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Demonologia é o estudo sistemático dos demônios. Quando envolve os estudo de textos bíblicos, é considerada um ramo da Teologia. Por geralmente se referir aos demônios descritos no Cristianismo, pode ser considerada um estudo de parte da hierarquia bíblica. Também não está diretamente relacionada ao culto aos demônios.


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ritual de Proteção com Invocação dos Arcanjos.

O Ritual de Proteção para Invocação dos Anjos.
Este ritual serve para invocar o poder dos quatro grandes arcanjos, Rafael, Gabriel, Mguel e Uriel.
Com a mão em formato de figa, trace um pentagrama, acima de sua cabeça, com o braço todo esticado.

Dizendo o seguinte:
Em nome sagrado dos Deuses, Adonai, de Jeová, de Ejeich e de Agla, eu selo este círculo com os elementos, Terra, Água, Ar e Fogo“.
A pessoa deve girar devagar no sentido horário formando o círculo, para que passe pelos quatro pontos cardeais.
Quando der toda volta, abre os braços e diz:
Frente a mim, Rafael
Detrás de mim, Gabriel
À minha direita. Miguel
À minha esquerda, Uriel
Frente a mim flama o pentagrama de proteção
E, detrás de mim, a estrela de seis raios.
A estrela de seis raios é mais conhecida como estrela de David, a qual está formada por dois triângulos entrelaçados; um aponta para cima e o outro para baixo. O triângulo superior simboliza o fogo e o inferior, a água.
Assim, você estará protegido(a) com os arcanjos baseados na Cabala e com os dois símbolos, o pentagrama e com a estrela de Davi.

Ritual Menor do Pentagrama

O Ritual Menor do Pentagrama (algumas vezes abreviado como "RmP") é um ritual fundamental da magia cerimonial. Ele foi originalmente ensinado pela Hermetic Order of the Golden Dawn como um ritual de banimento. Propósito
A primeira tarefa dum Magista em toda cerimônia é consequentemente tornar seu Círculo absolutamente impenetrável.—Aleister Crowley
Um banimento é geralmente efetuado antes do início de um ritual mágico. Isto tenciona limpar a área do ritual – tanto faz ser um quarto ou um círculo mágico— de todos aqueles elementos que possam interferir na operação mágica. O Banimento consiste em remover todos os objetos de um lugar de trabalho para por dentro deste espaço reservado aqueles objetos que sejam pertinentes à operação.
Em cerimônia elaboradas, o Magista pode optar por banir todos os elementos (Ar, Terra, Fogo, Água, & Espírito), os planetas, os signos do zodíaco, espíritos, formas-divinas e até mesmo as dez Sephiroth. Inclusive as forças que serão invocadas são banidas. Como diz Crowley , “porque esta força como existe na Natureza é sempre impura”.
Rituais de banimento também podem ser executados como finalidade em si. Isto pode ser feito por vários motivos – para limpar um cômodo ou casa, para eliminar energias negativas ou indesejadas ou simplesmente para acalmar e balancear a mente. Vários magistas praticam rituais de banimento diariamente. O Ritual 
Parte 1 - A Cruz Cabalística (ou Rosa Cruz)
1 - Toque a testa e diga ATEH
2 - Toque o sexo e diga MALKUTH
3 - Toque o ombro direito e diga 'VE - GEBURAH
4 - Toque o ombro esquerdo e diga VE - GEDULAH
5 - Junte as mãos no peito e diga LE - OLAHM AMEN
Parte 2 - Os Pentagramas 6 - De frente para o Leste (o oriente, ou para os thelemitas, Boleskine), desenhe um pentagrama visualizando-o, no centro visualize o primeiro nome, IHVH e inspirando-o, sentindo passar pelo peito até os pés e sentindo a sua volta, fazendo o sinal do entrante, varando o pentagrama, vibre o nome ("Iod Rê Vô Rê", por exemplo) com energia.
7 - De frente para o Sul, repita o processo anterior trocando o nome por ADONAI.
8 - De frente para o Oeste, repita o processo anterior trocando o nome por EHEIEH.
9 - De frente para o Norte, repita o processo anterior trocando o nome por AGLA.
Caso o estudante não tenha percebido, ele está girando no sentido horário.
Parte 3 - Invocação dos Arcanjos 10 - Na posição de Cruz (os braços abertos e os pés juntos), o estudante repetirá:
"A minha frente RAPHAEL"
11 - "Atrás de mim GABRIEL"
12 - "A minha direita MICHAEL"
13 - "A minha esquerda AURIEL" -
14 - "Pois ao meu redor flamejam os Pentagramas"
Sempre imaginando os Arcanjos nas suas respectivas posições e os pentagramas em chamas. Cada um está relacionado a um elemento: Ar, Fogo, Água e Terra, na sequencia. Como os elementos são 4, o magista, ao centro, será a 5ª parte do pentagrama, o espírito.
15 - "E na coluna do meio, brilha a estrela de seis raios".
Que o estudante visualize dois Hexagramas, um em cima e o outro projetado embaixo, com uma faixa de luz estendendo-se infinitamente na vertical, envolvendo-o.
16 - Repita a Parte 1 e o ritual estará encerrado.
Comentários 1- A pessoa que quiser usar as forças do Æon de Hórus nesse ritual deve prestar atenção num detalhe: a troca das tradicionais imagens dos querubins Rafael e Gabriel. O Novo Æon trouxe uma nova atribuição dos elementos com as quatro bestas: Água agora é Homem/Anjo e Ar é a Águia.
Esses conceitos foram passados a Therion nas experiências dos Aethyr 23 e 24, em Liber 418. O comentário a seguir é do 24º:
“O Querubin-Águia no 23º Ar é Aquário. Escorpião é a Mulher-Serpente. Isso é importante para a antiga atribuição da Águia para Escorpião.”
Therion deixou isso visualmente registrado no Tarô de Thoth, mais especificamente nos arcanos V e XXI: reparando nas extremidades das cartas, a Águia vem antes do Homem/Anjo. Fica melhor se sobrepormos essa distribuição no pentagrama. Nele, se começarmos a leitura da esquerda para direita, no sentido horário, tem-se Ar – Água – Fogo – Terra. Repare também, no arcano XXI do Tarô de Marseille, a antiga atribuição.
Portanto a sua frente, Leste (Boleskine), a figura com Cabeça de Águia e corpo de homem atrás, cabeça de Homem em corpo masculino, à direita, cabeça de Leão com corpo masculino e a esquerda, cabeça de Touro com corpo também masculino.
2 - Este ritual pode ser feito de duas maneiras:
Invocando - o Pentagrama da Terra deve ser desenhado partindo da extremidade superior esquerda ( como se estivesse puxando do céu).
Banindo - o Pentagrama da Terra deve ser desenhado partindo da extremidade inferior esquerda ( como se estivesse lançando para o céu)
3 - Este poderoso, porém simples ritual, foi usado durante toda vida por Aleister Crowley. Ele está ligado aos trabalhos na esfera de Malkuth.
4 - Athe significa A Ti, Malkuth significa Reino, Ve - Geburah O Poder, Ve - Gedulah A Glória, Le Olham Amen, Para todo sempre Amém.
5 - Na visualização dos Hexagramas (15) , um vácuo é formado na projeção da luz entre as duas figuras, e preenchido com o macrocosmos.
6 - Uma outra versão adiciona mais um íten na Parte 1, o segundo movimento seria tocar o peito e dizer Aiwass (após o grau de Adeptus Minor, o iniciado poderia usar o Nome).
7 - Originário da Golden Dawn, sobrevive até hoje como um dos mais eficientes rituais da magia. Posteriormente Crowley fez uma nova versão ( a forma Banindo) associando com os conceitos do Novo Æon, batizando-o de Liber XXV. Ver também Liber 6.
8 - Na realização do ritual, o iniciado deve visualizar-se no cruzamento dos caminhos de Samekh e Peh.Na Árvore da Vida
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Imagine que você está de pé na interseção dos Caminhos de Samekh e Phe. Você está de frente para o Sol – Tiphareth – portanto à sua direita está Netzach, à sua esquerda está Hod e atrás de você está Yesod, respectivamente Vênus, Mercúrio e Lua. Você está assim de pé numa coluna protegida por sua invocação microcósmica. O resultado sendo uma reação macrocósmica, o Hexagrama ou estrela de seis raios aparece também acima e abaixo de você sem qualquer esforço de sua parte (Note o equilíbrio do 5 e do 6).
Desta forma você está totalmente isolado das partes externas, qliphoticas, do Universo.
Tenha bem em mente a percepção desta Coluna com os circundantes pentagramas e os hexagramas acima e abaixo de você. Prática contínua é essencial. É essencialmente importante não relaxar qualquer parte dele; visualizar claramente e limpamente as forças invocadas, com exceção dos Entes Divinos, que não aparecerão, em circunstâncias ordinárias, por tão pouca causa.
Você pode figurar para si mesmo as formas dos Anjos ou antes Arcanjos. Por exemplo: Raphael, começando com “R”, terá cabeça de Glória Solar, e o “Phe” que segue mostra que o resto do aspecto dele é marcial; o “AL” que conclui o Nome (no caso da maioria dos entes angélicos) indica que ele leva a Espada e a Balança. 
 Usos para o Ritual

