mundo do ocultismo chega a 750 milhões de dólares’ (34).
A nós, católicos leigos, cumpre, nas tristes circunstâncias atuais, redobrar os esforços para esclarecer o próximo sobre a expansão das várias formas de cultos satânicos que vão corroendo o catolicismo no Brasil. Peçamos a Nossa Senhora Aparecida e a São Miguel Arcanjo que nos dêem toda proteção e ajuda nessa luta contra o Império de Satanás.


Um estudo sobre as possessões e exorcismo no Ocidente Cristão 04/05/2014

A Europa moderna dos primeiros tempos foi farta de casos de possessão demoníaca. Milhares de homens, mulheres e crianças falavam línguas que jamais tinham ouvido, fatiavam a própria carne e berravam blasfêmias e palavrões. Vomitaram vastas quantidades de pregos, parafusos, alfinetes, sangue, penas, pedras, moedas, carvão, excrementos, retalhos de pano, cabelos, e grunhiam e zurravam como animais. Alguns se dobravam em convulsões, flutuavam pela sala ou manifestavam força física sobre-humana. Os olhos arregalavam-se, pernas e braços ficavam rígidos, os rostos torcidos e gargantas e estômagos inchavam monstruosamente. Havia os que entravam em transe, adivinhavam o futuro, revelavam segredos que não se podia entender como chegaram a eles.
Linda Blair em
O Exorcista
No final do século 17, um frade franciscano tirou um enorme sapo da boca de uma mulher endemoniada, e a cabeça de um jovem escocês virou para as costas, circuito bem menos impressionante que aquele, de Linda Blair, em O Exorcista. Uma mulher vomitou uma enguia viva, seguida de quase 11 kg de substâncias variadas, duas vezes por dia, por duas semanas. (Admiravelmente ponderado, Brian Levack, autor de The Devil Within, avisa que “a veracidade desses depoimentos pode ser questionada sob vários aspectos”.) As pernas de algumas mulheres jovens ficaram tão rígidas, que nem o esforço de vários homens fortes conseguiu dobrá-las; outras arqueavam a coluna para trás, como contorcionistas, e ocasionalmente também lambiam o chão, quando arqueadas. Alguns homens e mulheres levitaram (os católicos comprovadamente melhores levitadores que os protestantes); outros invertiam o processo, tornando-se tão pesados que nada conseguia movê-los.
Um endemoniado alemão, no final do século 17 ganhou fama por ter tossido 400 potes de sangue. Dizia-se que alguns dos possuídos passavam meses, até anos, sem comer nem beber. Outros se punham a falar latim, grego ou hebraico, e uma mulher italiana e analfabeta declamou versos da Eneida no original. Dado que eram tidos como anjos caídos, os demônios manifestavam a mais alta inteligência com que Deus adornara os espíritos angélicos e tinham, presumivelmente, boa base dos clássicos. Em países católicos, os caídos nas garras de Satã cuspiam em crucifixos, vomitavam sobre a hóstia da comunhão, perseguiam padres e insultavam a Virgem Maria. Como em A Profecia, reagiam com terror e nojo a objetos sacros. 