1. Como forma de oração, o Ritual pode ser realizado pela manhã (invocando), e à tarde (banindo). Para banir não basta inverter o traçado das linhas que formam os pentagramas. Você deve começar no Oriente (ou norte) e girar no sentido contrário do relógio. Os nomes devem ser vibrados tanto quanto possível, sentindo-se que todo corpo estremece (vibra) com o som e envia esta onda de vibração para os confins do Universo, isto é, em direção para qual o praticante está virado no momento.
2. Como uma proteção contra magnetismo impuro. O Ritual banindo pode ser usado para “destruir” os pensamentos obcecantes e perturbadores, assim: Dê uma imagem à sua obsessão e a imagine formulada perante você. Projete-a para fora de sua aura com o Sinal do Entrante, Quando a imagem mental se afastar de você (mais ou menos a um metro), impeça-a de retornar com o SINAL DE SILÊNCIO. Agora imagine esta forma, perante você, no Oriente, e execute o Ritual Menor do Pentagrama Banindo para desintegrá-la.. Veja-a, à sua frente, dissolvendo-se no anel de chamas formado pelos pentagramas.
3. O Ritual também pode ser utilizado nas práticas de concentração: Sentado em sua Ásana preferida, imagine-se de pé (vestindo o Robe e empunhando a Arma apropriada), e execute Mentalmente o ritual. Imagine os pentagramas como Estrelas Flamejantes (o que na realidade, eles são). No final a imagem é de um Círculo de Fogo fechado nos quatro lados com estas estrelas.
4. Segundo Israel Regardie no Livro Magia Hermética, uma das funções do Ritual do Pentagrama Menor é limpar, equilibrar e fortalecer o corpo astral. Lidando com ataques psíquicos 

O excelente método que será aqui descrito, deriva-se do Ritual do Pentagrama sendo sua função mais específica.
1. Feche os olhos e gire em um círculo até que possa sentir a direção de qual a real ou imaginária onda de energia negativa se origina. Uma vez encontrada esta direção, encare-a firmemente. O caminho do Magista não é um caminho para covardes. Permaneça orgulhosamente de pé, e visualize em sua testa um brilhante e elétrico-azulado pentagrama com um ponto acima.

2. Agora, traga suas mãos até a altura de sua testa circundando a brilhante estrela. As mãos devem formar um triângulo com a ponta para cima (o triângulo do fogo). Assim, você terá um triângulo de manifestação, circundando o Pentagrama com os polegares com a base.


3. Agora tome uma profunda respiração, e ao mesmo tempo em que exalar o ar contido nos pulmões, avance o pé esquerdo e arremesse suas mãos para a frente ao mesmo tempo visualizando o pentagrama em sua testa deslocando-se rápido na direção que você está olhando. Isto terá o efeito de expulsar o real ou imaginado ataque psíquico de sua aura. Para impedi-lo de retornar, faça imediatamente o Ritual do Pentagrama Banindo.

Apocalipse - a queda dos anjos ao crepúsculo do mundo

Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o paraíso celeste foi palco de um terrível levante. Armados com espadas místicas e coragem divina, querubins leais a Yahweh travaram uma sangrenta batalha contra o arcanjo Miguel e os anjos que o seguiam.
Deus, o Senhor Supremo de Todas as Coisas, continuava imerso no profundo sono que caíra após ter concluído o trabalho da criação – o descanso do sétimo dia. Enquanto ele permanecia ausente, os arcanjos ditavam as ordens, impondo seus desígnios no céu e na terra. Sentados no topo de seus tronos de luz, cada um deles almejava alcançar a divindade.
Concentrando todo o poder debaixo de suas asas, os poderosos arcanjos, onipotentes e intocáveis, utilizavam a palavra de Deus para justificar sua própria vontade. Revoltados com o amor do Criador para com os seres humanos e movidos por um ciúme intenso, decidiram ir contra as leis do Altíssimo e destruir todo homem que caminhasse sobre a terra, acabando assim com parte da criação do Divino.
Impulsionado por essa fúria, Miguel, o Príncipe dos Anjos, enviou à Haleddiversas calamidades, mas, como insetos persistentes, os mortais resistiram. Os tiranos alados desejavam um regresso à aurora dos tempos, quando só os animaispovoavam o mundo. Eles nunca aceitariam venerar uma criatura feita do barro,uma vez que tinham sido gerados a partir do próprio esplendor e glória do Senhor.
Decidido a eliminar de vez a humanidade, Miguel ordenou que os ishins, a casta angélica que controla as forças da natureza, arquitetassem a destruição final. Submissos, eles derreteram as calotas polares e a terra foi inundada por um volumoso dilúvio. Não obstante, os mortais novamente subsistiram.
Diante de tanta morte e devastação, uma conjuração teve início. Em sua inocência política, os líderes dessa conjuração foram traídos por outro arcanjo, Lúcifer, a Estrela da Manhã, o único que conhecia o plano dos revoltosos para libertar o paraíso da opressão a que era submetido. Quando o Arcanjo Sombrio denunciou as ideias revolucionárias, os rebeldes foram derrotados, expulsos do céu e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o fim dos tempos. Enquanto a luz do sétimo dia brilhar, enquanto Deus continuar adormecido, os anjos renegados serão perseguidos e mortos pelos agentes celestiais.
Com o poder e prestígio que conseguiu por ter delatado os insurgentes, Lúcifer arquitetou sua própria revolução. Movido por interesses nem um pouco justos, o Arcanjo Sombrio pretendia tomar o principado de Miguel e ascender acima mesmo do Criador, coroando-se em Tsafon, o Monte da Congregação, e tornando-se assim igual a Deus. O Filho do Alvorecer não queria apenas vencer seu irmão, desejava tornar-se ele próprio Deus – subjugar não apenas o monarca, mas também Yahweh.
Muitos anjos, revoltados com a política celeste, não conheciam as motivações egoístas de Lúcifer e se juntaram a ele. Ao descobrir a traição, o Príncipe dos Anjos declarou nova guerra, e uma segunda batalha estalou. Por seus atos e ambições macabros, a Estrela da Manhã e seus seguidores foram lançados ao Sheol,poço obscuro de trevas e sofrimento, um lugar terrível, um cárcere permanente. Lá, o Arcanjo Sombrio governa e espera o momento certo para iniciar sua vingança. Hoje, os mortais conhecem essa dimensão pelo nome de inferno.
Muitos milênios se seguiram às duas guerras angélicas, e então os humanos reinventaram o período das grandes catástrofes, com suas próprias armas modernas.
No céu e no inferno, o Armagedon marca o início de uma nova era. Quandoo ciclo for completado, Deus despertará de seu sono e todas as sentenças serão revistas. O tecido da realidade cairá. Antigos inimigos se enfrentarão, e não haverá fronteiras entre as dimensões paralelas. Esse será o Dia do Ajuste de Contas.
O crepúsculo do sétimo dia se aproxima, e a noite cairá em breve.

Certo dia, o arcanjo Uziel, cansado daquela espera infindável, resolveu galgar o monte Tsafon e afrontar seu irmão. Armou-se de sua espada de fogo, vestiu uma armadura dourada e tomou a longa escadaria de mármore que levava à construção de pedra no topo do morro. Ao fim dos degraus, o Santuário do Alvorecer aparecia meio oculto pelas nuvens geladas, um aposento imponente, erguido por largas colunas redondas. Uma forte luz azulada coruscava em seu interior, um brilho que o arcanjo acreditava ser as emanações do próprio Deus.
Mesmo através de seu elmo polido, que completava o conjunto da bela couraça, o rosto de Uziel era austero e demonstrava sua vontade. Sozinho, ele ponderara por anos a fio e agora enfim decidira visitar o Altíssimo, só para ter certeza de que o espírito de Deus continuava adormecido, deitado no santuário, e não morto, como às vezes suspeitava. Um dia, havia muito tempo, Uziel contemplara a face do Criador, uma dádiva reservada aos arcanjos – nem os anjos tiveram esse júbilo. E o que ele viu foi fraternidade, amor e compreensão. Então, como teriam os celestiais chegado àquele grau de corrupção? O paraíso caíra em decadência, e com ele também o mundo dos homens.
Mas o caminho ao santuário não seria facilmente vencido. Miguel, o Príncipe dos Anjos, irmão direto de Uziel, guardava o trono divino e não estava disposto a permitir seu ingresso. Sozinho, ele bloqueava a passagem, brandindo sua espada sagrada, a insuperável Chama da Morte. Envergava uma armadura completa, prateada como os raios da lua e adornada por detalhes dourados no peito, que formavam desenhos complexos no metal espelhado. O capacete, de crista vermelha e queixada pontuda, fora posto de lado, deixando aparentes as feições masculinas, a barba por fazer e o rosto cheio de cicatrizes horríveis, adquiridas nas Batalhas Primevas, confronto ancestral sucedido antes mesmo da criação do universo.
Miguel era o mais forte dos cinco arcanjos, o primogênito, o herdeiro do Criador. Seu cabelo, negro e comprido, era cortado por uma mecha alva que corria à nuca, e os fios estavam presos em um rabo de cavalo pouco alinhado. Se avistado por olhos humanos, poucos o reconheceriam como uma entidade celeste, não fossem as asas branquíssimas, afiadas como navalhas.
O vento ameno da aurora agitou o cabelo do príncipe e soou como apito aos ouvidos de Uziel. O visitante estacou a dez metros do guardião, na parte mais baixa da escadaria. Silenciosos, os dois gigantes se encararam – Miguel, forte e confiante; Uziel, indignado e decidido. O invasor levantou sua espada em posição de defesa, segurando a arma com ambas as mãos.
– Saia de meu caminho, Miguel. Estou reivindicando o direito de visitar o nosso Pai, Yahweh, em seu leito de repouso. É meu direito como arcanjo e descendente do Criador.
Por um momento, o príncipe nada disse. Em seguida, desceu um degrau.
– Você não vai a lugar algum, caro irmão. Minha paciência esgotou-se. Estou farto de sua insolência. Sou o Príncipe dos Anjos, e isso significa que sou o líder dos arcanjos também. A minha palavra é a lei – determinou. – Yahweh está dormindo, como sabemos. E não pode ser perturbado. Estou aqui para defendêlo, e não será você ou qualquer outro que me destituirá de minha função principal.
Uziel pareceu ainda mais irritado.
– E como saberei que ele está mesmo aí dentro, Miguel? Você nos diz o mesmo há milênios, insistindo que, um dia, o Criador despertará para punir os injustos. Pois eu digo que este dia chegou. A podridão tomou conta do mundo. Já é hora de sabermos se o que fala é correto.
– Atreve-se a questionar os meus comandos? Sou o seu irmão mais velho! Não duvide de seu comandante.
– Veja aonde você nos levou e pergunte a si mesmo se é realmente algum tipo de líder. Gabriel arrastou metade dos nossos anjos para uma guerra civil contra nós, e Rafael nos abandonou, caindo em desgraça. Se você se opuser a mim, que outro arcanjo terá ao seu lado? Lúcifer? – ironizou, evocando o nome do maior de todos os inimigos do céu: Lúcifer, o Arcanjo Sombrio, expulso pelo próprio Miguel do paraíso, com sua horda nefasta.
O Príncipe dos Anjos lançou ao invasor um olhar de desdém, ao mesmo tempo em que levantava sua espada fulgente.
– Eu não preciso de você, Uziel. Não preciso de ninguém.
Então, o guardião empunhou sua arma e a moveu para o ataque. Suas chamas cresceram, e a luz do fogo sagrado refletiu nos olhos castanhos do príncipe. Uziel sentiu vontade de fugir ante a majestade do inimigo, mas sua pujança o motivou ao combate.
– Então é verdade, não é? É verdade o que Gabriel disse aos seus anjos... – Mas, antes que Uziel terminasse, Miguel alçou voo, abriu as asas e desceu para ferir o irmão com um golpe violento de espada. Ofuscado pelo brilho do sol, o visitante quase não se esquivou, mas conseguiu rolar para o lado no instante preciso. Um estrondo titânico abalou a montanha, e a lâmina flamejante tocou a escadaria de mármore, abrindo uma fenda larga no solo. O invasor teria caído pela encosta do morro, não tivesse adejado em reflexo. Ascendeu às alturas e em seguida mergulhou, aterrissando em um sítio acima do guardião, muito perto da passagem ao santuário. Dando as costas ao perigo, disparou para dentro do templo, subestimando a potência de seu algoz.
Mesmo entendendo que jamais venceria o impiedoso vigia, Uziel continuou em sua trilha. Queria entrar no Santuário do Alvorecer e vislumbrar a face do Onipotente, só mais uma vez, nem que isso lhe custasse a vida. Se o Altíssimo estivesse realmente adormecido, ele teria obtido a resposta que procurava – a de que sua luta ao lado do arcanjo Miguel tinha sido legítima. Mas e se nada encontrasse? E se Yahweh não estivesse deitado em Tsafon? Essa hipótese o apavorava, mas ainda assim pereceria feliz, sabendo que desafiara seu tirânico irmão, mesmo que num derradeiro momento. Teria, então, se redimido de todas as matanças, de todas as catástrofes que promovera, de todos os cataclismos que comandara.
Correndo e voando, ele pulou para o interior do edifício, venceu as colunas e ultrapassou o umbral de entrada.
Uma luz intensa confundiu seus sentidos, mas logo a vista se adaptou à claridade. No centro do grande aposento, surgiu um pedestal trabalhado, e sobre ele descansava um livro grosso, de aparência antiga, escrito por dentro e por fora. Aquele era o Livro da Vida, um magnífico artefato deixado ao Príncipe dos Anjos pelo próprio Deus, e que relatava em detalhes toda a história do sétimo dia, desde a criação do homem até o crepúsculo dos tempos. Estava marcado com o código secreto dos malakins, um idioma anterior à aurora do mundo. Miguel nunca deixava que qualquer um se aproximasse do tomo, e sua obsessão pelo objeto chegava a ser psicótica.
Quando percebeu o que se passava, Uziel sentiu as costas rasgarem em um corte abrasado. A dor do fogo queimou suas asas, e o sangue escorreu pelo ferimento. Como um raio certeiro, a espada flamejante do furioso Miguel dilacerou suas costas, lançando o invasor ao estado letal. Atordoado, desabou contra o chão, largando o sabre e se esticando à espera da morte.
O guardião pisoteou o busto do visitante, esmagando o metal da armadura dourada. Então, apontou a lâmina ao rosto do irmão, em prelúdio ao choque final.
– Miguel, você nos traiu! – protestou o ferido, cuspindo um refluxo de sangue. – Você traiu a confiança dos arcanjos e de todos os celestiais.
– Eu não traí ninguém, Uziel. Foi você quem traiu a si próprio.
– Onde está Deus, Miguel? Onde está o nosso Pai Luminoso? Prestes a desfalecer, Uziel ainda resistia, procurando resposta à sua busca desesperada. Não distinguira sinais do Altíssimo no templo de mármore, apenas os contornos de um livro envelhecido. O que teria acontecido ao Criador?
– O Onipotente está aqui mesmo, Uziel. Será que não percebe? Ele está aqui, no Santuário do Alvorecer!
Uziel maneou a cabeça, convencido da insanidade do irmão.
– Yahweh está morto, é isso! Ele morreu ao fim do sexto dia! Não está apenas adormecido, como você contou. Você nos enganou por todos estes anos, Príncipe Celeste – acusou. – Eu me sinto envergonhado por ter acatado as suas ordens, mas estou feliz por ter enfim alcançado a verdade.
Assim, Uziel se acalmou. A vida o estava deixando, mas ele havia cumprido sua missão. Agora, sua essência vital poderia finalmente se dissipar e regressar ao ventre do infinito.
Pronto para a execução, Miguel deteve a espada por mais um segundo.
– Perdeu o juízo, pobre irmão. Se preferisse esperar só mais um pouco, não estaria agora estendido neste piso gelado. A Roda do Tempo não tardará a anunciar o Apocalipse. Mas não é sua culpa. Você não poderia ter feito nada para evitar o destino. Assim está escrito – completou, fatalista.
Então, o príncipe levantou sua lâmina, e Uziel aguardou a sentença.
– Não me tome por louco – acrescentou o arcanjo Miguel, em inesperado discurso. – Antes que morra, quero que saiba que só digo a verdade e faço tudo pelo bem da criação. Deus está adormecido, e se você não o encontrou quando entrou nesta sala – pausou e em seguida atacou com a espada, perfurando o estômago do moribundo – é porque não teve a dignidade de olhar para trás.
Quando a arma encravou, o invasor se contorceu em espasmos de dor. Miguel trespassara seu peito, a parte mais sensível da anatomia angélica, onde está concentrada toda a essência celeste, toda a energia sagrada, todo o poder da aura pulsante.
Com uma mão, o príncipe despedaçou a couraça, e com a outra arrancou o coração do irmão. Uma luminosidade mística envolveu o cadáver, e o corpo se dispersou em vibrações cintilantes. E esse foi o fim do arcanjo Uziel, patrono da casta dos querubins.
Vitorioso, Miguel se aproximou do pedestal, onde repousava o livro fechado. Deslizou os dedos sobre as inscrições e sublinhou com os olhos os caracteres marcados. Virou-se para trás, para a nave do templo, agora vazia. Então, voltou a atenção ao tomo sagrado. Com um misto de seriedade e loucura, o arcanjo falou num sussurro:
– Concordo com você em um ponto, irmão: chegou o dia de Deus despertar de seu sono.