Freiras possuídas faziam obscenos gestos sexuais, levantavam as saias e adotavam comportamento que, segundo um comentarista, “teriam deixado atônitos até os frequentadores do mais imundo bordel do país”. Bem menos lascivamente, as endemoniadas jovens da Salem do século 17 faziam discursos tresloucados, metiam-se debaixo das cadeiras e enfiavam-se em tocas.
O julgamento das Bruxas (jovens) de Salem no século 17
Acreditava-se que o corpo humano fosse poroso, e que os espíritos maléficos que conseguiam entrar vagavam por ali, à vontade entre as cavidades internas, atacando órgãos indiscriminadamente. O maior número de demônios que jamais invadiram corpo humano, dizia-se, foi 12.652, todos os quais tomaram posse do corpo de uma única jovem alemã de 16 anos, em 1584. Mais frequentemente, o Diabo instalava-se ele mesmo, sem admitir co-habitação com subordinados. Mas só podia fazê-lo com permissão de Deus, o que então levantava a questão, teologicamente embaraçadora, de por que o Altíssimo permitiria que a língua de mulheres jovens e puras inchasse a ponto de tocar o queixo.
Quando múltiplos demônios eram exorcizados, os endemoniados às vezes inventavam nomes para todos eles, em resposta ao questionário do exorcista. Vários endemoniados ingleses no século 16 apresentaram seus ocupantes demoníacos como Pippin, Maho, Philpot, Modu e Soforce, que bem passaria como cartão de visita de empresa de advocacia. Muitos casos de possessão eram fraudes flagrantes. As pessoas fingiam estar tomadas pelo Diabo, para atrair atenção, violar impunemente normas sociais ou morais, receber esmolas de vizinhos solidários ou (porque se acreditava que as bruxas podiam ordenar a possessão de outros) incriminar um inimigo. Mas a fraude não explica todos os casos.
Thomas Hobbes
Até o final do século 19, epilepsia, histeria e melancolia (ou depressão clínica) também eram consideradas causas primárias. De fato, a histeria ainda era usada para explicar acordos com Belzebu, no início do século 17. Nossos ancestrais não eram, de modo algum, tão crédulos quanto às vezes imaginamos: inúmeros cristãos devotos duvidavam de tudo aquilo. Thomas Hobbes foi um dos muitos que viram a possessão demoníaca como metáfora de doença mental. E esse parece ter sido também o pensamento de Spinoza. Desde os primeiros anos do Renascimento, inúmeros médicos diziam que havia causas naturais para a possessão demoníaca. Como também alguns de seus predecessores gregos e helênicos.
A crença no poder de espíritos maléficos para infestar o corpo humano nunca foi questão de fé para os católicos, e nenhum católico foi processado por heresia por negar esse poder. Houve os que acreditavam que todas as doenças, físicas ou mentais, eram trabalho do Demo, convicção da qual Jesus pode ter partilhado. Chama a atenção que Jesus jamais tenha instado os doentes a reconciliarem-se com as próprias doenças. Ao contrário: Jesus parece considerar as doenças dos doentes como frutos do mal; e curar os doentes, como parte de sua missão contra os poderes das trevas.
Nas décadas recentes, os (ex-)endemoniados têm sido diagnosticados como portadores de desordem bipolar, esquizofrenia catatônica, epilepsia, atonias musculares, síndrome de Tourette, envenenamento por fungos diversos, anorexia, desordens de personalidade e inúmeras outras moléstias. Levack não se deixa convencer por essas especulações. Em parte, porque nenhuma dessas síndromes dão conta dos sintomas padrão da possessão demoníaca. Epiléticos normalmente não vomitam sapos, e os tomados pela melancolia nem sempre se põem a falar línguas estrangeiras. Mas Levack não se deixa persuadir, também, porque suspeita que os diagnósticos psiquiátricos sejam a-históricos. No seu modo de ver, tornar-se presa do Demônio sempre tem especificidades culturais. Não se pode, diz ele, usar modelos da psicologia contemporânea, para explicar a mentalidade de gente que viveu há vários séculos. Não há dúvidas de que é implausível. Os sofrimentos psicológicos, como os físicos, manifestam um grau de continuidade ao longo das eras. Sadismo, ansiedade e paranoia assumem formas diferentes em diferentes tempos, mas há semelhanças de família suficientes que nos permitem falar de, em linhas gerais, uma mesma condição psicológica.
Todas as doenças, escreve Levack, “são socialmente construídas e não podem ser compreendidas se não são estudadas no contexto cultural em que emergem”. O câncer não é constructo social, no sentido em que o é a melancolia; e um médico alemão pode tratar de um camponês peruano com artrite, mesmo sem saber grande coisa sobre o seu contexto cultural.
Terry Eagleton
Porque capitula ante um culturalismo “de moda”, Levack não esclarece que papel, se houver algum, ele entende que a doença mental desempenhe no comportamento demoníaco. Por outro lado, desconfia muito profundamente das respostas universalistas; considera a definição moderna de histeria jurássica demais para ser útil; e descarta rapidamente demais a noção de histeria de massa – que seria explicação razoável para as várias epidemias de invasão e ocupação diabólica que irrompem de tempos em tempos. Por outro lado, concede que o distúrbio psicológico possa dar conta do negócio em tela.
Seu livro, pois, combina o ceticismo contra as explicações médicas, com a concessão de que a histeria e a possessão demoníaca possam estar intimamente relacionadas.
Mesmo assim, a atenção que Levack dá às diferenças culturais abre caminho para alguns insights fascinantes. Mostra que no Novo Testamento os escravizados pelos demônios só manifestam alguns dos sintomas de seus primeiros sucessores modernos: ali, não alucinam, não falam línguas estrangeiras, nem têm comportamento obsceno. Sitiados pelos espíritos perversos, os católicos tendem a ter comportamento diferente dos protestantes.
Para o protestantismo, credo menos materialista, o Diabo traz ameaça menos física que espiritual. Católicos apanhados nas garras de Satã mostravam horror ante relíquias sagradas e crucifixos; protestantes, podiam ser contidos e controlados com uma única Bíblia. A possessão coletiva era fenômeno predominantemente católico – porque o catolicismo era negócio menos individualista que o protestantismo. O aspecto sexual da possessão – contorcimentos e gemidos durante a penetração – era muito mais pronunciado entre católicos, que entre protestantes. Católicos cuspiam objetos estranhos com muito mais alta frequência. Judeus endemoniados, nos primeiros tempos da Europa moderna, tendiam a ser tomados, mas não por demônios: pelos espíritos dos ancestrais desencarnados.
O tipo de força que assaltava os corpos dependia muito do sistema de crenças: muçulmanos que tivessem experiências de quase-morte dificilmente veriam uma imagem de Cristo caminhando em direção a eles. Os calvinistas, esses, eram quase impenetráveis à penetração demoníaca: apenas 11 miseráveis casos foram registrados na Escócia moderna, e só 25 em círculos britânicos puritanos ou Dissidentes [orig. Dissenting]. Se, como Levack acredita, as bruxas de Salem não foram caso de possessão demoníaca, e nem elas, nem nenhum observador jamais disse que tivessem sido, ficamos só com sete endemoniados na Inglaterra no final do século 17.
Dissidentes: cristãos que se separaram da Igreja da Inglaterra nos séculos 16, 17 e 18
Na opinião de Levack, os endemoniados têm de ser compreendidos como atores que atuavam conforme um roteiro codificado em suas culturas religiosas, numa performance teatral que envolvia eles mesmos, o exorcista e, como público, a comunidade. Embora a performance fosse predeterminada, admitia-se o improviso ocasional. As pessoas inflavam seus personagens lendo relatos de possessões alheias – o que implica que a disseminação de textos impressos teve papel vital no negócio todo. Atores e especialistas em treinar atores várias vezes apareceram envolvidos em casos de falsa possessão. Os exorcismos podiam acontecer em plataformas, ante vários milhares de espectadores. Eram exercícios de propaganda, para disseminar a fé, demonstrando o poder da Igreja Católica. (O protestantismo, credo muito menos teatral, rejeitava esses rituais, que considerava supersticiosos.) Os exorcistas seguiam o papel que lhes era prescrito, estimulando o desempenho teatral dos possuídos mediante insistente implantação de sugestões, que acrescentavam, pela repetição, novas linhas no roteiro dos infelizes. Ao fazê-lo, o exorcismo sempre agravava os sintomas que deveria aliviar – o que bem se pode entender como uma espécie de homeopatia espiritual. Só levando a aflição a ponto de crise, espancando a cabeça dos endemoniados indefesos, cuspindo-lhes na cara, apertando os seios da endemoniada ou prendendo-a ao chão, pelo pescoço, com o pé, o exorcista conseguia expelir as potências ocupantes. As quais emergiam do corpo endemoniado sob a forma de sapos ou ouriços, que às vezes conseguiam escapar pelo Portal do Diabo, os genitais femininos. São Martinho de Tours, certa vez, para conseguir exorcizar um homem, passou-lhe o braço pelo pescoço e apertou, obrigando o demônio, assim, a sair pelo ânus. Os exorcismos católicos eram questão de oferta e demanda: o sucesso aumentava a popularidade, o que ajuda a explicar por que havia tantos casos de possessão católica. A cura, em resumo, ajudava a propagar a doença. Houve muitos exorcistas viajantes que cobravam por seus serviços, como, hoje, há espiritualistas itinerantes.
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Levack estima que pelo menos ¾ dos endemoniados nos primeiros tempos da Europa moderna eram mulheres. A piedade entre as mulheres ganhava nova ênfase, além do culto à santidade da mulher; e a busca de perfeição moral poder ter alimentado a culpa e a ansiedade entre mulheres conscientes de suas fragilidades de espírito. Levack afirma que bom número de freiras no período cultivavam fantasias sexuais que envolviam seus confessores ou, então, tinham casos com eles. Assumia-se, em geral, que o Diabo assaltava com mais veemência os aspirantes à santidade, que os preferia aos moralmente medíocres; portanto, a linha a separar santidade e danação era perigosamente tênue. Pode-se chamar de Síndrome de Graham Greene. Dizia-se que Satã tinha mais poder nos monastérios, onde muitos homens santos e mulheres santas tinham desmaios e transes, visões e alucinações, jejuavam por longos períodos e demonstravam habilidades para falar línguas que não se tinha notícias de que tivessem estudado.
Pincher Martin
Que pecadores e santos são íntimos é uma venerável crença religiosa. O próprio Diabo, afinal, foi, antes, anjo. Ninguém pode ser condenado ao inferno, se não compreender alguma coisa, pouco, que seja, do divino amor ao qual está dando as costas. Por isso William Golding faz seu malfadado personagem Pincher Martin berrar: “Cago para esse seu paraíso”, enquanto os relâmpagos negros da divindade, com as pinças fechadas de lagosta, operam pacientemente para derrubar as autodefesas da vítima. Adrian Leverkühn, malfadado personagem de Thomas Mann, herói de Doctor Faustus, escolhe estudar teologia na universidade, decidido a conhecer mais de perto a oposição.
Como os santos, os endemoniados pervertidos constituem uma aristocracia espiritual, uma elite privilegiada, tão entendida e au fait, nas questões metafísicas, quanto o mais desapegado dos mártires; por isso, para os Greene e Mauriac e assemelhados, são incomparavelmente superiores às classes médias morais. O Príncipe das Trevas é um gentleman. A equipe do Diabo negocia em termos de Bem e Mal, não se envolve em negócios suburbanos de Certo e Errado.
O pico das possessões demoníacas parece ter acontecido no século 17, mas persistiu ao longo da Idade da Razão. Muita gente ainda acreditava que acontecessem, em lugares onde se acreditava que o Iluminismo já avançara consideravelmente.
Houve outra avançada das incursões diabólicas nos anos 1960s e 1970s, gerada em parte por O Exorcista. Segundo Levack, o interesse pelo fenômeno cresceu muitíssimo nas últimas duas décadas, nas costas das igrejas pentecostais e do pentecostalismo. Num exorcismo pentecostal em Kansas City, um jovem, dado a masturbação compulsiva, autossodomia e bestialismo, com registro de tentativas mal sucedidas de autofelação aceitou renovar seu compromisso com Jesus Cristo. Levack não explica como alguém suficientemente pouco alongado e fora de forma para fracassar na autofelação teria conseguido sucesso na autossodomia. Em 1973, dois padres alemães foram julgados pelo assassinato de uma mulher jovem, que tentaram exorcizar 67 vezes. Em 1999, a Igreja Católica publicou um novo ritual de exorcismo, postulando a necessidade de assistência médica e pastoral à vítima, antes de o divino maquinário ser posto em movimento. Apesar disso, há provas de que alguns raros exorcistas católicos manifestaram desejo de mandar os endemoniados para o psiquiatra. Em 2004, uma universidade romana, com íntimos laços com o Vaticano, começou a oferecer aos sacerdotes um curso de quatro meses de exorcismo; e dioceses católicas em todo o mundo foram convocadas para indicar um exorcista oficial.
Em 2010, aconteceu em Varsóvia o Congresso Nacional de Exorcistas Poloneses, em parte com o objetivo de reagir à imagem hollywoodiana de exorcistas que brandem crucifixos, em batalha contra um Satã monstruosamente priápico, pelo corpo de uma menina da qual jorram obcenidades e vômito colorido. Mas a modernização da indústria da possessão ainda parece ter de andar mais: um dos padres poloneses que participava do Congresso, identificou como endemoniados e possuídos alguns que mostraram dificuldade para entrar numa igreja, que sentiram falta de ar ou desmaiaram, quando afinal conseguiram entrar, ou que, depois de entrarem, jogaram-se dramaticamente ao chão. O fato de que há muitos católicos, hoje, que não conseguem entrar em igrejas, ou que se sentem mal lá dentro, parece ter escapado à sua atenção. Muitos dos casos de possessão nos tempos modernos, como em tempos anteriores, aconteceram em comunidades católicas.
Sabe-se que cerca de meio milhão de pessoas na Itália, hoje, visitam anualmente um exorcista, como outros visitam o dentista ou o oftalmologista. Não se sabe se essa preponderância de papistas explica-se pela superioridade espiritual dos católicos em relação a outras fés, o que seria o maior prêmio que o Diabo poderia desejar, ou se se explica pela inferioridade espiritual dos mesmos, o que os deixa ainda mais expostos ao assalto.
Yahveh
O estudo erudito de Levack, de leitura absorvente, se beneficiaria com um toque de teologia. Ele lembra que o nome “Satã”, em hebreu, significa “adversário” ou “acusador”; e que a Bíblia algumas vezes o vê como o instrumento de um Deus irado. Mas são pontos que exigem alguma elaboração. Satã é a imagem de Yahweh como juiz e patriarca – como um Deus dado a xiliques de prima Donna irascível, que se tem de manter sempre de bom humor. Jesus, ao contrário, é a imagem de Deus como amante, camarada e conselheiro do setor de Defesa. Dado o masoquismo crônico de que padecem, muitos tendem a preferir o Deus prima donna, ao Deus camarada.
Há algo de profundamente gratificante num Deus safado, que aliviará você, com castigos, de sua culpa; e há algo de enervante num Deus que perdoa por definição, porque ele também é carne e sangue. A possessão demoníaca é uma manifestação extrema daquela culpa e ansiedade, ponto no qual, como acontece com o sintoma neurótico, ambas são manifestas e renegadas. Se a culpa brota de dentro, ela também flui de uma força de alienação que também fez ninho ali, e de tal modo que o crime nem é, de fato, culpa sua.
A ideia de que se pode ser tomado por potências de alienação muda o conceito moderno de autonomia. A seu modo, ela reconhece que há um nível no qual homens e mulheres não se pertencem a eles mesmos. Nossa relação conosco mesmos não é nossa relação com uma propriedade. Como o conceito de inconsciente sugere, há forças destrutivas sobre as quais só temos controle precário, e que podem ganhar poder mortal, por elas mesmas. Mas há modos mais produtivos de reconhecer que, num certo nível, não pertencemos a nós mesmos. Mais produtivos que cuspir sapos. 