O sol estava se pondo.
Em pé, sobre a gigantesca mão da estátua do Cristo Redentor, o Anjo Renegado observava a cidade, à aproximação do crepúsculo. Sua expressão, inabalável e serena, era de alguém que muitas vidas vivera, de um andarilho que percorrera o mundo, desvendara seus infinitos mistérios e enfrentara toda sorte de criaturas, abissais e celestes. Mas era também o semblante de um pioneiro, que visitara nações já perdidas e se sentara à mesa com os grandes homens de outrora. Era como se, nas profundezas daqueles olhos cinzentos, estivesse gravada uma parte singela de cada civilização, de cada povo, de cada cultura ancestral e moderna – das torres resplandecentes de Atlântida às pirâmides da Babilônia; das cidades-Estado gregas à majestade do Império Romano; das catedrais medievais às caravelas de Sagres; das campanhas napoleônicas ao horror nuclear. A história de toda uma espécie vivia agora na mente do fugitivo, um guerreiro de jovem aparência, tão preservado quanto os mortais no auge da casa dos trinta.
Às vezes o lutador ficava imóvel por horas, em absoluto silêncio, meditando sobre os amigos já mortos, para que jamais lhe deixassem a memória. Pade18 cia de um único temor: o medo de esquecer – esquecer os seus ideais, o seu passado e a sua luta incansável.
Uma rajada de vento sacudiu a montanha, balançando os loiros cabelos do renegado. Ele os prendeu com uma fita e caminhou sobre a estrutura de pedra. Seu equilíbrio era impecável, mesmo na estreita passagem, que completava o braço da escultura titânica. Não se parecia com um anjo de fato, porque escondia as asas, enfiadas na carne. O rosto era tipicamente nórdico, e o corpo, atlético, forte e delgado. Guardava um aspecto felino – era a face de um caçador, sempre alerta ao perigo e pronto a responder ao ataque. A barba, mais espessa à volta da boca, formava um cavanhaque dourado, e as roupas escuras delineavam uma silhueta sombria. Estático, inabalável ao vento, o querubim esperava por algo. Provava o cheiro do ar, escutava o movimento das nuvens e enxergava a despedida do sol.
Dali, do cume da imensa montanha, mesmo os maiores arranhacéus eram agulhas, farpas minúsculas no coração da cidade. As águas da baía de Guanabara, cercada pelo morro do Pão de Açúcar e pelas brancas areias da enseada, refletiam o róseo brilho poente. Foi então que, à contemplação da paisagem, o celeste percebeu quanto a metrópole crescera, desde sua chegada ao Brasil, havia exatos trezentos anos. As praias estavam interditadas, e as fábricas poluíam a baía. As pessoas haviam construído pontes e ruas e levantado antenas no alto dos morros.
Agora, era só uma questão de tempo até que o sol extinguisse seu fogo, e a civilização mortal perecesse.
E o gigante dos tempos entendeu por que estava triste.
Por mais que um dia tivesse sido um anjo, ele agora era humano também.
O tecido da realidade tremeu, e um trovão correu pelas nuvens.
A membrana mística, a película invisível que separa o mundo físico do espiritual, fora abalada, lançando ao plano material dois visitantes, duas entidades tão fortes quanto o general exilado. Uma delas se materializara a distância e permanecia parada sobre a grade de ferro que circulava a base da estátua. Emanava uma aura terrível, maléfica, cheia de ódio e furor. O segundo era amistoso e não desejava combate. Apareceu ali perto, por cima do ombro do Cristo, próximo ao anfitrião renegado. Coxo, caminhou ao encontro do anjo guerreiro, apoiado em uma bengala afiada.
– Ablon, o Anjo Renegado – sussurrou o forasteiro, evocando o verdadeiro nome do general. – Imaginei que o encontraria aqui. De certa forma, não deixa de ser irônico...
A criatura saiu das sombras e, tal como o lutador, parecia um homem comum. Maduro, tinha o corpo largo e maciço, mas era mais baixo que o celeste. Usava um terno alinhado, imitando os trajes mundanos. Uma barba escura cobrialhe a face, delineando o queixo redondo.
– ... nos braços de Deus – completou.
Orion, o Rei Caído de Atlântida. Era assim que o chamavam.
– Pensei que você viesse sozinho – reagiu o querubim, fitando o demônio disfarçado de gente, trepado na grade metálica trinta metros abaixo.
– Ah, sim, Apollyon... – a atenção de Orion se desviou para a mureta de ferro. – Sinto muito. Tive que trazêlo. Ordens do chefe.
As montanhas enfim engoliram todo o lume do sol vespertino, e o oceano aguardou o nascimento da lua. Já na penumbra da noite, Ablon Virou-se para encarar seu velho confrade, um anjo caído, hoje um dos duques do inferno, um monarca falido, que havia seguido as hostes de Lúcifer nos tempos da guerra no céu.
– Orion, em consideração à nossa antiga amizade, aceitei me encontrar com você. Quero deixar claro que esse é o único motivo. Seu mestre me traiu. O demônio que o acompanha – e ele se referia ao implacável Apollyon, um assassino terrível, conhecido por ter vitimado dez dos dezoito renegados – matou muitos de meus amigos. Ademais, eu nunca simpatizei com os condenados do porão – era uma gíria que definia o inferno –, portanto seja breve. O tempo corre.
O Rei Caído sorriu. Aquele era o antigo Ablon, sem dúvida, seu bom camarada que às vezes o visitava em Atlântida e se sentava ao banquete nos dias festivos. O general não havia mudado. Orion o admirava porque, apesar das provações, das perdas e perseguições, ele não esquecera seus verdadeiros valores. Desafiara a todos para defender uma causa e por ela continuaria lutando. Quisera eu ser como ele – pensou o monarca, mas reconhecia também o revés da liberdade. A morte e a solidão acompanham os exilados, e de repente Orion achou que, mesmo que tivesse escolhido o caminho dos bravos, talvez não conseguisse trilhálo.
– Então você também notou, não é? – instigou o infernal. – Os sinais. Eles são a prova definitiva de que o sétimo dia está terminando, e com ele toda a vida humana.
O Apocalipse.
Orion estava certo. Os sinais eram evidentes. Todos os símbolos e profecias apontavam para o Juízo Final.
– Eu sou um anjo renegado, o último ainda vivo. Estou condenado a viver neste mundo físico. Não posso mais cruzar o tecido da realidade como vocês.
Mas não é preciso ser muito esperto para notar que o Armagedon se aproxima – o guerreiro fez uma pausa, e então concluiu:
– É triste pensar que tudo que fizemos foi em vão.
Orion achegou-se ao exilado e tocoulhe o ombro. Mesmo manco, equilibrava-se com maestria no braço da estátua de pedra, arrastando a bengala.
– Não há mais saída, Orion – continuou o fugitivo. – Não há mais esperança. O arcanjo Miguel finalmente conseguirá seu intento, mas desta vez ele não enviará seus anjos. A civilização humana arruinará a si própria. E contra os homens, nada podemos fazer.
Seguiu-se um longo silêncio, e a conversa penetrou a noite cerrada. Ablon continuava atento à silenciosa presença de Apollyon, o Exterminador, que o observava de longe. Os dois eram inimigos declarados, desde os tempos em que ambos eram generais no paraíso – Apollyon era também um anjo caído, como Orion e Lúcifer. Era aquela uma contenda milenar, e brigas ancestrais só se resolvem na espada.
– Há muitos anos, eu fui o príncipe de Atlântida – começou o visitante. – Como um deus, governei a cidade. Cada humano era para mim como um filho. A felicidade estava em todo lugar, e quase não existia sofrimento. Naquela época, eu tinha um amigo. Era um formidável guerreiro, um soldado valente e sábio. Não raro, ele vinha ao meu palácio. Falávamos à multidão e depois cantávamos louvores ao Altíssimo. Mas, um dia, terminou a utopia. A fúria dos arcanjos devastou minha ilha, e o povo morreu. Com ela, acabou também meu sonho, meu desejo de difundir a perfeita civilização, sem dor ou miséria. Quando regressei ao salão celestial, soube que meu amigo, o general incansável, havia enfrentado os primogênitos, e a coragem dele me fez prosseguir. Tudo que eu queria era vingança, e então, desesperado, aceitei as ideias de Lúcifer. É verdade que fomos derrotados e que tenebrosa foi nossa punição, mas nunca me arrependi de ter confrontado o opressor. Para isso, me inspirei em alguém – o olhar voltou-se ao lutador. – Por toda sua vida você lutou, general. Não pode desistir logo agora.
– E qual é sua proposta? – perguntou, amolecido pela confissão do monarca.
– Sei que Lúcifer o traiu. Talvez ele não seja a criatura mais justa do universo, mas é quem melhor conhece as fraquezas do tirânico Miguel. Todos, no inferno e no céu, esperam pelo derradeiro confronto, a Batalha do Armagedon, que antecederá ao despertar do Altíssimo. O combate é nossa última chance de despojar o Príncipe dos Anjos, antes de o Criador voltar à cena do cosmo. Os vencedores estarão mais perto de Deus e a ele apresentarão suas armas.
– Quando Yahweh acordar, punirá os perversos. E não há dúvida de que Miguel será o primeiro a ser condenado, por ter usado a palavra do Altíssimo para justificar tantos massacres. Então, por que não esperar, simplesmente? Por que não aguardar o regresso do Reluzente?
– Não sei quanto a você, mas nós queremos vingança – rebateu e analisou o rosto sofrido do fugitivo. – E eu diria que você também.
– Tudo o que quero é justiça.
–Que seja. Chamea como quiser. Seus interesses estão ligados ao nosso. Miguel se prepara para a guerra, e temos um inimigo em comum.
– O que está me propondo é uma aliança – digeriu o guerreiro, incrédulo.
– A Estrela da Manhã quer você ao nosso lado.
– Seu mestre sabe que eu nunca me uniria a ele, não depois de ele nos ter enganado e denunciado a conjuração. Se eu tiver que lutar essa última batalha, não será sob as asas de um maldito farsante.
Orion já esperava aquela resposta e chegara a julgar estúpido seu senhor, por têlo enviado à terra com tão inusitada proposta. Mas muitas vezes o Rei Caído se surpreendera com a perspicácia do Arcanjo Sombrio, assim preferiu não julgálo precipitadamente.
– Eu entendo todas as suas preocupações, mas desta vez é diferente. Este é o embate final de uma guerra que persiste por milhares de anos. Não haverá outra oportunidade para derrotar o arcanjo.
Ablon cerrou os punhos e fechou os olhos, em ligeira meditação. Tudo que ele mais desejava era completar o ministério de sua vida, enfrentar o Príncipe Celeste e vingar a memória dos renegados. O anjo guerreiro sabia que jamais venceria uma guerra sozinho, mas certamente aquela guerra não seria vencida sem ele. Depois de tantas batalhas, de tantos combates, o fugitivo era o comandante ideal, o mais indicado para dirigir um exército hostil ao tirano. Mas, controlando ou não uma armada, Ablon desafiaria Miguel mais cedo ou mais tarde, porque essa era sua demanda vital, o sentido de sua existência. O duelo só seria possível quando o tecido da realidade caísse, já que o exilado estava preso a seu corpo físico e, portanto, incapaz de passar ao plano espiritual e de viajar ao paraíso. E a membrana só desapareceria à conclusão do Apocalipse. Mas, caso entrasse em acordo com Lúcifer, teria o Diabo meios de pôr príncipe e vagabundo cara a cara para uma peleja mortal?
– Estarei esperando por você nas proximidades da ponte RioNiterói daqui a quatro dias – disse Orion, quebrando o silêncio. – Se você não estiver lá, voltarei ao Sheol e direi ao meu mestre qual foi sua resposta.
O renegado concordou, com um tímido sinal de cabeça. Não descuidava nem um instante de seu odiado rival, o demônio Apollyon, ainda empoleirado no gradeado. Era fortíssimo o tal Exterminador, um demônio guerreiro pertencente à casta dos malikis, os soldados do inferno. A pele era morena como a dos beduínos, e os cabelos, negros e ralos. Vestia um sobretudo marrom, muito batido, e roupas grossas. Tinha, assim como Ablon, instintos de predador, e é claro que estava preparado para avançar, caso o celestial explodisse e saltasse para atacálo.
Orion andou para as trevas, mas acrescentou num sussurro antes de desaparecer no escuro:
– Quero que fique com isso – e sacou do bolso um fragmento de pedra. Era um estilhaço negro de basalto, com a superfície marcada por um símbolo em baixorelevo.
– É a runa atlântica da paz – reconheceu Ablon.
– Era parte do monólito que levantei na praça central de Atlântida. Foi a única coisa que sobrou da minha cidade – Orion completou, melancólico.
– Eu me lembro – respeitou o guerreiro, aceitando o presente.
Ablon não era o único a sofrer com as memórias passadas. Orion também tinha seus próprios fantasmas, e talvez fosse a dor que os unisse, a nostalgia inesquecível daqueles dias de glória. Compreendeu, então, mais uma das grandes emoções humanas. A ligação entre demônio e renegado era forte porque compartilhavam das mesmas lembranças. E essas recordações são invioláveis, precisamente porque se transformam em lugares míticos, inalcançáveis, ícones para uma mente sofrida.
Quando a lua nasceu, arrastando o anil da primavera, os dois infernais já haviam sumido. A membrana fora novamente partida, e agora Orion e Apollyon estavam a caminho do inferno.
– Lúcifer foi muito esperto ao mandar você até aqui, Rei Caído – sussurrou o celeste. – É o único a quem ouço. Mas estarei preparado para tudo. Como sempre estive. Desceu da estátua com um pulo e tomou a estrada em retorno à cidade.