4 casos aterrorizantes de possessões demoníacas

Conheça algumas histórias famosas de pessoas supostamente possuídas por forças malignas
Se você é da turminha que adora os filmes de terror, já deve ter assistido a mais de um deles com a infame frase “baseado em uma história real”. E é claro que essa informação torna toda a coisa muito mais horripilante, não é mesmo? Afinal, se aconteceu na vida real...

A seguir você pode conferir quatro casos aterrorizantes de supostas possessões demoníacas — as quais algumas se transformaram em títulos cinematográficos —, compilados pelo pessoal do site Oddee e que são garantia de calafrios e pesadelos. 

É muito raro que episódios de possessão sejam descritos por cientistas, já que normalmente são encarados como resultado de problemas mentais ou simples fraudes. No entanto, em 2008, o psiquiatra Richard E. Gallagher, professor da Faculdade de Medicina de Nova York, documentou o caso de uma paciente apelidada de “Julia”, a qual o médico acreditava estar possuída pelo demônio.
O próprio Dr. Gallagher presenciou objetos voando pelo quarto da paciente, além de ver Julia levitar sobre sua cama e falar em idiomas estranhos com voz masculina e gutural. A mulher inclusive teria desenvolvido a clarividência, descrevendo acontecimentos que ela não tinha como saber das vidas de pessoas próximas e, durante os rituais de exorcismo ou quando se encontrava em transe, Julia demonstrava desprezo por qualquer coisa religiosa ou sagrada.