No princípio, havia o céu e a terra, as duas grandes dimensões de um universo bem jovem. Há muito tempo, antes da queda de Lúcifer, o inferno não existia, só a Gehenna, o purgatório das almas, uma das sete camadas celestes destinadas a abrigar o espírito dos pecadores. Esse lugar não era muito diferente do Sheol, para onde o Arcanjo Sombrio e seus seguidores foram lançados após o fracasso na guerra. Na Gehenna a Estrela da Manhã governou, até que fosse expulsa pelo arcanjo Miguel.
Naqueles dias antigos, anteriores mesmo à conjuração, os anjos eram numerosos e fortes, e alguns por demais violentos. Antes do dilúvio, a civilização humana na terra era dominada por duas nações rivais: Enoque, a Bela Gigante, e Atlântida, a Pérola do Mar. Mas, apesar da majestade das grandes potências e de seus heróis inesquecíveis, sua influência não chegava a todos os rincões do planeta. Porções significativas continuavam independentes, e dezenas de milhares de tribos e clãs habitavam o mundo.
Muitas aldeias não reconheciam a existência de um único Deus e veneravam suas próprias divindades locais. Essas divindades nada mais eram do que espíritos de grandes heróis que, adorados após a morte, se tornaram entidades poderosas, crescendo com a energia das preces de seus dedicados fiéis. A fim de permanecer em contato com seu séquito de adoradores, essas entidades preferiram não seguir para o paraíso, mas ficar na camada mais profunda do mundo espiritual, o chamado plano etéreo – daí se chamarem espíritos etéreos.
Com o tempo, os espíritos etéreos, personificados sob a forma de divindades tribais, foram ampliando sua influência, à medida que seus cultistas se multiplicavam. Esse poder paralelo na esfera mística ameaçava a autoridade dos celestiais, que assistiam, aos poucos, à decadência de seu domínio sobrenatural sobre os seres humanos.
Diante da situação, os arcanjos determinaram que os espíritos etéreos deveriam ser confrontados e destruídos. Iniciaram-se então as Guerras Etéreas, uma série de campanhas militares conduzidas no plano etéreo, cujo objetivo era aniquilar toda e qualquer entidade deificada. As Guerras Etéreas duraram cerca de dois mil anos, entre doze mil e dez mil anos antes de Cristo. Em algumas regiões, especialmente no Oriente, as legiões celestes foram destronadas, mas em outras partes saíram vitoriosas.
Ao fim das Guerras Etéreas, os arcanjos retomaram a política dos grandes massacres, enviando pelotões de anjos à terra para assassinar os seres humanos. A justificativa era muito simples. Segundo Miguel, que dizia falar em nome de Deus, Yahweh havia se envergonhado de sua criação, tão perversos haviam se tornado os homens. A civilização humana não parava de guerrear – clã contra clã, tribo contra tribo, aldeia contra aldeia. Pelo ódio natural que carregavam no coração, os mortais deveriam ser descartados.
Muitos anjos bons não concordavam com os morticínios, mas como questionar uma entidade que era a própria voz do Criador? E além disso, os arcanjos eram insuperáveis em inteligência e vigor.
Os poucos que enxergavam a verdade sabiam que Miguel tinha inveja e ciúme da humanidade, por Deus ter dado a ela o mundo, a alma e o livrearbítrio. O Príncipe dos Anjos desejava em seu íntimo acabar com todos os homens, roubarlhes a terra e assumir o trono do Deus adormecido, pelo menos até seu despertar. Mas ele não era o único. O ambicioso Lúcifer tinha igual motivação, e foi então que se tornaram rivais.
No entanto, a cada ano que se passava, à medida que a civilização florescia, engrossava o tecido da realidade. Assim, tornava-se cada vez mais difícil para os celestes agirem na esfera material, e então Miguel, indomável, arquitetou o cataclismo que, segundo ele, liquidaria de vez os “bonecos de barro”.
Para seu desagrado, o príncipe descobriria a verdadeira resistência da espécie terrena.