 
Clara era uma jovem sul-africana que, no início do século 20, aterrorizou as freiras do colégio no qual estudava. Segundo os relatos, Clara decidiu — por alguma razão sinistra — fazer um pacto com o diabo e, poucos dias após o “trato”, começou a se comportar de forma bizarra. Além de se tornar clarividente e de começar a falar em diversos idiomas, a moça ficava agitada ao se deparar com crucifixos e outros objetos religiosos, e produzia sons horríveis na presença das freiras.
As religiosas inclusive flagraram Clara levitando a mais de 1,5 metro de altura algumas vezes, até que decidiram chamar dois padres para realizar o exorcismo. Mais de 170 pessoas teriam presenciado o ritual — que durou dois dias —, e inclusive teriam testemunhado a jovem tentando estrangular um dos sacerdotes e levitando enquanto as sagradas escrituras eram lidas diante dela.

 
 Você se lembra do filme “O Exorcismo de Emily Rose”? Ele foi inspirado no caso de Anneliese Michel, que ficou famoso nos EUA na década de 70. De acordo com a história, a jovem apresentava um histórico de epilepsia e distúrbios mentais, e o quadro piorou drasticamente depois de a jovem — que era cristã fervorosa — começar a ouvir vozes e a rejeitar figuras religiosas.
A família de Anneliese, convencida de que se tratava de uma possessão demoníaca, solicitou à igreja que o exorcismo fosse realizado. No entanto, apesar de o pedido ser recusado, dois padres decidiram ajudá-la secretamente. Então, os pais da moça suspenderam o tratamento médico de Anneliese, e após um ano de sofrimento e de quase 70 rituais de exorcismo — dos quais vários foram filmados! —, ela acabou falecendo. Tanto os sacerdotes quanto os pais da jovem foram condenados por homicídio culposo.

  
Este caso horripilante acabou se transformando em um dos filmes de terror mais cultuados e conhecidos do mundo: “O Exorcista”. O nome “Roland Doe” — ou Robbie Mannheim — é apenas um pseudônimo utilizado pela Igreja Católica para preservar a identidade real do garoto possuído, que teria sido submetido a rituais de exorcismo na década de 40. Tudo começou depois de Doe começar a brincar com uma tábua ouija, abrindo o caminho para a ação de espíritos malignos.
A família do garoto começou a ouvir sons estranhos pela casa, e objetos religiosos passaram a se mover sozinhos e a serem lançados das paredes. Doe passou a apresentar arranhões horríveis pelo corpo — alguns formando palavras —, e a falar com voz estranha em idiomas desconhecidos, além de levitar com o corpo todo retorcido.

Aterrorizada, a família de Doe pediu que um padre realizasse o exorcismo, e depois de mais de 30 tentativas o sacerdote apontado pela Igreja conseguiu concluir o ritual. Todo o processo teria ocorrido em um hospital, e os gritos do menino puderam ser ouvidos por todo o edifício. O pessoal que trabalhava na instituição também descreveu a forte presença de um horrível cheiro de enxofre.

O Demônio nos textos das Escrituras Sagradas e na Tradição

 
Tal como conhecemos, os demônios já eram objeto de estudo e de especulações desde os povos Sumérios e Acádios, que influenciaram por sua vez a Mesopotâmia , os povos Hebreus, os caldeus e o mundo helênico. Na Mesopotâmia, os males que não constituíam grandes catástrofes naturais eram atribuídos a influência dos demônios. Os demônios, acreditavam os mesopotâmicos, eram numerosos, divididos em legiões encarregados de espalhar o mal aos homens e à natureza, segundo cada espécie. Havia o grupo que cuidava de espalhar as doenças contagiosas (lepra e malária), o grupo que influenciava na natureza (vendavais, maremotos) e o grupo que influenciava o comportamento do homem (raiva, ódio, fúria, epilepsia, distúrbios) . Para cada grupo específico havia os “sacerdotes”, homens estudados e preparados para enfrentá-los e exorcizá-los com rituais, magias,sacrifícios e chás preparados com ervas próprias. Havia, entretanto, o maior de todos, que nenhum sacerdote conseguia derrotar: o demônio da morte que atemorizava principalmente as gestantes e crianças recém nascidas. O índice de mortalidade infantil era muito elevado nesta região e época, e isto era atribuído a um ser espiritual horrível que não poupava as crianças de viverem. Este demônio era concebido sob a forma de uma serpente.
Tais pensamentos chegaram ao povo de Israel e a superstição a respeito do assunto fez crescer as especulações e o temor. O judaísmo do período neotestamentário demonstrava uma crença forte nos poderes do demônio, derivada em muitos aspectos da Mesopotâmia como também dos gregos. A cultura helênica colocava o demônio como um ser intermediário entre os deuses e os homens. E, também lá era forte a crença de que o demônio fosse causa de muitas doenças e desgraças.
Para os judeus e cristãos, a origem dos demônios se explica pela exegese bíblica: nos livros apócrifos eles são descritos como anjos decaídos. No livro dos Gênesis, teriam eles surgidos da união entre os filhos de Deus e as filhas dos homens (Gn 6,1-4). Nesta passagem observamos que os demônios são filhos de Satanás (que se apresentou sob a forma de serpente no Paraíso) com as filhas de Adão, dando origem aos gigantes da mitologia e do folclore judaico. No livro da Sabedoria, vemos refletida a idéia de que o demônio é o gerador da morte e das desgraças, no versículo 24 do capítulo 2: “é por inveja do diabo que a morte entrou no mundo”.( cf Jó 1,6; Gn 3,1; Sl 72,9) A tentação do pecado, além de doenças e desgraças, após o pecado dos primeiros pais, também era atribuída aos demônios. Os Judeus, como os mesopotâmicos, acreditavam que os demônios estavam organizados em grupos chamados legiões sob a chefia de Satanás, Mastema ou Belial. No Livro de Judite, Capítulo 6, são denominados “anjos que não conservaram o seu principado, abandonando a sua morada e estão, por isso, presos em cadeias eternas à espera do grande juízo”.
A presença dos demônios no Novo Testamento, é fruto de crenças trazidas do judaísmo e das religiões mesopotâmicas. As possessões demoníacas que aparecem nos Evangelhos, Atos e nas Cartas de Paulo, ilustram a forte crença de que os demônios agem sobre os homens, manifestando seu poder através de doenças e mortes; as escrituras a partir daí, os chamam de “espíritos”: “Quando um espírito impuro sai do homem, perambula por lugares áridos, procurando repouso, mas não encontrando diz ‘voltarei para minha casa, de onde saí’. Chegando lá, encontra-a varrida e arrumada. Diante disto, vai e toma outros sete espíritos piores que ele para habitar aí. E com isso a condição final daquele homem torna-se pior que antes. Eis o que vai acontecer com esta geração má”. (Mt 12 e Lc 11)
As passagens que se referem à possessão demoníaca trazendo doenças graves e contagiosas, como a epilepsia e a lepra, as privações físicas como cegueira, mudez e aleijamento corporal são inúmeras: (Mt 12,43; Lc 8,31; Mt 8,29; Lc 4,6; Jo 13,2; 1Cor 2,6;1Jo3,8; Jo12,31;1Cor5,5 etc).
Os demônios são freqüentemente chamados de “espíritos”, especialmente com o acréscimo de “impuros”: “Certa vez veio ao nosso encontro uma escrava que era possuída por um espírito impuro que fazia adivinhações trazendo muito lucro para seus donos”. (At16,16) São também chamados de “anjos de Satanás” por São Paulo: “Para que eu não me encha de soberba e orgulho foi me dado um aguilhão na carne, um anjo de satanás, para me espancar...” (2Cor 12,7).

Possessão Diabólica

Por possessão diabólica se entende a posse de uma pessoa humana por um espírito do mal, de maneira que tal espírito assuma a personalidade do ser humano, controlando todos os seus movimentos físicos, inclusive a fala. A crença na possessão diabólica não aparece no Antigo Testamento, nem em qualquer obra literária anterior ao judaísmo. Os antecedentes da crença do poder dos demônios em serem os causadores de catástrofes, doenças e morte, não era visto como necessariamente uma possessão, mas apenas como uma manifestação do poder do mal. Neste caso, o demônio não estava na pessoa, mas somente o seu poder.
Já nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos, são mencionadas muitas possessões propriamente ditas, com direito a exorcismos, alguns, inclusive, feitos por Jesus. (Mt 8,16; Mc 1,34; Lc 11,19; At 5,16) De particular interesse são os episódios em que o comportamento da pessoa possessa e a expulsão são descritos com alguns pormenores. Pessoas são agitadas e sacudidas pelos demônios(Mc 1,23-27); o demônio de Gerasa vivia em cemitérios e era possuidor de força extraordinária e após a expulsão vai habitar numa vara de porcos que se precipita no mar (Mt 12,22; Lc 11,14). Em Mt 17, encontramos um caso explícito de epilepsia atribuída a uma possessão demoníaca de quem os discípulos não tiveram poder de expulsar. Em At 16, São Paulo expulsa um demônio de uma escrava que adivinhava o futuro.
Muitos escritores modernos explicam os relatos de possessão, nos Evangelhos, dizendo que as pessoas daquela época permaneciam com a ingênua crença dos antigos pais para os quais os males de causa desconhecida eram obras do demônio. As pessoas que eram chamadas de possessas apenas sofriam de desordem psíquica que não podiam ser reconhecidas como tais. Não podemos generalizar, supervalorizar ou menosprezar a presença do Mal no mundo. O bom senso e a prudência em tais afirmações parece que passaram ao largo. Esses escritores dizem que Jesus se acomodou à crença popular e usou a linguagem que todos estavam familiarizados para anunciar o reino de Deus. Eles não desmerecem os poderes de Jesus e a sua divindade, pois de fato as curas eram realizadas, os pecados eram perdoados. Jesus realizava tais milagres usando da linguagem parabólica e simbólica da tradição que estava enraizada naquele povo há muito tempo.
Quando Jesus efetuava a cura, a pessoa toda era renovada. Não era uma cura somente corporal, mas espiritual. Jesus sempre pedia aos curados, mudança de vida e de atitudes: era uma cura do coração.
Parece que Jesus compartilhava da fé de seus contemporâneos naquilo que se refere à existência e à atividade dos espíritos maus. Os relatos evangélicos de exorcismos, incluem com freqüência, algo mais do que uma enfermidade. É o que se acha implícito nos sinais não naturais de violência: “Quando Jesus descia do barco, veio até Ele um homem possuído por um espírito impuro que habitava no meio das tumbas e ninguém podia dominá-lo. Muitas vezes era acorrentado e algemado, mas sua força era tanta que arrebentava com as algemas e grilhões”; (Mc 5, 4-5) e no conhecimento religioso manifesto pelos expulsos: “Que queres de nós, Jesus de Nazaré. Sei quem tu és, és o Santo dos Santos, o Santo de Deus” (Mc 1, 24). O importante é que em todas as ocasiões, Jesus vence o poder do mal; a manifestação do poder do demônio seja nas doenças ou nas deficiências torna-se secundária quando nos atemos ao poder de Jesus frente ao mal. Não importa como o demônio se manifeste, Jesus sempre o vencerá. “Ao entardecer, trouxeram-lhe muitos endemoninhados e ele, com uma palavra expulsou os espíritos e curou todos os que estavam enfermos a fim de se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaias: ‘levou-nos nossas enfermidades e carregou nossas doenças’” (Mt 8,16-17).
Jesus nos faz conhecer que não basta somente o exorcismo. É preciso substituir o poder demoníaco pelo poder do bem e por uma iluminação interior do indivíduo. O exorcismo é o primeiro passo no processo de cura. O espírito impuro é exorcizado para que seja substituído pelo Espírito Santo.