CHUVA DE SANGUE
No Quarto Céu, isolada no coração do oceano celeste, havia uma montanha delgada que se alargava no topo, imitando a forma de um cogumelo. Em seu cume ficava o Castelo da Luz, o principal núcleo de atividade dos guerreiros alados no paraíso. A fortaleza fora projetada para suportar mil legiões, prontas a defender o céu contra qualquer invasão. O líder do castelo era o arrogante Balberith, o príncipe da casta dos querubins. Temido por todos os soldados, envergava uma armadura sagrada chamada Couraça da Honra, dada a ele pelo arcanjo Uziel, patrono da ordem dos combatentes.
Naquele dia, há doze mil anos, a aurora dava espetáculo, e o sol nascente desenhava uma estrada tremulante no mar. Ablon, o Primeiro General, aterrissou no pátio central e contraiu as asas. Só então regressava ao forte, depois de um longo período de recuperação. Gravemente ferido durante as Guerras Etéreas, o lutador quase perdera a visão ao afrontar o deus Rahab, chefe de uma horda de entidades etéreas. De fato, não estava totalmente curado, mas um acontecimento terrível antecipara sua volta.
Justo e bom como era, Ablon não tolerava participar das carnificinas ordenadas pelos arcanjos, mas, enquanto descansava, o comando de sua legião fora entregue ao maior de seus adversários – o abominável Apollyon, o Anjo Destruidor. Esse homicida nefasto liderara seus soldados em uma sangrenta incursão pela Haled – como os celestiais chamam o plano físico –, aniquilando um povoado inteiro. A operação fora chamada de Chuva de Sangue, em alusão à passagem atroz da legião.
Indignado, porém contido, o general retornou sem demora, preocupado em retomar a liderança de suas divisões. Mas, a despeito de sua querela com o Destruidor, outro evento marcante estava para mudar para sempre a política angélica, e quanto a isso o lutador nada podia fazer.
No Palácio Celestial, no Quinto Céu, os cinco arcanjos discutiam a proposta de Miguel de lançar um cataclismo à terra. A decisão dos primogênitos seria anunciada em breve, e os dez generais deveriam estar reunidos – havia dez grandes generais querubins sob a tutela de Balberith. Ablon e Apollyon estavam entre eles.
Lúcifer, a Estrela da Manhã, mostrara-se contrário à hecatombe. O impasse foi resolvido, então, com o envio de três celestiais à Haled, cuja missão seria comprovar – ou refutar – a perversidade dos homens. Se existisse ao menos uma pessoa justa e reta na face da terra, ela seria poupada.
Os escolhidos para a missão foram três anjos de castas distintas. Um deles era Balam, da casta dos hashmalins, ordem que defende a purificação da alma pelo sofrimento da carne. O segundo enviado era Nathanael, da casta dos ofanins. Os ofanins são anjos da guarda, figuras de luz e sabedoria que amam os mortais e os ajudam no caminho da salvação. Por fim, o terceiro designado era Baturiel, o Honrado, capitão da ordem dos querubins, guerreiro cuja única atribuição seria arbitrar a disputa.
Durante a incursão, Balam tentou corromper cada mortal que encontrou, usando de seus estratagemas para incitar a cobiça nos homens. Nathanael tentou anular suas artimanhas, mas o hashmalim era ardiloso e teria voltado ao céu com um relatório impecável, não fosse por um único humano que resistiu às provações: Noé. E era precisamente sobre o destino desse homem que os arcanjos agora deliberavam.
Ablon, por sua vez, já tinha em mente uma conjuração. Planejava reunir alguns celestiais que compartilhavam das mesmas ideias que ele e depois buscaria o apoio de um dos cinco gigantes – Lúcifer, o principal inimigo do poderoso Miguel. Mas, para isso, a humanidade teria que sobreviver à próxima destruição, e então os conjurados agiriam.
Por ora, a situação estava nas mãos dos arcanjos.
O Castelo da Luz era uma edificação grandiosa, lapidada em pedra clara, ouro e mármore e praticamente inacessível por terra ou mar. Por ar, os virtuais inimigos teriam que, antes, vencer as numerosas patrulhas aladas que defendiam a fortaleza. Por todos os cantos do céu, anjos armados deslizavam ao vento, subiam, desciam, mergulhavam e rodopiavam, em uma dança bela e mortal.
No pátio menor, uma área circular com cem metros de raio, os querubins praticavam técnicas de infantaria, manejando suas espadas contra oponentes invisíveis. Outros moviam suas lanças, simulando o combate, enquanto um regimento de mulheresanjo praticava tiro com seus arcos fantásticos.
Ablon ajeitou sua armadura dourada, uma couraça peitoral coruscante. As armaduras completas, com placas por todo o corpo, estavam reservadas aos príncipes de casta e aos insuperáveis arcanjos – Balberith, o líder da ordem dos anjos guerreiros, tinha uma couraça completa. Depois, o general apertou a fivela do cinto e desceu a mão à bainha, só para sentir o conforto de sua espada mística, a Vingadora Sagrada. Para os querubins, mestres da luta, a espada é uma parte do corpo, um acessório indispensável à batalha. Eles nunca esquecem suas armas e se sentem incompletos sem elas.
Nas alturas da fortaleza, a brisa gelada trazia o aroma da maresia. Com sentidos de caçador, o Primeiro General escutava as ondas a estourar na base da delgada montanha, novecentos metros abaixo. Ouvia o espargir dos respingos e as gotas salgadas escorrendo na rocha.
De repente, um movimento chamou sua atenção. No céu, avistou dois soldados em disputa feroz. Sem armas, eles trocavam socos e chutes, disparando às nuvens e em seguida descendo ao pátio. Os duelos eram comuns no castelo e incentivados como parte da natureza dos querubins. De acordo com o código da casta, qualquer guerreiro podia desafiar outro de mesma hierarquia para um combate particular. No confronto, porém, as armas eram vetadas, e o uso de armadura, obrigatório. Assim, a peleja nunca era letal. O duelo virava treinamento diário, motivando os adversários a aprimorar suas habilidades. Muitos desafios eram aceitos na hora, e frequentemente a fortaleza se convertia em arena aberta. Anjos em serviço não podiam lutar, apenas os celestiais em período de descanso.
O costume de convocar alguém ao duelo consistia em desatar a fivela do cinto, deixando cair a espada. Era o sinal que indicava que o rival estava desarmado e pronto para a disputa. Os alados que portavam armas distintas – como lanças e arcos – simplesmente largavam o objeto no chão e aguardavam a resposta do oponente.
Esquecendo a briga, Ablon escutou um andar regular, acompanhado do tilintar de metal. O capitão Dariel, lutador célebre pela rapidez e percepção, parou diante do superior.
– General, o príncipe Balberith solicita a presença de todos os líderes de legião no pátio central – anunciou, contraindo as asas em sinal de respeito.
– Ele adiantou alguma coisa?
– Baturiel retornou, senhor. Ele traz a decisão dos arcanjos.

A Oração do Arcanjo

Dos sete poderosos Arcanjos, Mensageiros de Deus, o Arcanjo Miguel, o Senhor dos Anjos é o mais conhecido. Ele é o arcanjo da fé, da proteção e da libertação do mal. Bem no início, quando os homens se encarnavam aqui na Terra, ele resolveu acompanhá-los de livre e espontânea vontade, e ser o guardião da fé em Deus. Sua presença ou suas cortes celestiais dirigem-se a Terra para estar ao lado de todos aqueles que desejarem seu auxílio.
Arcanjo Miguel pediu-nos que tivéssemos uma espada de aço simbólica para que ele sobrepusesse sua espada de Fogo Azul Flamejante, assim ele pode nos ajudar na libertação diária de várias condições negativas. O uso da Espada do Arcanjo Miguel, é muito importante nos serviços prestados pelos Guardiões da Chama e filhos da Luz. A Espada de aço inoxidável nos liberta de demônios e entidades malignas que nos afligem o espírito, criando confusão e caos, desorganizações e calamidades no trabalho, em casa e na rua. As entidades montam em nossos corpos inferiores, através do magnetismo animal e de densidades de nossa própria consciência, causando-nos problemas de todos os tipos.
Estas entidades demoníacas roubam nossa energia espiritual e nos sobrecarregam com o mau humor e a sensação de que não estamos controlando nossa própria vida. "A Espada do Arcanjo Miguel é o caminho para a Libertação". Com ou sem a Espada, podemos fazer a Oração da Espada de Arcanjo Miguel para cortar todo e qualquer mal de nossas vidas.Aconselhe a fazer por 21 dias seguidos para uma purificação inicial e repetir após uma semana.Você é o poder da força em épocas do Armagedon. Você é o poder que corta e elimina as forças sinistras. Você é o poder fulminante que corta a ligação de todo o mal, a defesa inabalável em batalhas da ordem Angélica.É a força e o poder divino. O Guerreiro da Luz deve usá-la em nome do ARCANJO MIGUEL, deve erguê-la à Luz de Toda Poderosa presença da Chama Azul e selar seu nome em Cristo.
Vem em nome das Hierarquias Angélicas e das Legiões do fogo azul de Miguel, vem em nome da toda poderosa presença do EU SOU EM MIM. Apelo a vós, Hostes Celestiais de luz! Vinde, vinde, vinde. Envie, em nome da proteção divina, a poderosa e fulminante Espada de Excalibur, a espada de Chama Azul da presença do Arcanjo Miguel. Envie esta espada até a minha mão direita para que eu possa defender a luz. Que suas safiras, esmeraldas, rubis e diamantes transformem-se em tochas e raios de luz de Luz Cósmica, Cortando e seccionando, cortando e seccionando, cortando e seccionando, toda a energia mal qualificada, toda imperfeição, toda frequência que não for frequência da luz.
Tudo que não for a luz deve ser cortado e eliminado em nome do Arcanjo Miguel, o Arcanjo de Cristo. Em nome das Hostes Celestiais, em nome da toda poderosa Espada de Chama Azul, eu peço às legiões do Fogo Azul de Miguel: proteja-me em um poderoso tubo de chamas de luz de um fogo azul consumidor de toda discórdia, que este fogo consumidor vá limpando e purificando tudo em torno de mim, e que todo ser que não for da luz, seja encaminhado ao plano espiritual no qual sua evolução é permitida.
Que toda influência negativa seja banida para bem longe, para bem longe, onde lá seja transmutada em luz. Eu peço, pelo poder da Espada de Excalibur, que nada ouse penetrar neste campo de luz eletrônica, que nada ouse chegar neste turbilhão de Chamas Azuis. Que pousem cruzes de Chamas Azuis sobre as portas e janelas, acima e abaixo, que todo o meu ser, assim como tudo a minha volta, seja selado na luz, no selo crístico do bem amado mestre Jesus Cristo, sob os comandos de Miguel e suas legiões, sob a proteção do Raio Azul de El Morya e Elohim Hércules.
Limpe, purifique, corte e seccione todo o resquício negativo que ainda houver, envie relâmpagos, raios, tornados e ciclones de chamas azuis.Parta do alto sua poderosa espada e coloque-a em minha mente, selando-me na força do Cristo, selando-me na consciência divina, selando-me em tua consciência cristica de luz.
Que a Espada de Excalibur resplandeça em fogo, em luz, para que haja o corte da separação entre o joio e o trigo. Corte e seccione poderosa Espada de Excalibur (3X). Você me concede o poder da separação entre a discórdia e a luz. Em sua chama consumirei toda a discórdia. Tudo o que não for a luz deve receber o fogo da sua verdade. Em nome da luz da Grande Presença das irmandades cósmicas, que a luz radiante volte a brilhar em todo o meu ser.Que assim seja!

Arcanjo

Arcanjo (do grego: αρχάγγελος, transl. arkhángelos) é o nome dado ao anjo que ocupa a segunda classe em sua hierarquia celestial religiosa. Arcanjos existem em diversas tradições religiosas, como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. A Bíblia cita apenas o nome de um arcanjo: Miguel. Ao contrário do que muita gente pensa Gabriel é citado e nomeado como sendo um anjo e não um arcanjo. No entanto há outras teorias a respeito em outras crenças e religiões, outros arcanjos são reconhecidos tanto pelos judeus quanto por alguns cristãos. O Livro de Tobias menciona Rafael, que também é considerado por muitos um arcanjo. Tobias faz parte do cânone católico da Bíblia, e da Septuaginta ortodoxa; o livro, no entanto, é considerado apócrifo pelos fieis e praticantes de outras fés. Os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael são venerados na Igreja Católica Apostólica Romana no dia 29 de setembro (Miguel, anteriormente, em 24 de março). Os arcanjos cujos nomes são mencionados na literatura do Islão são Gabriel, Miguel, Rafael e Azrael. Outras tradições identificam um grupo de Sete Arcanjos, cujos nomes variam, dependendo da fonte.

A Bíblia hebraica usa os termos מלאכי אלוהים (malakhi Elohim, "Anjos de Deus"),1 מלאכי אֲדֹנָי (malakhi Adonai, "Anjos do Senhor"),2 בני אלוהים (b'nai elohim, "filhos de Deus") e הקדושים (ha-qodeshim, "os santos") para se referir aos seres interpretados tradicionalmente como mensageiros angelicais. Outros termos são utilizados em textos posteriores, como העליונים (ha-elyonim, "os elevados"). De fato, anjos são pouco comuns, com exceção de obras posteriores, como o Livro de Daniel, embora sejam mencionados rapidamente nas histórias de Jacó (que, de acordo com diversas interpretações, teria lutando contra um anjo) e Lot, que foi avisada por um anjo da destruição iminente das cidades de Sodoma e Gomorra. Daniel é a primeira figura bíblica que se refere aos anjos individualmente, por seus nomes.3
Especula-se, portanto, que o interesse judaico nos anjos tenha se desenvolvido durante o cativeiro na Babilônia.4 De acordo com o rabino Simeão ben Lakish, de Tiberíade (230 - 270 d.C.), todos os nomes específicos dos anjos teriam sido trazidos pelos judeus da Babilônia.
Não existem referências explícitas a arcanjos nos textos canônicos da Bíblia hebraica (Antigo Testamento). No judaísmo pós-bíblico certos anjos passaram a assumir uma importância particular, desenvolvendo personalidades e papéis únicos. Embora se acredite que estes arcanjos tivessem proeminência entre as hostes celestiais, nenhuma hierarquia sistematizada foi desenvolvida. Metatron é considerado o mais importante dos anjos na Merkabah e no misticismo cabalístico, e frequentemente desempenha a função de escriba. É mencionado brevemente no Talmude,5 e figura com destaque nos textos místicos da Merkabah. Miguel, que atua como guerreiro e representante de Israel (Daniel, 10:13), é visto de maneira particularmente benevolente. Gabriel é mencionado no Livro de Daniel (Daniel, 8:15-17) e, rapidamente, no Talmude,6 bem como em muitos textos místicos da Merkabah. As referências mais antigas aos arcanjos foram feitas na literatura dos períodos intertestamentais (por exemplo, 4 Esdras 4:36).
Dentro da tradição rabínica, na Cabala e no capítulo 20 do Livro de Enoque, e na Vida de Adão e Eva, o tradicional número de arcanjos é mencionado como sendo de pelo menos sete, que são os principais. Três arcanjos superiores também são referenciados com frequência: Miguel, Rafael e Gabriel. Existe alguma confusão acerca de um dos oito nomes a seguir, no que tange ao que é listado como não sendo realmente um arcanjo: Uriel, Sariel, Raguel e Remiel (possivelmente o Ramiel do Apocalipse de Baruque, que presidiria sobre as visões verdadeiras), Zadequiel, Jofiel, Haniel e Chamuel.7 O filósofo judaico medieval Maimônides escreveu uma hierarquia angelical judaica.
Adicionalmente, lares que seguem as tradições judaicas costumam entoar uma canção de boas-vindas aos anjos antes do início do jantar da noite de sexta-feira (sabá), intitulada "Shalom Aleichem", que significa "a paz esteja convosco". Isto tem sua origem numa declaração atribuída ao rabino Jose ben Judah, que dois anjos acompanhariam cada fiel ao retornar a seu lar depois dos serviços das noites de sexta-feira na sinagoga,8 anjos associados com a 'boa inclinação' (yetzir ha-tov) e a 'má inclinação' (yetzir ha-ra).9
 
O Novo Testamento fala frequentemente de anjos (por exemplo, anjos trazem mensagens a Maria, José e os pastores; anjos falam com Jesus após a sua tentação no deserto, outro anjo o visita durante sua agonia, anjos são vistos na tumba do Cristo ressurrecto, e são anjos que libertam os apóstolos Pedro e Paulo da prisão); somente duas referências, no entanto, são feitas a "arcanjos": Miguel, na Epístola de Judas (1:9) e Primeira Epístola aos Tessalonicenses (4:16), onde a "voz de um arcanjo" será ouvida quando do retorno de Cristo.

Igreja Católica Apostólica Romana

Na Igreja Católica Apostólica Romana, três arcanjos são cultuados pelo nome:
  • São Miguel
  • São Rafael (Tobias, 3:17 e 12:15)
  • São Gabriel O Poderoso Mensageiro, Guerreiro de Deus
São Gregório, o Grande, num sermão, dá o nome de outros quatro:
  • Uriel, mencionado no Segundo Livro de Esdras,
  • Fanuel, (Orfiel, Ofaniel) &
  • Zaraquiel (Saracael), ambos mencionados no Livro de Enoque
  • Simiel (Proclamador de Deus).

Ortodoxo

A tradição ortodoxa oriental menciona "milhares de arcanjos";10 no entanto, apenas sete arcanjos são venerados pelo nome.11 Uriel é incluído, e os outros três mencionados com mais frequência são Selafiel, Jegudiel e Baraquiel (um oitavo, Jeremiel, é por vezes mencionado como arcanjo).12 A Igreja Ortodoxa celebra a Sinaxe do Santo Arcanjo Miguel e todos os outros incorpóreos celestes em 8 de novembro do [[calendário litúrgico ortodoxo oriental] (para as igrejas que utilizam o calendário juliano, 8 de novembro equivale ao 21 de novembro do calendário gregoriano). Entre outros feriados em homenagem aos arcanjos estão a Sinaxe do Santo Arcanjo Gabriel, em 26 de março (8 de abril), e o Milagre do Santo Arcanjo Miguel em Colossas, em 6 de setembro (19 de setembro). Além destes, toda as segundas-feiras do ano são dedicadas aos Anjos, com uma menção especial feita nos hinos litúrgicos de Miguel e Gabriel. Na iconografia ortodoxa, cada anjo tem uma representação simbólica:12