A Tentação

Um dos aspectos do domínio de Satanás é o seu poder de manipular (e de tentar) as mentes dos homens. Semelhante poder supõe nele profunda compreensão da alma humana, das vontades e das inclinações dos filhos de Deus. Satanás é descrito como o tentador em Mateus: “Então, aproximando-se o tentador disse: transforme estas pedras em pão” (Mt 4,3); como o pai da mentira em João: “Vós sois do diabo, vosso pai, e quereis realizar os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade. Por que nele não há a verdade. Quando mente fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8,44); é enganador e usa de formas inocentes para ludibriar o homem: “O próprio Satanás se transfigura em anjo de luz” ( 2Cor 11,14).
São Justino, no discurso “O Verbo e suas Sementes”, comenta “os malvados demônios estenderam um véu sobre os divinos ensinamentos de Cristo, com a finalidade de apartar os homens [...]. Usa de estratagemas para tentar o homem a separá-lo da graça de Deus, desejando separar o Criador de sua criatura, o Pai de seus filhos. Esta separação constitui o traço essencial do pecado. O pecado de Adão é o pecado do rompimento da unidade, do rompimento da harmonia, rompimento da verdade. Em Adão a humanidade se afastou de Deus” [...]. “Nossos primeiros pais eram puros, mas concebendo a palavra da serpente, geraram a desobediência, a divisão e a morte” (São Justino).
O demônio usa a divisão para enfraquecer o homem. Quando a alma do homem está dividida pelo pecado, o egoísmo se instala e a inveja toma seu trono no coração humano. A inveja de Caím, fruto de um coração dividido e egoísta, levou a assassinar seu irmão.
Além da separação, a Satanás é atribuído tradicionalmente o domínio do mundo secular. Ele é descrito como o “príncipe deste mundo”: “É agora o julgamento deste mundo; agora o príncipe deste mundo será lançado fora ,e quando eu for elevado atrairei todos a mim” . (Jo 12,31) Paulo o chama de “o deus deste mundo”: “Se o nosso Evangelho permanece velado, está velado para aqueles que se perdem, para os incrédulos, dos quais o deus deste mundo obscureceu a inteligência a fim de que não vejam brilhar a luz do Cristo”. (2Cor 4,3-4).
Santo Inácio de Antioquia, na Patrística, usa também a expressão “príncipe deste mundo” para falar do demônio, e nos adverte; “O príncipe deste mundo quer arrebatar-me e corromper meus sentimentos em relação a Deus. Não sejais como os que invocam Jesus Cristo, mas desejam o mundo! Na habite entre vós a inveja!” (Sermão aos Romanos)
Quando o diabo tentou Jesus O levou para uma alta montanha e lhe mostrou todos os reinos do mundo dizendo: “eu te darei tudo isso se, prostrando-se me adorares” (Mt 4,8). O ter, o ser e o poder são os alvos preferidos do demônio para tentar separar o homem de Deus.
“O demônio é uma criatura que seduz, apresentando-se muitas vezes como tentação da carne e da beleza”. Assim acreditavam os padres do deserto. Às vezes se apresenta sob forma humana, possuidor de uma beleza sedutora, como um anjo de luz. Assim é descrito o demônio pelos primeiros cristãos gregos que o pintaram como sendo jovem e encantador, dizendo com isso que o mal é tão atraente e poderosamente sedutor, que os homens cedem ou consentem com o mal diante de sua tentação. “De diversas maneiras o demônio mostra sua hostilidade para com a verdade. Pretende por vezes golpeá-la simulando defendê-la. Faz-se defensor do único Senhor para extrair da divina unidade uma heresia” (Tertuliano, ao defender o dogma da Santíssima. Trindade, contra heresia da Praxéias) .

O Exorcismo

O Primeiro Concílio de caráter local que assumiu uma atitude solene e decidida sobre a questão do diabo foi o Concilio de Praga (Portugal), em 561, numa declaração contra os priscilianos, que acreditavam que o diabo não havia sido criado por Deus. A Igreja então afirmou que Deus criou-os anjos perfeitos e por causa de seu livre arbítrio rebelaram-se. Mais tarde, outras afirmações foram consolidadas pelo Magistério e a Tradição a respeito da origem, obras e tentações demoníacas. Por isso o exorcismo deve ser visto dentro do contexto da Igreja. Para os cristãos, o exorcismo não se trata de um ritual gnóstico, nem do domínio de uma técnica, nem da habilidade mística de um sacerdote. O exorcista é ministro de Cristo e da Igreja. É Cristo quem exorciza. É o seu poder que subjuga e lança para fora o mal através do sacerdote, em nome da Igreja. Porque é a Igreja, corpo místico de Cristo, quem capacita, pelo Sacramento da Ordem, a realizar a obra de Cristo em nome d’Ele.
Na Igreja Primitiva, o exorcismo era feito sempre por um sacerdote cuja vida espiritual era intensa, e sempre na companhia de outros membros da Igreja, que se uniam ao sacerdote na oração, recordando que, onde dois ou três estivessem reunidos em nome do Cristo, Ele estaria no meio deles. Sendo assim, era garantida a presença de Cristo num ritual de exorcismo, pois esta promessa saiu da própria boca do Senhor. O exorcismo é uma oração dirigida a Deus, a fim de afastar os demônios ou os espíritos maus das pessoas, lugares ou coisas que estejam infestados por eles, que correm o perigo de se converterem em vítimas ou instrumentos de sua maldade. O exorcismo é uma oração da Igreja que reza unida pelo afastamento da presença do mal. A fé, a vocação e a integridade espiritual do sacerdote desempenham um papel importante no êxito do exorcismo: “E constituiu doze para que ficassem com Ele, para enviá-los a pregar e terem autoridade para expulsar os demônios”. (Mc 3,14; Mt 10,1)
Também no Sacramento do Batismo as forças do mal são exorcizadas pelo sacerdote, purificando assim a alma da criança para receber o Espírito Santo pelas águas batismais. Três grandes orações são elevadas a Deus para que qualquer tipo de mal seja afastado daquele que receberá o Batismo.
As orações que se elevam a Deus em nome do Senhor Jesus para obter a libertação do mal, seja ele qual for, está presente no culto cristão desde o principio. A fé cristã se caracteriza pela convicção invencível de que Cristo é Senhor e de que o pecado, a morte e Satanás não terão a última palavra sobre o destino definitivo do homem. O cristão autêntico está seguro que Cristo já venceu o mal embora suas manifestações ainda sejam sentidas no mundo.

Preocupada com possessões demoníacas, Igreja de Espanha nomeia de emergência oito exorcistas


Cardeal Rouco Varela preocupado com aumento de alegadas possessões demoníacas em Espanha

O cardeal Rouco Varela, arcebispo de Madrid e presidente da Conferência Episcopal Espanhola, nomeou, de uma assentada, só oito exorcistas para a diocese - numa decisão sem precedentes na história da Igreja Católica em Espanha. Segundo avançou ontem uma publicação online especializada em temas religiosos, "Religión en Liberdad", as nomeações terão sido motivadas pela "enorme avalancha de pedidos de ajuda relacionados com influências maléficas". O objectivo do arcebispo será conseguir que cada vigararia da diocese - existem oito - tenha o seu próprio exorcista oficial. Terá estado ainda em estudo a possibilidade de a diocese de Madrid criar uma linha telefónica para atender pessoas perturbadas. "Mas a hipótese foi descartada e os fiéis terão de entrar em contacto com a respectiva vigararia e pedir um encontro com o respectivo exorcista", escreveu o "Religión en Liberdad", citando fontes da diocese.
Os novos exorcistas, nomeados "de emergência", vão contar com o apoio de um grupo de psiquiatras, que terão como missão ajudar os padres a discernir, caso a caso, se há ou não possessão demoníaca - porque a Igreja só realiza exorcismos depois de descartada a hipótese de doença física ou mental. Os oito padres estarão já a receber formação, coordenada por César Franco, um dos três bispos auxiliares de Madrid. Do currículo faz parte o novo ritual de exorcismo, aprovado por João Paulo II em 1998. Em Espanha, segundo um estudo feito recentemente por um padre, Antonio Doñoro, e intitulado "Exorcismos. Fontes e Teologia do Ritual de 1952", só 26% das 69 dioceses têm padres exorcistas nomeados oficialmente.
Madrid é a segunda diocese do mundo a apostar em força na formação de especialistas na área, a seguir a Milão. Num espaço de poucos meses, o cardeal Angelo Scola, arcebispo italiano, duplicou o número de exorcistas oficiais, que passaram de seis para 12, e criou um gabinete específico para atender pessoas que possam estar sob influência demoníaca. Também foi criada na Cúria, em Dezembro, uma linha telefónica para assuntos relacionados com o diabo. O bispo Angelo Mascheroni, responsável desde 1995 pelo Colégio de Exorcistas italiano, explicou que há cada vez mais pessoas a telefonar para "pedir um nome, uma morada, um telefone ou um lugar seguro onde se possam dirigir para aliviar o sofrimento de algum familiar ou amigo que consideram possuído". O aumento de práticas ligadas à magia e ao esoterismo e de bruxos e tarólogos estará na origem do aumento de possessões. "Foi por isso que criámos a central telefónica na Cúria, que funciona de segunda a sexta, das 14h30 às 17h", justificou o bispo.

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