  • Miguel, que vem do hebraico "Quem é como Deus?" ou "Quem é igual a Deus?". São Miguel foi descrito, no cristianismo primitivo, como um comandante, que empunha em sua mão de direita uma lança com a qual ataca Lúcifer/Satã, e em sua mão esquerda um ramo verde de palmeira. No top de sua lança se encontra uma fita de linho com uma cruz vermelha. O arcanjo Miguel é considerado especificamente como um 'Guardião da Fé Ortodoxa', e um combatente contra as heresias.
  • Gabriel, que significa "Homem de Deus" ou "Poder de Deus". É o arauto dos mistérios divinos, especialmente a Encarnação de Deus e de todos os mistérios relacionados a ela. É retratado desta maneira: em sua mão direita segura uma lanterna acesa, e, na sua mão esquerda, um espelho de jaspe. O espelho simboliza a sabedoria de Deus como um mistério escondido.
  • Rafael, que significa "cura de Deus" ou "Deus, o que cura" (Tobias, 3:17 e 12:15). Rafael é retratado ao conduzir Tobias (que carrega um peixe pescado no rio Tigre) com sua mão direita, e segurando um jarro de alabastro, usado à época pelos médicos, em sua mão esquerda.
  • Uriel, que significa "Fogo de Deus", ou "Luz de Deus" (III Esdras 3:1, 5:20). É retratado empunhando uma espada contra os persas em sua mão direita, e uma chama na esquerda.
  • Sealtiel, que significa "Intercessor de Deus" III Esdras, 5:16). É retratado com seu rosto e seus olhos inclinados para baixo, com suas mãos sobre o peito, em oração.
  • Jegudiel, significa "Glorificador de Deus". É retratado com uma grinalda dourada em sua mão direita, e um chicote de três pontas na mão esquerda.
  • Baraquiel, que significa "Benção de Deus". É retratado segurando uma rosa branca em sua mão, contra seu peito.
  • Jeremiel, que significa "Exaltação de Deus". É venerado como um inspirador de pensamentos exaltados, que elevam uma pessoa a Deus (III Esdras, 4:36). Por vezes é considerado um oitavo arcanjo.A edição da Bíblia usada pelos protestantes, que exclui os apócrifos, nunca menciona qualquer "Rafael", que portanto não é reconhecido por qualquer uma destas denominações. Rafael é, no entanto, mencionado no Livro de Tobias, um dos livros deuterocanônicos. Na história, Rafael vem ao auxílio de Tobit, curando-o de sua cegueira, e de seu filho, Tobias, expulsando um demônio que o teria matado. Rafael também desempenha um papel importante no Livro de Enoque.
    No cânone da Igreja Ortodoxa Etíope, especificamente em I Enoque, Saraqael é descrito como um dos anjos que supervisiona "os espíritos que pecam no espírito." (20:7, 8)
     
    Na Bíblia, encontram-se apenas duas referências à palavra "arcanjo", ocorrendo ambas no singular, conforme abaixo vertidas na Bíblia de Jerusalém:
  • 1 Tessalonicenses 4:16
"Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro."
  • Judas 9
"E, no entanto, o arcanjo Miguel, quando disputava com o diabo, discutindo a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a pronunciar uma sentença injuriosa contra ele, mas limitou-se a dizer: O Senhor te repreenda!"
A palavra arcanjo na Bíblia está diretamente relacionada com Miguel. Algumas denominações religiosas encaram Miguel como mais um entre outros arcanjos. Outras identificam-no diretamente com Jesus Cristo.
 Na Teologia do judaísmo, na maioria das denominações cristãs e no islamismo, os arcanjos (grego singular Αρχάγγελος, Archángelos, grego antigo (plural) Αρχάγγελοι, Archángel[o]i, hebreu Mala'achim) são uma categoria de anjos. Eles constituem, ou presidem, cada um dos nove coros ou coortes - de - anjos; sendo que as correntes cristãs, de diversas denominações, garantem que com Cristo os coros ou coortes - de - anjos aumentaram, algumas identificando o número em torno de quinze.
  • De acordo com a tradição da Igreja Católica Apostólica Romana, mais antiga, baseada no Antigo Testamento, identifica-se a existência de três a quatro arcanjos: Miguel, chefe da milícia celeste, Gabriel, mensageiro celeste e Rafael protetor dos viajantes (algumas vezes Uriel é incluído entre eles), como o quarto arcanjo; que, para alguns estudiosos, membros da Gnose, do livro do Apocalipse de São(para os católicos) João, identificam os arcanjos como os "Sagrados Cavaleiros, dos Sete Selos, que é aberto por Cristo, o rei ou messias, prometido por Moisés, desde o Gênesis".
  • Na doutrina das Igrejas Protestantes, a nomenclatura dos arcanjos pode obedecer aos esquemas seguintes:
  1. Miguel, Gabriel, e Lúcifer:
    1. Lúcifer perdendo sua posição por volta do ano 0 após uma disputa com Miguel.
    2. Lúcifer perdendo sua posição em algum momento da Criação por se autoproclamar Deus. Ele queria ser igual a Deus e para isso desafiou Deus dizendo que o homem conseguiria viver sem o Seu Criador. 1ª tentação, A queda do homem, Livro de Gênesis.
    3. Lúcifer perdendo sua posição em algum momento no fim dos tempos por causa de uma disputa com Miguel.
    4. Algumas correntes protestantistas afirmam que Lúcifer sempre foi o arcanjo mais leal de todos, mas, para que a repulsa que esse nutria por algumas correntes ideológicas (planos traçados às humanidades) se dissipasse ou aumentasse, a ele foi dada a tarefa de receber em seu reino os piores homens e viver na escuridão, ou seja, "alheio à luz da realidade dos homens", "por trás", pois só assim cumpriria sua tarefa, se reaproximando da verdadeira luz, "a qual é negra como a noite e brilha como a refração das gotas do orvalho" .
  2. Miguel e Lúcifer em um dos momentos acima mencionados.
  3. Miguel e Gabriel.
  • Algumas denominações cristãs, como as Testemunhas de Jeová e a Igreja Adventista do Sétimo Dia, ensinam que existe apenas um arcanjo, designado por Miguel e o identificam com sendo o próprio Jesus Cristo. A razão apresentada prende-se com Miguel ser o único que é diretamente chamado de arcanjo e o termo "arcanjo" ser usado somente na sua forma singular na Bíblia. Muitos téologos protestantes também ensinavam assim: no Século XIX, o erudito bíblico Joseph Benson e o luterano E. W. Hengstenberg; também Spurgeon e John Gill ensinaram essa interpretação. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ensina também que existe apenas um arcanjo, Miguel, mas nega que ele seja o próprio Jesus Cristo.
  • No Islão os arcanjos são Miguel ou Mikail, Gabriel ou Jibril, Rafael ou Israfil e Azrael ou Azrail. Lúcifer era o líder de todos os anjos, apesar de ele não ser um anjo, mas perdeu sua posição durante a Criação por ter recusado a ordem de Deus de aceitar Adão (e o Homem) como um ser superior.
  • Para a gnose, os arcanjos são muitos e formam uma categoria de seres com grau de consciência superior ao dos anjos. Eles teriam sido humanos num passado muito remoto, posteriormente atingiram um grau de consciência semelhante ao dos anjos e mais recentemente foram além, tornando-se arcanjos. Cristo seria o mais evoluído de todos os arcanjos.
  • Segundo a religião cristã protestante, Deus criou 7 arcanjos: Miguel (guerreiro de Deus), Rafael (curador e exorcista de Deus), Gabriel (mensageiro de Deus), Uriel, Samuel, Jofiel e Ezequiel.
  • Segundo uma crença pagã, Deus criou 7 arcanjos: Miguel, Rafael, Gabriel, Uriel, Samuel, Jofiel e Izacael. Dizia-se que Izacael era muito mais poderoso que Miguel, e quando Lúcifer caiu ele também caiu, mas não porque fosse desobediente e ganancioso como Lúcifer, mas por pura vontade, Ele caiu e tomou a forma humana, está escondido até hoje e Leviatã o procura assim como Miguel porque ambos querem convertê-lo ou para o bem ou para o mal; a intenção de Miguel é de que Izacael volte para o céu e a o ajude a prender Satã de novo quando ele sair do inferno. Já a intenção de Lúcifer é a vingança, o Diabo quer que Izacael destrua Miguel.
Depois que Izacael caiu, Deus criou Ezequiel, porém é o arcanjo menos poderoso da guarnição celestial.
Arcanjos são extremamente poderosos seres celestes que foram criados por Deus, e estão imbuídos de um imenso poder e autoridade.
Eles foram feitos antes dos outros anjos e nasceram na seguinte ordem: Gabriel, Miguel, Lúcifer, Rafael. Foi insinuado que os quatro arcanjos aguardam o retorno de dois arcanjos cujo o nome nunca foi mencionado, em templos antigos ao redor do mundo há escritas datadas há 2.000 anos atras, que mostram os quatro arcanjos ao redor de outros dois Arcanjos onde está escrito logo abaixo Interitum Mali ( Destruição do Mal) em Latim. Seus rostos verdadeiros são destrutivos para os mortais e pode ser fatal em alguns casos. Diferente de demõnios e outros males Arcanjos não podem possuir um corpo terreno, por isso, eles pedem a sua permissão.

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